SPIW coloca a educação no centro das mudanças do país e reúne especialistas para discutir trabalho, tecnologia e proteção digital em São Paulo
Evento em maio, na capital paulista, reúne nomes da educação, da tecnologia, da Justiça e da economia para discutir como o aprendizado contínuo pode moldar o futuro do Brasil
A São Paulo Innovation Week, SPIW, vai dedicar uma trilha especial à educação entre os dias 13 e 15 de maio, em São Paulo, com uma proposta clara de tratar o tema como eixo central da transformação social. A programação conecta escola, mercado de trabalho, tecnologia, políticas públicas e desenvolvimento humano.
A curadoria da trilha Educação e Futuro do Trabalho está com Iona Szkurnik, que defende uma visão mais ampla sobre o papel do ensino em um cenário de mudanças aceleradas. Para ela, o momento atual exige aprender, desaprender e reaprender de forma contínua, tanto para pessoas quanto para organizações e países.
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Nesse contexto, a inteligência artificial aparece como força que acelera mudanças e expõe limitações de modelos antigos. A discussão proposta pelo SPIW parte da ideia de que o desafio não é apenas tecnológico, mas também humano, cultural e sistêmico.
A trilha foi desenhada para reunir educadores, gestores públicos, executivos, empreendedores e representantes do terceiro setor. A meta é aproximar visões diferentes sobre um mesmo problema, o de como preparar pessoas para um mundo em transformação sem perder de vista inclusão, aprendizagem e proteção social.
Relação entre pessoas e tecnologia abre espaço para debates sobre IA, trabalho e novos modelos de formação
Um dos destaques da programação será o painel com Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil. Ela vai discutir como empresas pioneiras estão reorganizando o trabalho a partir da integração entre profissionais e agentes de IA, tema que ganha força no ambiente corporativo e educacional.
O futuro da formação profissional também entra na agenda com a participação de Guilherme Martins, presidente do Insper e pesquisador em educação, ao lado de Iona Szkurnik. A proposta é avaliar como o ensino pode responder às novas exigências do mercado sem abandonar a formação crítica e humana.
Na área econômica, Marcos Lisboa, ex-presidente do Insper, vai abordar quais reformas podem ajudar o Brasil a não desperdiçar o potencial da inteligência artificial como alavanca de produtividade. O debate deve tratar de eficiência, competitividade e adaptação institucional.
Aluno, aprendizagem e desigualdade aparecem como pontos centrais em uma agenda que vai além da inovação tecnológica
A programação também reforça que a tecnologia, sozinha, não resolve os desafios da educação. Em um dos debates, a professora e referência internacional em robótica educacional Débora Garofalo participa ao lado do educador e empreendedor Fernando Tche Gouvea, defendendo que, mesmo com tantas mudanças, o aluno continua no centro do processo educativo.
Outro encontro importante vai discutir a dificuldade de garantir aprendizagem para todos no Brasil. Para isso, o SPIW reúne Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos Pela Educação, e Denis Mizne, diretor-presidente da Fundação Lemann, dois nomes de peso do terceiro setor.
A ideia é enfrentar um problema estrutural do país, o de combinar acesso, permanência e qualidade no ensino. Ao trazer lideranças com atuação prática e influência no debate público, o evento amplia a discussão sobre políticas educacionais e seus efeitos no longo prazo.
A neurociência também terá espaço na programação. O neurocientista Roberto Lent e a doutora Etienne Lautenschlager vão apresentar descobertas recentes sobre como o cérebro humano aprende e de que maneira esse conhecimento pode impactar a educação brasileira.
Proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital entra na pauta com debates sobre gênero, violência e o ECA Digital
A juíza Vanessa Cavalieri, titular da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, participará de dois painéis durante a trilha. Reconhecida por sua atuação nos debates sobre os impactos do mundo digital no desenvolvimento de crianças e adolescentes, ela levará ao evento uma discussão que ganhou urgência nos últimos anos.
Em um dos encontros, Vanessa divide a conversa com a jornalista e roteirista Mariliz Pereira Jorge para tratar de gênero e feminicídio. O foco será compreender como violência, educação e ambiente digital se cruzam e exigem respostas mais coordenadas da sociedade.
No outro painel, ela estará ao lado de Renata Cafardo, repórter especial e colunista de Educação do Estadão, para discutir a implementação do ECA Digital. A nova legislação brasileira trata da proteção de menores no ambiente digital e deve ocupar espaço crescente no debate educacional e jurídico.
Ao incluir esse tema na trilha, o SPIW amplia o olhar sobre educação e mostra que formar cidadãos hoje passa também por segurança online, uso responsável da tecnologia e defesa de direitos de crianças e adolescentes.
Visão internacional e mudanças nas avaliações mostram como a educação brasileira está ligada a tendências globais
A perspectiva global será apresentada por Saulo Montrond, empreendedor de Cabo Verde e pesquisador em inovação. Ele vai discutir como novas fronteiras de desenvolvimento estão redefinindo tanto a produção de tecnologia quanto a formação de pessoas em diferentes regiões do mundo.
Outro ponto estratégico da programação será o debate sobre avaliações educacionais. Maria Helena Guimarães de Castro, ex-secretária executiva do Ministério da Educação, e Priscilla Tavares, professora da FGV, vão analisar como a inteligência artificial está evoluindo os processos de avaliação no Brasil e no exterior.
Essas discussões mostram que o evento não pretende olhar apenas para tendências futuras de forma abstrata. A proposta é entender como decisões tomadas agora podem influenciar aprendizagem, empregabilidade, produtividade e proteção social nos próximos anos.
A educação voltou ao centro das grandes decisões do país, e a trilha da SPIW deixa isso evidente ao reunir nomes de diferentes áreas em torno de um mesmo desafio. Na sua opinião, qual tema deveria ter mais prioridade no debate sobre educação e futuro do trabalho no Brasil? Deixe seu comentário.
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