Gestor da Itaú Asset afirma que o maior risco para 2026 está no mercado de trabalho dos EUA, não na IA, e projeta payroll de 50 a 100 mil vagas com apoio de juros menores e estímulo fiscal

Sala de negociação com gestor de fundos analisando gráficos de emprego nos Estados Unidos
Mercado de trabalho dos EUA no centro das projeções de gestores brasileiros
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Mercado de trabalho dos EUA ganha peso nas projeções de 2026, enquanto a tecnologia segue como vetor de produtividade

A discussão sobre inteligência artificial domina os mercados, mas, para Bruno Bak, head da mesa Artax da Itaú Asset, o foco certo para entender 2026 é outro. Ele vê o mercado de trabalho como o verdadeiro termômetro da economia americana no curto prazo. A leitura foi apresentada no programa Stock Pickers, conduzido por Lucas Collazo.

Com quase 25 anos de mercado, e passagens por BBM, Pactual e Opportunity, Bak sustenta que a chave para os próximos cinco a seis meses está na dinâmica de contratações e salários nos Estados Unidos. Segundo ele, é ali que se concentra tanto o principal risco quanto as maiores oportunidades. A avaliação dialoga com o debate acadêmico e com sinais recentes do Federal Reserve (Fed).

Os Estados Unidos cresceram perto de 2,5% ao ano recentemente, ligeiramente acima do potencial, mas a geração de empregos em 2025 foi a mais fraca fora de períodos de recessão. Esse paradoxo intriga economistas e foi reconhecido publicamente por Christopher Waller, governador do Fed, em discurso recente, segundo Bak.

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Nesse contexto, a Artax trabalha com um cenário-base de recuperação gradual do emprego em 2026. A projeção é que o payroll saia de uma média revisada próxima de zero em 2025 para algo entre 50 mil e 100 mil vagas por mês em 2026. O movimento teria suporte de três cortes de juros já realizados pelo Fed, do estímulo fiscal da chamada One Big Beautiful Bill do governo Trump e da resiliência do consumidor americano.

Emprego fraco em 2025 apesar do PIB de 2,5 ao ano, o paradoxo que mantém o Fed no radar

Segundo Bak, o comportamento do mercado de trabalho ficou desconectado do ritmo do PIB. Mesmo com crescimento próximo de 2,5% ao ano, a criação de vagas em 2025 foi atipicamente baixa, fora de ambientes recessivos. Esse descompasso ajuda a explicar por que o emprego é o centro das projeções para 2026.

De acordo com o gestor da Itaú Asset, a leitura do Fed e de parte da academia é que a produtividade pode ter subido, o que permitiria manter a produção com menos contratações. Waller, do Fed, reconheceu a anomalia em apresentação recente, reforçando a incerteza sobre a intensidade da recuperação do emprego.

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Projeções da Artax indicam retomada suave do payroll em 2026, apoiada por juros menores e impulso fiscal

O cenário-base da Artax prevê que a média do payroll de 2025, próxima de zero após revisões, deve avançar para 50 mil a 100 mil contratações mensais em 2026. A hipótese central é de demanda maior por trabalho, à medida que a política monetária menos restritiva e o consumo resiliente se consolidam.

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Entre os motores, Bak cita três cortes de juros já entregues pelo Fed, o impulso fiscal do pacote apelidado de One Big Beautiful Bill sob o governo Trump e a tração do consumo. Essa combinação abriria espaço para um ajuste gradual nas contratações, reduzindo o risco de um pouso mais duro na atividade.

Há, contudo, um cenário alternativo que permanece no radar. Se a produtividade tiver acelerado de forma silenciosa e as empresas não voltarem a contratar, os EUA podem seguir crescendo com geração de empregos perto de zero. Nessa hipótese, o Fed seria forçado a cortar juros com mais agressividade para sustentar o ciclo.

Bak enfatiza que essa possibilidade é considerada menos provável pela mesa da Itaú Asset. Ainda assim, a equipe mantém monitoramento atento dos dados de emprego, renda e horas trabalhadas, que devem guiar o humor dos mercados nos próximos meses.

IA transforma modelos de negócio, mas dados apontam mudança de funções em vez de desemprego em massa

No capítulo da inteligência artificial, Bak adota um tom equilibrado. Ele reconhece correções relevantes em empresas de software, à medida que investidores reavaliam modelos de negócio sob pressão tecnológica. Ao mesmo tempo, ressalta que a academia majoritariamente não vê um desemprego em massa no horizonte próximo.

O paralelo histórico ajuda a calibrar expectativas. Na Revolução Industrial e no advento da internet, o temor de eliminação generalizada de vagas não se confirmou; houve, sim, mudança no perfil das ocupações. Para Bak, a IA tende a seguir trilha parecida, substituindo tarefas e criando novas funções, com ganho potencial de produtividade.

Pesquisas com CEOs nos Estados Unidos mostram que cerca de 80% já utilizam IA em alguma etapa operacional, segundo Bak. No entanto, a maioria ainda não percebeu ganho real de produtividade, o que sugere uma fase de implementação e aprendizado. Esse hiato entre adoção e impacto ajuda a explicar por que o emprego segue como variável-chave.

Cenário alternativo, produtividade dispara e Fed acelera cortes

Bak não descarta um mundo em que a produtividade tenha, de fato, disparado de forma silenciosa. Se isso ocorrer e as empresas mantiverem quadros estáveis, a economia pode avançar com emprego estagnado. Essa configuração exigiria uma resposta monetária mais agressiva do Fed para sustentar a demanda.

Mesmo com essa ressalva, o gestor reforça que a probabilidade-base continua sendo de normalização do payroll em 2026. Para os investidores, o mapa do caminho passa por acompanhar dados de emprego e sinais de salários e horas trabalhadas, além dos reflexos da política fiscal e dos juros.

Em resumo, a IA é uma disrupção real, mas o risco imediato para os mercados está na trajetória do emprego nos EUA. A forma como esse ajuste acontecerá definirá, na prática, o espaço para cortes adicionais de juros e a precificação dos ativos ao longo de 2026.

O que você acha desse diagnóstico sobre emprego e produtividade nos EUA em 2026? A normalização do payroll entre 50 mil e 100 mil por mês parece plausível, ou a produtividade já mudou o jogo de vez? Deixe seu comentário e participe do debate.

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Sobre o Autor

Ana Paula Araújo
Ana Paula Araújo

Ana Paula Araújo escreve diariamente sobre o mercado de trabalho, mantendo os leitores informados sobre vagas de emprego e concursos públicos, especialmente nas modalidades Home Office e Híbridas.

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