Satisfação no trabalho chega a 78,1 no Brasil, marca recorde da série do FGV Ibre iniciada em 2025, mas remuneração segue como principal foco de queixa entre trabalhadores
Levantamento do FGV Ibre aponta recorde de 78,1 de satisfação no emprego no Brasil, com 6,1 de insatisfeitos e 15,8 em posição neutra
A satisfação no trabalho alcançou 78,1% no Brasil, o maior nível da série iniciada em 2025, segundo a mais recente Sondagem do Mercado de Trabalho da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). O estudo indica que apenas 6,1% dos entrevistados se dizem insatisfeitos, enquanto 15,8% adotam postura neutra.
Os resultados, divulgados e repercutidos pelo Brasil 247, sugerem um ambiente de percepção majoritariamente positiva no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, o levantamento evidencia questões estruturais que ainda pressionam o bem-estar e a permanência dos profissionais.
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Entre os pontos de atenção, a remuneração permanece como o fator que mais pesa na avaliação negativa de parte dos trabalhadores. Aspectos ligados à saúde mental e à carga horária também aparecem com relevância, reforçando a complexidade da gestão de pessoas.
Especialistas destacam que satisfação é um indicador relevante, mas depende de um ecossistema organizacional consistente para se sustentar no longo prazo. Cultura, liderança e desenvolvimento humano surgem como eixos fundamentais para manter o engajamento.
Recorde de satisfação no emprego, dados da FGV Ibre indicam atmosfera positiva e baixa taxa de insatisfeitos
De acordo com a sondagem do FGV Ibre, o patamar de 78,1% de satisfeitos ou muito satisfeitos é o maior já observado desde o início da série, em 2025. O dado sinaliza avanço da confiança e da percepção de estabilidade ocupacional entre os trabalhadores.
Ao mesmo tempo, a taxa de insatisfação de 6,1% é baixa quando comparada ao conjunto, enquanto os 15,8% em posição neutra mostram um grupo que observa o cenário com cautela. Segundo o Brasil 247, o resultado consolida uma tendência positiva captada nas últimas sondagens.
Remuneração lidera os motivos de descontentamento, seguida por saúde mental e carga horária elevada
Mesmo com o recorde de satisfação, o estudo expõe que 60,5% dos trabalhadores insatisfeitos apontam a remuneração como principal motivo de descontentamento. O dado reafirma o peso do reconhecimento financeiro nas decisões de engajamento e retenção.
Em seguida, questões de saúde mental reúnem 24,8% das menções entre os insatisfeitos, refletindo pressões emocionais e necessidade de apoio contínuo. A carga horária elevada aparece com 21,9%, indicando que o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal segue no centro do debate.
Para além do salário, as respostas sugerem que políticas de equilíbrio de jornada e de bem-estar psicológico são componentes críticos de uma estratégia de pessoas. A satisfação, portanto, se mostra multifatorial e dependente de coerência entre discurso e prática.
Especialista aponta cultura, gestão e desenvolvimento humano como pilares para sustentar o engajamento
Para Izabela Holanda, diretora da IH Consultoria e Desenvolvimento Humano, os números devem ser interpretados a partir de três eixos: cultura organizacional, gestão e desenvolvimento humano. Na visão da especialista, satisfação é consequência de um ambiente que favorece a confiança e o aprendizado contínuo.
Ela avalia que o avanço do índice pode estar ligado a maior estabilidade ocupacional e ao amadurecimento das práticas de gestão de pessoas. Contudo, reforça que a remuneração continuar no topo dos fatores de queixa evidencia o papel central do reconhecimento financeiro no engajamento.
Segundo Izabela, não existe cultura forte sem coerência entre discurso e prática. Políticas consistentes de valorização, saúde mental e equilíbrio de jornada são determinantes para transformar satisfação circunstancial em percepção duradoura.
Ela destaca ainda que ações de desenvolvimento precisam dialogar com metas claras e lideranças preparadas. Sem essa integração, a experiência do trabalho se fragiliza e a satisfação perde potência diante de pressões de curto prazo.
Na prática, empresas que combinam remuneração competitiva, programas de bem-estar e formação contínua tendem a sustentar melhor o engajamento, limitando a oscilação do humor organizacional.
Percepção de renda suficiente melhora levemente, desafios estruturais permanecem nas empresas
A sondagem do FGV Ibre também registrou leve aumento na parcela de trabalhadores que consideram a renda suficiente para cobrir despesas básicas. Esse movimento sugere melhora na sensação de segurança financeira, ainda que pontual.
Apesar do avanço, a leitura dos dados indica que organizações seguem desafiadas a estruturar políticas integradas de remuneração, saúde mental e equilíbrio de jornada. Como indica a análise divulgada pelo Brasil 247, fortalecer esse tripé é essencial para que o recorde de 78,1% não seja apenas um pico, mas um patamar sustentável.
Qual é a sua avaliação sobre os números da sondagem do FGV Ibre e as prioridades de gestão de pessoas nas empresas brasileiras? A remuneração ainda é o principal ponto de atenção ou políticas de saúde mental e equilíbrio de jornada fazem mais diferença no longo prazo? Deixe seu comentário e contribua com o debate.
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