Ampliação no presídio feminino de Lajeado cria mais vagas de trabalho, reforça a ressocialização e melhora a estrutura para servidores
Obra no Presídio Estadual Feminino de Lajeado amplia o trabalho prisional, fortalece a qualificação profissional e reorganiza a área administrativa da unidade
O governo do Rio Grande do Sul inaugurou na quarta-feira, 1º de abril, a ampliação do pavilhão de trabalho prisional e a requalificação da área administrativa do Presídio Estadual Feminino de Lajeado, no Vale do Taquari. A intervenção aumenta a capacidade de inserção laboral das apenadas e melhora as condições de trabalho dos servidores da unidade.
Com a mudança, o número de postos de trabalho passou de 14 para 30 vagas, com potencial para alcançar até 50% da população custodiada em regime fechado no presídio. A iniciativa integra o programa Mãos que Reconstroem, voltado à ressocialização por meio do trabalho, da qualificação profissional e da remição de pena.
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Além da área produtiva, o espaço administrativo também foi reformulado para atender melhor a rotina da Polícia Penal. A nova estrutura foi pensada para dar mais organização à gestão interna e apoiar o atendimento institucional dentro da unidade.
Nova estrutura de trabalho no presídio feminino de Lajeado amplia produção de bolsas e calçados e abre espaço para mais contratação de apenadas
O novo pavilhão tem cerca de 100 metros quadrados e passou por readequações físicas que unificaram ambientes antes fragmentados e usados para outras finalidades. Com isso, foi possível instalar uma estrutura industrial mais completa para o trabalho das internas.
No local, foram colocados equipamentos de corte, costura e programação, além de esteira de produção, compressores de alta pressão para prensas pneumáticas de soldagem e outros dispositivos usados na indústria calçadista. As atividades são voltadas principalmente à confecção de bolsas e calçados.
O trabalho é desenvolvido em parceria com a Tomasi Calçados, terceirizada da Calçados Beira Rio. No Presídio Estadual Feminino de Lajeado, o termo de cooperação com a empresa está em vigor desde 2023, depois de a iniciativa ter sido implantada primeiro no presídio masculino.
Em todo o Estado, a Calçados Beira Rio começou a utilizar mão de obra prisional também em 2023, inicialmente com 15 apenados. Hoje, a empresa emprega cerca de 400 pessoas privadas de liberdade em oito estabelecimentos prisionais, atuando na manufatura de calçados e bolsas.
Investimento de R$ 400 mil e obra concluída em seis meses mostram avanço da política de trabalho prisional no Rio Grande do Sul
A obra foi viabilizada com investimento de R$ 400 mil, oriundos de editais das Varas de Execução Criminal de Lajeado, Estrela e Teutônia. O modelo reforça a integração entre o sistema de Justiça e a administração penitenciária em projetos de ressocialização e melhoria da infraestrutura.
A execução ficou a cargo da Construtora Rene P. Silva e Cia Ltda., que concluiu os serviços no prazo de seis meses. A iniciativa também contou com a participação de apenados do Presídio Estadual de Lajeado, que atuaram na obra por meio de mão de obra prisional vinculada a termo de cooperação com o município.
Esse tipo de participação reforça o caráter educativo e profissionalizante do trabalho dentro da execução penal. A solenidade de inauguração reuniu autoridades do Poder Executivo, representantes do sistema de Justiça, integrantes da sociedade civil organizada, parceiros institucionais e veículos de comunicação da região.
Área administrativa reformada deve receber oito profissionais e melhorar a gestão da unidade prisional
A nova área administrativa tem 110 metros quadrados e foi preparada para oferecer melhores condições de trabalho aos servidores. A previsão é de atuação de oito profissionais no espaço, sendo três analistas, três policiais penais e dois técnicos administrativos da Polícia Penal.
O ambiente conta com dois sanitários e reúne salas da direção, de segurança e disciplina, do setor técnico e do setor administrativo. O espaço também inclui arquivo e um ambiente multiuso destinado a reuniões e atividades de capacitação dos servidores.
Para a coordenadora de Departamentos da Polícia Penal, Samantha Longo, a iniciativa reforça uma gestão mais moderna, eficiente e humanizada do sistema prisional. A avaliação é de que investir em infraestrutura adequada melhora a organização institucional e a qualidade dos serviços prestados.
Programa Mãos que Reconstroem cresce no Estado e trabalho prisional já alcança 16,1 mil pessoas em 113 unidades
O secretário de Sistemas Penal e Socioeducativo, Jorge Pozzobom, tratou a entrega como um passo importante na qualificação do sistema penal gaúcho. Na avaliação dele, investir em estrutura, habilitação e trabalho representa também investir em segurança pública e em reconstrução de trajetórias.
O modelo de cooperação entre Estado e setor privado tem avançado no Rio Grande do Sul. Pelos termos firmados, os apenados podem receber até 75% do salário-mínimo nacional e têm direito à remição de um dia de pena a cada três dias trabalhados, como prevê a Lei de Execução Penal.
A representante do Departamento Técnico e de Tratamento Penal, Fernanda Dias, destacou o crescimento do interesse de empresas em aderir ao trabalho prisional. A leitura dentro da área técnica é de que o programa ajuda na capacitação profissional, fortalece vínculos familiares e comunitários e prepara o retorno ao mercado formal.
Hoje, o sistema prisional gaúcho mantém atividades laborais, remuneradas ou não, em todas as 113 unidades do Estado. Até fevereiro de 2026, quase 40% da população prisional em regime aberto, semiaberto ou fechado exercia algum tipo de trabalho, somando 16,1 mil pessoas.
Dados do DTTP mostram ainda que 2.920 pessoas privadas de liberdade atuam por meio de termos de cooperação com empresas, instituições e órgãos públicos, em funções como serviços gerais, limpeza, manutenção e construção civil. Cerca de 70 prefeituras mantêm parcerias ativas com o sistema prisional, e o número de remunerados cresceu cerca de 145,17% desde 2019, quando havia 12.217 pessoas trabalhando e 1.191 recebiam.
O avanço do trabalho prisional no Rio Grande do Sul tem ganhado novas frentes e, no caso de Lajeado, combina geração de vagas, qualificação e melhoria da estrutura interna. Você acredita que parcerias com empresas podem ampliar de forma real a ressocialização no sistema prisional? Deixe sua opinião nos comentários.
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