Salários sobem mais rápido que a produtividade, alerta Galípolo, e pressão de custos mantém a inflação de serviços resistente no curto prazo

Gabriel Galípolo em entrevista sobre reajustes salariais e produtividade no Banco Central do Brasil
Galípolo avalia o impacto dos salários sobre a inflação de serviços.
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BC vê reajustes acima da produtividade e monitora impacto nos preços enquanto negociações coletivas e mínimo reforçam custos do trabalho

O diretor do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o reajuste de salário tem avançado acima do ganho de produtividade no Brasil. A leitura indica aumento do custo do trabalho por unidade produzida, um dos vetores que pode manter a inflação de serviços elevada.

A declaração foi publicada pelo Poder360 e ecoa preocupações recorrentes da autoridade monetária. Segundo o BC, a dinâmica do mercado de trabalho e da massa de rendimentos influencia a trajetória desinflacionária e o ritmo de cortes de juros.

Na prática, quando os salários crescem mais do que a produção por trabalhador, empresas tendem a repassar custos. Esse movimento pressiona preços, sobretudo em serviços, segmento menos sensível à concorrência externa.

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O tema ganha relevância em um momento de meta de inflação em 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional desde 2024 e de negociações salariais robustas em diversas categorias.

O que significa salário crescer acima da produtividade

Produtividade do trabalho é a produção por hora trabalhada ou por empregado em determinado período. Se a produtividade não acompanha o ritmo dos salários, o custo unitário do trabalho sobe e pode reduzir margens ou ser repassado ao preço final.

Esse mecanismo é descrito em estudos de organismos como OCDE e FMI e aparece nas avaliações do Banco Central. Em serviços, onde mão de obra pesa mais, o efeito costuma ser mais visível e persistente.

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Em janelas de crescimento do emprego e renda, é comum a negociação de aumentos reais. O alerta técnico é sobre o equilíbrio, para que o ganho de renda não venha acompanhado de perda de competitividade e inflação mais alta.

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Sinais do mercado de trabalho e negociações coletivas

Indicadores recentes mostram mercado de trabalho aquecido, com melhora do emprego formal captada em bases como o Novo Caged e rendimentos reais em alta nas pesquisas do IBGE. Esse pano de fundo fortalece pedidos de reajuste nas mesas de negociação.

Além disso, a política de valorização do salário mínimo, retomada por lei em 2023, prevê correção pela inflação mais a variação do PIB de dois anos antes. Segundo o Dieese, o piso nacional serve de referência direta ou indireta para milhões de contratos, ampliando seu efeito na massa salarial.

Segundo o Poder360, foi nesse contexto que Galípolo apontou os reajustes acima da produtividade como um fato a ser monitorado. O alerta não invalida a recuperação de renda, mas reforça a necessidade de ganhos de eficiência para sustentar os aumentos.

Efeito sobre a inflação e a política monetária

As atas do Copom têm ressaltado a resiliência da inflação de serviços, em parte associada ao mercado de trabalho. Quando salários crescem mais que a produtividade, a inércia inflacionária tende a ser maior e a convergência à meta pode ser mais lenta.

Para o Banco Central, esse quadro exige cautela na condução dos juros, calibrando o ritmo de flexibilização monetária às evidências de desinflação sustentável. A comunicação recente da autoridade destaca a importância de observar custos, expectativas e a política fiscal.

De acordo com o BC, ancorar expectativas ao redor de 3% e promover ambiente propício ao investimento ajudam a compatibilizar renda mais alta com inflação controlada. Sem produtividade, aumentos salariais correm o risco de virar preços.

Produtividade no Brasil, entraves e caminhos

Estudos de Ipea e FGV Ibre apontam que a produtividade brasileira avança de forma lenta há décadas, com períodos de estagnação. Fatores como baixa taxa de investimento, gargalos de infraestrutura, complexidade tributária e menor difusão tecnológica pesam no desempenho.

Relatórios da OCDE destacam que políticas de simplificação regulatória, abertura comercial com salvaguardas competitivas, qualificação profissional e digitalização de processos elevam a produtividade. Ambientes concorrenciais tendem a estimular eficiência e inovação.

No curto prazo, ganhos podem vir de gestão de estoques, redução de desperdícios e automação acessível. No longo prazo, educação de qualidade, estabilidade de regras e integração a cadeias globais são determinantes para romper o ciclo de custos crescentes sem contrapartida produtiva.

Alinhar salários e produtividade não significa frear acordos coletivos, mas viabilizá-los com base em aumento de valor agregado. É essa combinação que sustenta renda, emprego e preços estáveis.

O que empresas e trabalhadores podem fazer já

Empresas podem atrelar parte da remuneração variável a metas de produtividade e qualidade, ampliar treinamentos e adotar métodos de melhoria contínua. Mapear gargalos e digitalizar rotinas simples costuma gerar ganho rápido.

Trabalhadores podem buscar capacitação e certificações que aumentem a produtividade individual, fortalecendo a posição em negociações salariais. Adoção de práticas de segurança e organização do trabalho também eleva eficiência.

Sindicatos e empresas podem negociar PLR com métricas transparentes e cronogramas realistas, alinhando aumentos com entregas e resultados. Isso preserva o poder de compra sem repassar custos imediatos aos preços.

Glossário rápido

Reajuste de salário aumento nominal ou real negociado ou previsto em lei. Produtividade do trabalho produção por hora ou por trabalhador. Custo unitário do trabalho custo da mão de obra por unidade produzida, indicador chave para preços.

Segundo o Poder360, a avaliação de Galípolo é que, hoje, o eixo salário e produtividade merece atenção redobrada. De acordo com o Banco Central, a convergência da inflação à meta depende também dessa conta fechar.

Como você avalia o equilíbrio entre ganhos salariais e produtividade na sua área de atuação, há espaço para aumentar a eficiência e sustentar reajustes sem pressionar preços

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Sobre o Autor

Valdemar Medeiros
Valdemar Medeiros

Sou Jornalista em formação, especialista na criação de conteúdos com foco em ações de SEO. Escrevo sobre Vagas de emprego, Indústria Automotiva, Energias Renováveis e outras oportunidades do mercado de trabalho.

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