Com cacau ainda caro e produção antecipada em Goiás, indústria e varejo projetam Páscoa com ovos mais caros e foco em tamanhos menores
Ovos de Páscoa chegam mais cedo às prateleiras em Goiânia, com preços pressionados por estoques caros de cacau e estratégias de vendas ajustadas
Os ovos de chocolate já começaram a ocupar o varejo da Grande Goiânia, mas o consumidor deve se preparar para valores mais altos nesta temporada. Segundo reportagem publicada pelo portal Daqui, do jornal O Popular, o preço do chocolate segue pressionado por uma combinação de estoques antigos e oferta global de cacau ainda apertada. Mesmo assim, indústria e lojistas apostam em bom desempenho nas vendas e já ampliaram pedidos e produção.
Entre 2023 e 2024, eventos climáticos reduziram safras em países líderes do cacau, desequilibrando a oferta e elevando as cotações internacionais. Atualmente, o preço oscila entre US$ 3 mil e US$ 5 mil por tonelada, e parte desse custo foi repassada às indústrias e às gôndolas. No Brasil, que importa boa parte das amêndoas processadas, o impacto é direto e se reflete nos ovos de Páscoa deste ano.
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A proximidade da data também acelerou o calendário de fábricas e redes de supermercado. A Páscoa acontece em 3 de abril, e empresas do setor em Goiás já migraram para uma estratégia de exposição antecipada e maior foco em tamanhos menores. Segundo o Daqui, a expectativa é de um aumento entre 8% e 12% no preço dos ovos na comparação com o ano passado.
Cacau com oferta justa e preço internacional elevado, efeito ainda chega ao Brasil por estoques antigos e repasses graduais
Mesmo com uma queda recente de 32% nas cotações após a perspectiva de boa safra na Costa do Marfim, o alívio ainda não chegou às etiquetas brasileiras. De acordo com a apuração do Daqui, os estoques das fabricantes foram formados quando o cacau estava mais caro, o que mantém o custo elevado no curto prazo. O repasse ao consumidor, portanto, segue em curso nesta Páscoa.
Como a indústria nacional depende de insumos importados, o cenário externo segue determinante. O período de 2023 a 2024 concentrou choques climáticos e de oferta, o que elevou a matéria-prima e estreitou margens de fabricantes e varejo. Isso ajuda a explicar por que, apesar do recuo recente lá fora, os ovos ainda chegam mais caros às prateleiras em Goiânia.
Fábrica goiana Dianju acelera produção, amplia pedidos em até 30 por cento e abastece redes dentro e fora de Goiás
O empresário Divino Ismael Leite, dono da goiana Dianju, antecipou a linha de Páscoa diante da data mais cedo. Segundo ele contou ao Daqui, a produção de ovos começou em setembro, fez uma pausa para o panetone e retomou em 5 de janeiro. A fábrica opera com 14 tamanhos, de 50 g a 380 g, para atender diferentes faixas de preço e demanda.
A Dianju já recebeu 37 toneladas de chocolate e encomendou mais insumos para dar conta do ritmo. As redes que compram da marca pediram 30% a mais do que em 2025, enquanto as grandes indústrias reduziram em 30% as entregas para pulverizar o abastecimento no mercado, segundo a reportagem. O movimento abriu espaço adicional para fabricantes regionais.
Leite afirma que a produção da empresa deve ficar entre 22% e 30% acima do ano passado, acompanhando o aumento de pedidos. A escala maior também permite ganhos de eficiência com novas máquinas, como bombas de chocolate mais eficientes e um equipamento que, em breve, embalará e enlaçará os ovos automaticamente.
Além de Goiás, a Dianju já despacha para Pará, Pernambuco, Bahia, Tocantins, Minas Gerais e Mato Grosso. A presença em outros estados ajuda a diluir custos logísticos e a manter o fornecimento em um cenário de demanda aquecida e prazos apertados até a Páscoa.
Supermercados em Goiânia apostam em ovos menores e marcas populares, estratégia para manter preço acessível ao consumidor
No varejo, a supermercadista Camila Naves, do Arroba Supermercado, ajustou o sortimento e priorizou ovos mais populares. Segundo ela disse ao Daqui, marcas tradicionais chegavam com custo de R$ 50 por unidade para o lojista, o que dificultaria a venda final. A solução foi reforçar linhas mais baratas, especialmente ovos de 150 g a 190 g.
O volume encomendado ficou próximo ao do ano passado, com foco em tamanhos menores e giro rápido. Camila relata que o consumidor costuma deixar a compra para a última hora, o que reduz o risco de encalhe de um item altamente sazonal. Por isso, a exposição dos ovos começou mais cedo, estimulando compras antecipadas e por impulso nas semanas anteriores à data.
Para além do preço, o objetivo é assegurar custo-benefício e variedade suficientes para manter o ritmo de vendas. A expectativa é de que a combinação de tamanhos menores e marcas regionais ou populares ajude a contornar parte do aperto nos bolsos nesta Páscoa.
Perspectiva de preço nos ovos de Páscoa, indústria fala em alta entre 8 e 12 por cento apesar do recuo recente no cacau
Mesmo com o alívio internacional na margem, a avaliação de mercado ouvida pelo Daqui indica que o consumidor deve encontrar ovos entre 8% e 12% mais caros nesta temporada. O motivo central está nos estoques formados a preços altos, que ainda dominam as linhas de produção e chegam agora ao varejo.
Esse efeito pode perder força em ciclos futuros, caso a safra esperada se confirme e as fabricantes renovem contratos com valores mais baixos. Por ora, no entanto, os sinais em Goiânia ainda apontam para pressão moderada nas gôndolas, especialmente nas linhas tradicionais e licenciadas.
Exposição mais enxuta nas lojas e controle de pedidos, redes relatam parreiras menores e alta média de 15 por cento nas etiquetas
No supermercado Ponto Final, o supermercadista Gilberto Soares relata que as grandes indústrias passaram a determinar o tamanho dos pedidos, inclusive com automatização de volumes das marcas grife. Em alguns casos, as entregas vêm menores do que o solicitado para evitar sobras na ponta.
Soares observou parreiras de apenas cerca de 3 m² em uma grande rede na última semana, sinal de exposição mais contida. Segundo ele, uma marca regional tem se destacado nas vendas por reduzir custos logísticos e de frete, assegurando melhor custo-benefício. A avaliação do varejo é de alta média de 15% nos preços, em linha com o ambiente de insumos mais caros e maior seletividade na compra.
Como você está percebendo os preços dos ovos de Páscoa neste ano em Goiânia, a estratégia de buscar marcas populares e tamanhos menores faz diferença no seu orçamento? Já antecipou a compra ou vai aguardar as promoções de última hora? Deixe seu comentário e conte sua experiência nas gôndolas.
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