Pesquisa da Universidade de Maryland usa sensor na roupa íntima para medir gases, revela média de 32 flatos por dia e propõe atlas da flatulência para diagnósticos e dietas
Sensor na roupa íntima monitora hidrogênio produzido pela microbiota e os dados serão usados para criar um atlas da flatulência humana
Dispositivo Smart Underwear foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Maryland e já passou por testes preliminares
Smart Underwear é o nome do dispositivo criado por pesquisadores da Universidade de Maryland que mede a liberação de hidrogênio na forma de gases expelidos pelo corpo. Segundo os desenvolvedores, o sensor foi pensado para uso científico, com foco em estudos gastrointestinais e na avaliação da atividade do microbioma intestinal.
Em comunicado, o pesquisador principal Brantley Hall, professor assistente do departamento de biologia celular da Universidade de Maryland, afirmou que “nós ainda não sabemos, na verdade, o que é uma produção normal de flatulência” e que essa falta de referência dificulta identificar quando a produção de gases é excessiva. A reportagem original foi publicada em 23 de fevereiro de 2026.
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O dispositivo monitora especificamente a liberação de hidrogênio, um dos gases produzidos por bactérias da microbiota intestinal, e transmite as leituras via Bluetooth para um aplicativo criado pelos pesquisadores. A ideia é obter medições objetivas que substituam ou complementem a autodeclaração, método usado até então em boa parte dos estudos.
Pesquisadores já realizaram testes iniciais com voluntários e planejam ampliar o estudo para compor o que chamam de atlas da flatulência, um banco de referência que cruzará dados de dieta, composição da microbiota e padrões de gases para ajudar no diagnóstico de intolerâncias e no monitoramento de intervenções dietéticas.
Detalhes do sensor, como ele é posicionado na roupa íntima e como os dados são transmitidos
O dispositivo é encaixado na roupa íntima por um mecanismo que forma um tipo de “sanduíche”, com uma parte voltada para dentro do corpo e outra para fora, fixadas por pressão. Ele é posicionado entre as pernas, próximo ao bumbum, para captar com mais precisão os gases liberados.
A comunicação do sensor com os pesquisadores é feita via Bluetooth, usando um aplicativo desenvolvido pela equipe da Universidade de Maryland. Durante os estudos, os participantes registravam também fotos das refeições no app, para relacionar ingestão alimentar e produção de gases.
Resultados iniciais do estudo, média de flatos por dia e variação entre participantes
Em um estudo preliminar com 19 participantes saudáveis que usaram a roupa íntima inteligente por uma semana, os pesquisadores estimaram uma média de 32 vezes ao dia soltando gases. Esse valor supera a estimativa tradicional da literatura médica, que apontava entre 10 e 20 flatos por dia.
Os números também mostraram grande variação individual: o participante que menos liberou gases registrou 4 eventos por dia, enquanto o que mais soltou chegou a 59 por dia. Esses dados reforçam a importância de referências objetivas para definir o que é normal ou excessivo.
Em outro experimento com 38 pessoas, os voluntários seguiram uma dieta com pouca fibra por quatro dias e, no quarto dia, receberam suplementos de fibra. O resultado foi um aumento na produção de gases, e o sistema apresentado pelos pesquisadores alcançou uma sensibilidade de 94,7% para detectar essas mudanças.
Objetivos do atlas da flatulência e convite a voluntários nos Estados Unidos para ampliar os dados
O próximo passo anunciado pela equipe é construir um atlas da flatulência humana que estabeleça referências objetivas para a fermentação microbiana intestinal. A meta é analisar como alterações na dieta, probióticos ou prebióticos impactam a atividade do microbioma.
Os pesquisadores estão convidando voluntários nos Estados Unidos para usar o sensor e fornecer dados de alimentação e microbiota, com o apoio do aplicativo que registra fotos das refeições. Entre as aplicações previstas está identificar intolerância à lactose observando os padrões de gases após o consumo de alimentos específicos.
Sintomas que indicam procurar um especialista e possíveis causas de excesso de gases
Um sinal de alerta é o barriga inchada que causa desconforto associado a gases com cheiro muito forte, ponto em que é recomendável procurar um médico ou gastroenterologista. De acordo com os pesquisadores, esses sintomas podem indicar intolerância alimentar, desequilíbrio da microbiota intestinal ou síndrome do intestino irritável.
O sensor pode, no futuro, ajudar a personalizar orientações alimentares e a avaliar respostas individuais a intervenções dietéticas, mas não substitui avaliação clínica quando há sintomas persistentes ou severos.
Queremos saber sua opinião. Este tipo de acompanhamento contínuo levanta questões práticas e éticas sobre privacidade, conforto e utilidade clínica. Deixe um comentário dizendo se você usaria um sensor assim e se acredita que um atlas da flatulência poderia mudar a forma de diagnosticar intolerâncias e orientar dietas.
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