Irã prepara contraproposta nuclear após reuniões em Genebra, enquanto Trump admite ataque militar limitado e impõe prazo de até 15 dias
Teerã acelera uma contraproposta nuclear, enquanto Washington aumenta a pressão com a possibilidade de ataque limitado
O governo do Irã trabalha para finalizar uma contraproposta sobre o dossiê nuclear nos próximos dias, após conversas em Genebra, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou considerar um ataque militar limitado. As sinalizações opostas elevam a tensão diplomática e militar no Oriente Médio, com risco imediato para os mercados de energia.
Na sexta-feira (20), Trump disse a repórteres na Casa Branca que avalia uma ação restrita contra Teerã, sem detalhar cenários. Um dia antes, na quinta-feira (19), o presidente impôs ao Irã um prazo de 10 a 15 dias para chegar a um entendimento, sob ameaça de “coisas realmente ruins”.
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Segundo duas autoridades americanas ouvidas pela Reuters, o planejamento militar dos EUA alcançou estágio avançado, com opções que vão de ataques a alvos específicos até a possibilidade de buscar mudança de liderança em Teerã, se houver ordem presidencial. A leitura em Washington é de que a pressão pode destravar um acordo, mas o risco de escalada é elevado.
De acordo com o InfoMoney, o petróleo encerrou perto da estabilidade no dia, mas acumulou alta de 5% na semana, refletindo prêmio de risco diante de uma possível ofensiva e indicadores mistos nos EUA. Em paralelo, parte do mercado já projeta o barril a US$ 100 se o impasse avançar.
Negociações em Genebra e contraproposta do Irã
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que uma contraproposta preliminar poderá ficar pronta em dois ou três dias para avaliação das principais autoridades do país. Em entrevista ao MS NOW, ele destacou que houve um entendimento sobre “princípios orientadores” nas discussões indiretas.
As conversas ocorreram em Genebra nesta semana, com o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e o genro do presidente, Jared Kushner. Araqchi ponderou que o alinhamento em torno de princípios não significa que um acordo seja iminente, mas abre caminho para uma nova rodada de diálogo em cerca de uma semana.
O chanceler iraniano alertou ainda que qualquer ação militar pode complicar os esforços de entendimento. Para Teerã, a janela para negociação existe, mas depende da redução imediata do clima de ameaça.
Pressão da Casa Branca e prazo de 10 a 15 dias
Questionado se avalia um ataque limitado para forçar um desfecho, Trump reconheceu que essa opção está sobre a mesa. Em novo comentário na Casa Branca, ele disse que “é melhor” o Irã negociar um “acordo justo”, reforçando o tom de ultimato.
O recado de 10 a 15 dias adiciona um relógio político às tratativas nucleares. Segundo a Reuters, a estratégia da administração americana combina pressão militar com a tentativa de extrair concessões rápidas do governo iraniano.
Opções militares em estágio avançado e efeito no petróleo
Duas autoridades dos EUA informaram à Reuters que o planejamento inclui ataques a indivíduos específicos e até a hipótese de incentivar mudança na liderança em Teerã, se houver determinação. O objetivo seria calibrar uma resposta que pressione sem desencadear guerra ampla, embora a margem de erro seja curta.
Esse quadro elevou o prêmio de risco no mercado de petróleo. De acordo com o InfoMoney, a commodity ficou perto da estabilidade no fechamento diário, mas somou alta de 5% na semana, com parte dos agentes projetando o barril a US$ 100 caso a tensão saia do controle.
Para investidores, o gatilho que separa uma correção pontual de uma alta estrutural é a materialização de qualquer ataque militar limitado. A leitura é que danos em infraestrutura crítica ou interrupções logísticas no Golfo Pérsico podem estressar a oferta.
No campo diplomático, fontes avaliam que a sinalização de contraproposta por Teerã reduz a probabilidade de ação imediata, mas não elimina o risco. A proximidade do prazo citado por Trump torna os próximos dias decisivos.
Uma escalada também teria reflexos na formação de preços de gás e fretes, com impacto em inflação e crescimento global, alertam analistas de mercado de energia ouvidos pela imprensa especializada.
Mortes, repressão e números em disputa
Trump diferenciou o povo iraniano da liderança e citou a recente repressão a protestos em Teerã. Ele afirmou que 32.000 pessoas foram mortas em curto espaço de tempo, número que não pôde ser verificado de forma independente no momento.
O grupo de direitos humanos HRANA, sediado nos EUA, registrou 7.114 mortes confirmadas e relata outras 11.700 em análise. Trump ainda declarou que pressões americanas teriam levado o regime a desistir de enforcamentos em massa há duas semanas, mencionando 837 pessoas supostamente na fila de execução.
O que esperar nos próximos dias
Diplomaticamente, o foco recai sobre a entrega da contraproposta de Teerã e a possibilidade de uma nova rodada de negociações em cerca de uma semana. O timing é sensível por causa do prazo de 10 a 15 dias estabelecido por Trump.
Militarmente, o cenário depende da avaliação da Casa Branca sobre o andamento diplomático. Como relataram fontes à Reuters, o planejamento para opções cirúrgicas já existe e pode ser ativado com pouca antecedência.
No mercado, os preços do petróleo refletem a incerteza. Caso a via diplomática prevaleça, o prêmio de risco tende a aliviar; se a retórica evoluir para ação, novas altas e maior volatilidade são prováveis, observou o InfoMoney.
Qual a sua avaliação sobre o impasse entre Irã e EUA e o risco de um ataque militar limitado em meio a negociações nucleares? Deixe seu comentário e diga se a estratégia de pressão com prazo curto ajuda a fechar um acordo ou apenas amplia o risco para a região e os mercados.
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