Com o avanço do trabalho remoto, compras migram para os dias úteis e ficam mais rápidas, mas preços sobem e homens casados puxam aumento de gasto, indica estudo com dados até 2023

Pessoa trabalhando em casa ao lado de sacolas de supermercado entregues durante a semana
Home office puxa compras para os dias úteis e muda hábitos no supermercado
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Mudança do trabalho remoto empurra compras para os dias úteis e altera preços e hábitos de consumo no supermercado

O avanço do trabalho remoto alterou a rotina de consumo das famílias, com mais compras de supermercado feitas durante a semana e mudanças no quanto se paga por itens semelhantes. As conclusões vêm de um estudo acadêmico citado em coluna publicada na Folha de S.Paulo em fevereiro de 2026, assinada por uma colunista do Financial Times, que detalha como o home office reorganizou hábitos de compra.

Segundo a pesquisa conduzida por Scott Baker, da Universidade de Wisconsin-Madison, e coautores, a análise usou dados até 2023 e acompanhou cerca de US$ 5.000 dos gastos anuais das famílias americanas, com foco em supermercado. O trabalho também mapeou como e quando as compras eram feitas, permitindo comparar o período anterior e posterior à migração para o home office.

Os resultados mostram uma alta da participação de compras em dias úteis, especialmente às sextas-feiras, que passaram a se parecer com os sábados em volume e frequência. Ao mesmo tempo, as idas ao mercado ficaram levemente mais curtas, sugerindo maior objetividade no meio do expediente.

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Há, porém, um efeito relevante nos preços pagos. Famílias com trabalhadores remotos desembolsaram, em média, 1,5% a mais, um prêmio que se mantém mesmo considerando a inflação elevada do período. O impacto é desigual entre perfis de domicílio, com destaque para casais em que o homem migrou para o trabalho de casa.

Dados até 2023 mostram aumento de 4 pontos nas compras em dias úteis e sexta-feira ganha papel de novo sábado

De acordo com o estudo de Scott Baker e coautores, a mudança para o home office elevou em cerca de 4 pontos percentuais a fatia de compras de supermercado realizadas durante a semana. Na prática, a sexta-feira virou o novo sábado, concentrando uma parcela maior das idas e entregas de mantimentos.

Essa reconfiguração do calendário de consumo acompanha a reorganização do cotidiano trazida pelo trabalho remoto. Com menos deslocamentos e maior controle do horário, mais famílias passaram a encaixar a compra de mantimentos no meio da rotina profissional.

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Compras ficam mais objetivas com idas quatro minutos mais curtas e foco em almoço durante o expediente

O levantamento indica que, embora as compras migrem para os dias úteis, elas tendem a ser mais rápidas e objetivas. Em média, cada ida ao supermercado ficou cerca de quatro minutos mais curta entre quem adotou o home office.

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Os autores descrevem esse padrão como compatível com compras funcionais, voltadas a repor itens do almoço ou do dia a dia, e não a passeios de consumo. A pausa do expediente abre espaço para uma ida eficiente ao mercado ou para finalizar um pedido online já planejado.

Segundo a Folha de S.Paulo, esse ganho de tempo não significa necessariamente que as famílias estejam gastando menos. A busca menos minuciosa por ofertas pode explicar parte da alta nos preços pagos.

Preços sobem 1,5 por famílias em home office com efeito mais forte entre homens casados e impacto nulo entre solteiros

O efeito do trabalho remoto sobre preços é claro no estudo: as famílias com trabalhadores em home office pagaram, em média, 1,5% a mais por itens semelhantes, seja em compras online ou presenciais. Trata-se de um incremento relevante, embora menor que a inflação acumulada no período analisado até 2023.

O impacto não é uniforme. Quando uma pessoa solteira passa a trabalhar de casa, os autores não detectam aumento perceptível nos preços pagos. Ou seja, não há prêmio remoto visível para esse grupo.

Já quando homens casados migram para o home office, o acréscimo nos preços é cinco vezes maior do que quando mulheres fazem a mesma transição. Esse resultado sugere diferenças de comportamento na hora de escolher marcas, tamanhos e promoções.

Importa notar que os dados não capturam casais que moram juntos sem casamento formal, o que limita a leitura para parte dos arranjos familiares. Ainda assim, os padrões observados persistem por tempo suficiente para indicar que não se trata apenas de uma fase de aprendizado.

Segundo a análise destacada pela Folha de S.Paulo, o fenômeno pode dialogar com a divisão de tarefas domésticas, já que a redistribuição do tempo de compras no meio da semana nem sempre vem acompanhada do mesmo rigor na busca por preços.

Mudança de mix de produtos e menor uso de ofertas elevam gasto médio em supermercado entre remotos

As famílias com um homem que passou ao trabalho remoto não só pagaram mais pelo mesmo tipo de produto como também migraram para variedades mais caras e aproveitaram menos ofertas. Isso aumenta o tíquete médio mesmo quando a compra é rápida.

Essa combinação indica uma possível troca entre tempo e preço. Compras mais apressadas economizam minutos, mas tendem a reduzir a comparação entre marcas, o uso de cupons e a atenção a promoções, elevando o custo final.

Implicações para empresas e mercado de trabalho com divisão doméstica e produtividade em debate

Os achados têm implicações para empresas e para o mercado de trabalho. Se o home office desloca compras para a semana e aumenta a objetividade, pode haver ganhos de tempo que melhoram o bem-estar, embora um pouco mais caros. Segundo a Universidade de Wisconsin-Madison, essa reconfiguração reflete novas rotinas e prioridades familiares.

Para gestores, a discussão sobre presença no escritório deve considerar os efeitos colaterais do home office no cotidiano, e não apenas a socialização ou a cultura corporativa. A evidência de que sextas-feiras concentram mais compras ajuda a entender picos de ausência em horários específicos.

Na esfera doméstica, a diferença entre homens casados e mulheres na sensibilidade a preços reacende o debate sobre quem compra, como compra e com que critérios. Como ressalta a cobertura da Folha de S.Paulo sobre o estudo, a persistência dos padrões sugere que políticas de organização familiar e educação financeira podem mitigar parte do aumento de gasto.

Queremos ouvir você. No seu caso, o home office mudou quando e como você faz compras de supermercado, e isso afetou o preço que você paga no fim do mês? Deixe um comentário contando sua experiência e quais estratégias funcionaram para equilibrar tempo, ofertas e qualidade.

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Sobre o Autor

Ana Paula Araújo
Ana Paula Araújo

Ana Paula Araújo escreve diariamente sobre o mercado de trabalho, mantendo os leitores informados sobre vagas de emprego e concursos públicos, especialmente nas modalidades Home Office e Híbridas.

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