Fórum em Santos mostra descompasso entre formação e exigências do mercado de trabalho, com falta de qualificação e pressão por novas habilidades

Especialistas debatem qualificação e futuro do trabalho no Fórum Santos 500+ no auditório do Grupo Tribuna em Santos
Fórum Santos 500+ reúne especialistas em Santos para discutir formação e empregabilidade
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Fórum Santos 500+ reúne especialistas em Santos e evidencia a distância entre a formação atual e as novas demandas do mercado

O terceiro Fórum Santos 500+ colocou a qualificação profissional no centro do debate sobre o futuro do trabalho. Realizado em 23 de março de 2026, no auditório do Grupo Tribuna, o encontro foi promovido em parceria com a Prefeitura de Santos, o Governo do Estado de São Paulo e a Brasil Terminal Portuário (BTP).

Especialistas das áreas de educação, inovação, setor produtivo e gestão pública foram unânimes ao apontar o descompasso entre a formação oferecida e o que as empresas demandam. Eles alertaram para o risco de aprofundamento das desigualdades caso a atualização de competências não acompanhe a velocidade das transformações tecnológicas.

Além de mapear problemas estruturais, os painelistas discutiram estratégias para aproximar universidades e empresas e acelerar a formação técnica. A mensagem central foi clara, com base nos relatos dos convidados, de que qualificação contínua e integração são condições para elevar a produtividade e a empregabilidade.

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O evento também ressaltou a urgência de fortalecer habilidades humanas, como comunicação e trabalho em equipe, que tendem a ganhar peso em meio à automação. Em comum, os participantes defenderam um ensino mais conectado ao mundo do trabalho e a criação de trilhas formativas alinhadas às novas exigências.

Tecnologia avança, mas falta de base e integração trava a inovação

Para Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, Inteligência Artificial e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, o Brasil esbarra em entraves históricos que limitam a competitividade. Segundo ele, falar de inteligência artificial sem conhecimento de base e formação adequada é insuficiente para gerar ganhos reais de produtividade e inovação.

O especialista apontou a distância entre universidades e empresas como obstáculo adicional, ao lado da dificuldade de transformar conhecimento em prática. Ele também destacou que o País ainda forma poucos profissionais em engenharia e tecnologia, áreas estratégicas para o desenvolvimento econômico.

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O resultado aparece no cotidiano das organizações, que lutam para preencher vagas com perfil técnico atualizado. Na avaliação de Tadeu, o problema central não é a tecnologia, mas a falta de qualificação, que afeta diretamente a competitividade do País.

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Jovens buscam sentido e empregabilidade, ensino precisa desenvolver habilidades humanas

Felipe Chiarello, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirmou que os estudantes priorizam empregabilidade e retorno na escolha do curso. Se o aluno não enxerga sentido prático, tende a se desconectar da universidade, o que pressiona instituições a modernizar currículos e metodologias.

Lúcia Teixeira, presidente do Semesp, membro do Conselho Superior de Educação da Fiesp e presidente da Universidade Santa Cecília, lembrou que apenas 20% dos jovens de 18 a 24 anos chegam à universidade no Brasil. Para ela, a atualização precisa ir além do conteúdo técnico e envolver habilidades humanas, como colaboração, comunicação e resolução de problemas complexos.

Portos e empresas aceleram exigências, formação técnica e dados ganham espaço

No setor produtivo, o alerta é semelhante. Joel Contente, diretor administrativo da BTP, disse que o crescimento do setor portuário não tem sido acompanhado pela qualificação necessária. Segundo ele, trata-se de um segmento pujante e em expansão, mas sem mão de obra preparada o avanço vira gargalo.

Contente relatou um descompasso entre o que se aprende na faculdade e o que é exigido no dia a dia dos terminais. A velocidade das operações e da transformação digital pede que os cursos acelerem a atualização de conteúdos e práticas, aproximando-se do ritmo do mercado.

Entre as competências mais demandadas, o executivo citou análise e interpretação de dados e a capacidade de tomada de decisão. Essas habilidades se tornaram decisivas para eficiência operacional, segurança e redução de custos, sobretudo em ambientes portuários com alta complexidade.

Para o secretário de Assuntos Portuários e Emprego de Santos, Bruno Orlandi, o descompasso também resulta de uma leitura insuficiente das oportunidades. Ele defendeu que políticas de emprego e educação incorporem o mapeamento dinâmico das vagas e das competências emergentes no ecossistema regional.

Nesse cenário, parcerias como as firmadas para o Fórum Santos 500+ foram apontadas como caminho para acelerar a formação técnica e promover empregabilidade em setores estratégicos. A coordenação entre poder público, academia e empresas foi vista como essencial para responder à nova demanda de qualificação.

Conexão entre academia e setor produtivo, projetos precisam sair do papel

Eduardo Bittencourt, presidente da Fundação Parque Tecnológico de Santos, frisou que muitos projetos universitários não chegam ao mercado por falta de estrutura, investimento e integração. Sem uma articulação ativa, o conhecimento se perde e deixa de gerar impacto econômico e social.

Ele lembrou ainda que surgem novas profissões em ritmo acelerado, muitas ainda em consolidação, o que exige adaptação contínua. Na prática, isso implica revisar currículos, estimular pesquisa aplicada e criar pontes estáveis para estágios, residência tecnológica e laboratórios vivos com o setor produtivo.

O que ficou como consenso, qualificação contínua e alinhamento com o mercado

Os participantes convergiram na necessidade de atualizar trilhas formativas, valorizar a educação técnica e fortalecer competências socioemocionais. Para as instituições, o recado foi pela proximidade com empresas e por modelos que unam teoria e prática desde os primeiros semestres.

Ao poder público, cabem políticas de fomento e ambientes de teste que acelerem a mudança de escala. Já as empresas foram instadas a ampliar programas de formação, estágios e requalificação, ajudando a reduzir a lacuna que hoje limita a produtividade e a inovação.

Queremos ouvir você. Na sua percepção, qual é a habilidade mais urgente para melhorar a empregabilidade em setores como o portuário e de tecnologia em Santos e região? Deixe seu comentário e participe do debate.


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Sobre o Autor

Ana Paula Araújo
Ana Paula Araújo

Ana Paula Araújo escreve diariamente sobre o mercado de trabalho, mantendo os leitores informados sobre vagas de emprego e concursos públicos, especialmente nas modalidades Home Office e Híbridas.

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