Em meio à corrida por automação e IA, empresas brasileiras descobrem que ser humano é a vantagem competitiva que sustenta produtividade, inovação e empregabilidade

Profissionais em reunião colaborativa analisando dados e discutindo soluções com foco no cliente
Habilidades humanas somadas à tecnologia impulsionam resultados nas empresas
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Automação cresce, mas habilidades humanas seguem decisivas nas contratações e promoções, segundo relatórios recentes de mercado

Na disputa por produtividade com automação e inteligência artificial, cresce a evidência de que ser humano é a vantagem competitiva. Empresas que mantêm foco em empatia, colaboração e julgamento ético estão se destacando em atendimento, vendas e inovação. O resultado é claro no mercado de trabalho, onde as chamadas soft skills viraram fator de desempate em processos seletivos e nas promoções.

De acordo com o Relatório Futuro do Trabalho 2023 do Fórum Econômico Mundial, as competências mais valorizadas na próxima onda de transformações tecnológicas incluem pensamento analítico, pensamento criativo e habilidades de resolução de problemas. O documento também projeta que até 2027 cerca de 44% das habilidades dos trabalhadores passarão por mudanças e que haverá um saldo líquido de 14 milhões de empregos a menos globalmente, em razão de 69 milhões de novas vagas e 83 milhões eliminadas.

Segundo o LinkedIn Workplace Learning Report 2024, comunicação, liderança, adaptabilidade e colaboração permanecem entre as capacidades mais buscadas em vagas e avaliações internas. Mesmo com o avanço da IA, a plataforma aponta que habilidades humanas duráveis sustentam desempenho em times híbridos e na interface com clientes.

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Relatório da McKinsey publicado em junho de 2023 destaca que a IA generativa tende a automatizar tarefas cognitivas, porém tem menor eficácia em trabalhos que exigem interação social, criatividade original e senso crítico. Isso reforça que automação e humano não são opostos: a combinação entre tecnologia e julgamento humano é o que gera valor no dia a dia das operações.

O que o mercado de trabalho valoriza com a IA

Com a digitalização de processos, o que diferencia profissionais é a habilidade de interpretar contextos, tomar decisões sob incerteza e relacionar-se com pessoas. A OCDE aponta em análises recentes que ocupações intensivas em tarefas sociais e cognitivas complexas têm menor risco de automação total e tendem a se transformar, não desaparecer.

Nesse cenário, empresas reportam ganhos quando combinam automação com experiência do cliente e qualidade de relacionamento. Atendimentos mais rápidos dependem de robôs, mas a fidelização vem de escuta ativa, negociação e empatia, atributos que treinamentos técnicos não substituem por completo.

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De acordo com o Fórum Econômico Mundial (2023), organizações que investem simultaneamente em tecnologia e requalificação aceleram a adoção de IA com menos fricção. O recado para profissionais é direto: atualizar-se em ferramentas digitais é essencial, mas cultivar competências humanas é o que sustenta empregabilidade no médio prazo.

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Competências humanas em alta demanda no Brasil

No Brasil, a tendência se repete em anúncios de vagas e avaliações de desempenho. Comunicação clara, trabalho em equipe, orientação a dados com visão de negócio e foco no cliente aparecem como diferenciais para áreas como vendas, marketing, operações e produtos. Segundo o LinkedIn (2024), mesmo em funções técnicas, recrutadores priorizam profissionais que demonstram liderança e colaboração transversal.

Além disso, cresce a exigência de pensamento crítico para lidar com informações produzidas por sistemas de IA. Empresas esperam que candidatos questionem premissas, validem fontes e expliquem decisões, principalmente em setores regulados como financeiro, saúde e governo, onde compliance e responsabilidade são cruciais.

Outro ponto em alta é a aprendizagem contínua. Organizações relatam que projetos bem-sucedidos de transformação dependem de pessoas capazes de aprender rápido, ensinar colegas e navegar mudanças com resiliência. Em ambientes híbridos, a habilidade de dar e receber feedback de forma construtiva tornou-se um pilar de cultura.

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Como desenvolver e sinalizar essas habilidades

Soft skills se constroem com prática deliberada, não só com certificados. Um caminho é assumir projetos multifuncionais que exijam negociação de prazos, priorização e alinhamento com áreas diferentes. Documente aprendizados e resultados em formato simples, usando a lógica Situação, Ação, Resultado, para tangibilizar impacto.

Outra estratégia é buscar feedback estruturado de pares e líderes, identificando padrões de comunicação e pontos de melhoria. Treinamentos curtos de escuta ativa, escrita profissional e gestão de conflitos ajudam, mas o ganho real vem de ciclos curtos de prática com revisão.

Em currículos e perfis profissionais, substitua adjetivos genéricos por evidências. Em vez de “boa comunicação”, descreva: “conduzi seis workshops com clientes, elevando o índice de satisfação em 18% no trimestre”. Em entrevistas, conecte histórias a indicadores de negócio, reforçando o elo entre sua atuação humana e resultados mensuráveis.

Segundo o LinkedIn (2024), empresas valorizam quem aprende novas ferramentas de IA e, ao mesmo tempo, demonstra ética no uso e capacidade de explicar limitações dos modelos. Isso mostra maturidade digital e responsabilidade, combinação que líderes procuram para posições críticas.

Perspectivas e carreiras, o que dizem os dados

A McKinsey (2023) estima que a IA generativa pode adicionar entre US$ 2,6 e US$ 4,4 trilhões por ano em valor econômico global, sobretudo quando acelera tarefas de análise e conteúdo. Para capturar esse potencial, as companhias precisarão de profissionais que conectem tecnologia a necessidades humanas, traduzindo insights em produtos, serviços e experiências.

O Fórum Econômico Mundial (2023) reforça que a reconversão de talentos é prioridade estratégica. Onde a automação substituir parte das tarefas, a realocação para atividades de maior valor — como gestão de relacionamento, design de processos e tomada de decisão — tende a preservar e até elevar a empregabilidade.

Consultorias de recrutamento que publicaram guias salariais em 2024 indicam vantagem para carreiras que integram competências humanas e digitais. Funções como sucesso do cliente, gestão de produto, pré-vendas técnicas e liderança de operações seguem disputadas quando combinam análise de dados com empatia e influência.

O recado para profissionais e empresas

O avanço da IA não diminui a importância do humano, aumenta. Times que desenvolvem pensamento crítico, criatividade, empatia e liderança têm mais chance de converter tecnologia em valor. Em um mercado em rápida mutação, ser humano é a vantagem competitiva — e a melhor estratégia é treiná-la todos os dias, com propósito e método.

Quer continuar essa conversa? Deixe seu comentário, conte quais habilidades humanas têm feito diferença na sua carreira e como você as tem desenvolvido no trabalho. Quais práticas ajudaram sua equipe a unir tecnologia e empatia para entregar mais valor?

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Sobre o Autor

Ana Paula Araújo
Ana Paula Araújo

Ana Paula Araújo escreve diariamente sobre o mercado de trabalho, mantendo os leitores informados sobre vagas de emprego e concursos públicos, especialmente nas modalidades Home Office e Híbridas.

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