Setor de eventos acelera no início de 2026, bate recorde de consumo, amplia empregos formais e reforça peso na retomada econômica
Consumo das famílias com recreação e entretenimento atingiu o maior nível da série histórica e o emprego formal do setor continuou avançando no começo de 2026.
O setor de eventos de cultura e entretenimento começou 2026 em alta, com avanço no consumo e no emprego formal. No primeiro bimestre do ano, o consumo em recreação somou R$ 25,33 bilhões, o maior valor desde o início da série histórica, em 2019.
Ao mesmo tempo, o núcleo do setor chegou a 205,5 mil vínculos formais em fevereiro de 2026. O número mostra que a atividade segue ampliando sua presença na economia depois da forte recuperação observada nos últimos anos.
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O retrato faz parte do Radar Econômico da Abrape, levantamento da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos. A leitura dos dados mostra um mercado mais robusto, com impacto direto sobre renda, serviços associados e geração de postos de trabalho.
Doreni Caramori Júnior, presidente da Abrape, avalia que o setor mantém a trajetória de crescimento após a pandemia. Para ele, o avanço do consumo das famílias em recreação e entretenimento confirma a consolidação da área como parte importante da retomada econômica.
Recorde no consumo em recreação mostra mudança no padrão de gastos das famílias e fortalece a cadeia de cultura, lazer e entretenimento
O valor de R$ 25,33 bilhões registrado no primeiro bimestre de 2026 representa o melhor desempenho da série iniciada em 2019. O indicador considera o peso da recreação no IPCA e a renda real dos trabalhadores medida pela PNAD Contínua.
Para chegar a esse resultado, o Radar Econômico foi elaborado a partir de dados oficiais do IBGE, do Ministério do Trabalho e Emprego e da Receita Federal do Brasil. Isso ajuda a explicar por que o levantamento é acompanhado de perto por empresas, organizadores e profissionais ligados ao mercado de eventos.
Na prática, o crescimento do consumo indica que as famílias voltaram a reservar mais espaço no orçamento para lazer, shows, experiências culturais e outras atividades de entretenimento. Esse movimento sustenta uma rede ampla de serviços, que vai da produção à operação de eventos.
Emprego formal no núcleo de eventos cresce 84,5% desde 2019 e organização de eventos dispara acima de outras atividades do setor
O estoque de empregos formais no núcleo do setor saiu de 111,4 mil em 2019 para 205,5 mil em fevereiro de 2026. Isso representa um crescimento de 84,5%, um dos avanços mais expressivos entre os segmentos analisados.
Entre as atividades com melhor desempenho, a organização de eventos liderou com alta de 149,1% no número de empregos formais. Também houve crescimento em patrimônio cultural e ambiental, com 64,5%, atividades artísticas e espetáculos, com 58,0%, eventos esportivos, com 52,0%, e recreação e lazer, com 21,9%.
No primeiro bimestre de 2026, o setor ainda registrou saldo positivo de empregos. Houve desaceleração em relação a 2025, mas o quadro foi interpretado como um ajuste natural depois de uma fase anterior de expansão mais intensa.
Esse comportamento mostra que o mercado não apenas se recuperou das perdas do passado recente, como passou a operar em um patamar mais elevado. Para empresas e trabalhadores, isso significa um ambiente com mais demanda e maior estabilidade do que o observado antes da pandemia.
Hub de turismo, hospedagem, alimentação e publicidade também avança e amplia o efeito econômico dos eventos sobre outros serviços
O impacto do setor aparece com força no chamado hub setorial, grupo que reúne áreas como Turismo, hospedagem, alimentação, publicidade e serviços. Nesse conjunto, o total de empregos passou de 3,45 milhões em 2019 para 4,27 milhões em fevereiro de 2026.
O crescimento foi de 23,8% no período, mostrando como os eventos movimentam uma cadeia econômica muito mais ampla do que o núcleo da atividade. Sempre que o calendário de shows, feiras, congressos e atrações culturais ganha força, outros segmentos também sentem o reflexo.
Dentro desse hub, dois destaques chamam atenção. Publicidade e propaganda avançaram 95,9%, enquanto a infraestrutura para eventos cresceu 84,3%, reforçando a demanda por montagem, operação, promoção e suporte técnico.
Setor de eventos supera construção, serviços, comércio e indústria na geração proporcional de empregos e reforça debate sobre políticas públicas
Na comparação com outros grandes setores da economia, os eventos lideraram o crescimento proporcional do emprego. Enquanto o núcleo de eventos avançou 84,5% desde 2019, a construção cresceu 44,5%, os serviços subiram 25,0%, o comércio teve alta de 20,2% e a indústria avançou 17,7%.
Esse desempenho reforça o papel estratégico do setor na economia brasileira. Além de gerar postos de trabalho diretamente, a atividade ajuda a manter em funcionamento uma extensa rede de fornecedores e prestadores de serviço.
A leitura da Abrape é que políticas públicas voltadas à manutenção da atividade econômica continuam relevantes para preservar esse ritmo. Entre elas está o PERSE, o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos, criado para apoiar a sustentação do mercado em um período de forte pressão.
O Radar Econômico, acompanhado pelo setor, segue monitorando consumo, emprego e atividade com base em dados oficiais. Esse tipo de acompanhamento é essencial para medir se a expansão registrada no início de 2026 vai se sustentar ao longo dos próximos meses.
E na sua visão, o avanço do setor de eventos deve continuar ao longo de 2026? Deixe seu comentário com a sua avaliação sobre emprego, consumo e o impacto dessa atividade na economia da sua cidade ou região.
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