Sem dados organizados, a indústria perde fôlego; pesquisa nacional ouvirá empresas para guiar a Política Nacional de Economia de Dados e destravar competitividade
Levantamento nacional com indústrias vai mapear uso de dados e orientar a futura Política Nacional de Economia de Dados, segundo o Portal do Marcos Santos
Uma pesquisa nacional está ouvindo indústrias de diferentes portes e setores para subsidiar a elaboração da Política Nacional de Economia de Dados. O objetivo é transformar experiências reais do chão de fábrica em diretrizes práticas para ampliar competitividade, produtividade e inovação. A informação foi divulgada pelo Portal do Marcos Santos, que destacou a escuta ativa do setor produtivo como passo central para a formulação da proposta.
O levantamento busca identificar gargalos e oportunidades na gestão, compartilhamento e valorização de dados no ambiente industrial. Os resultados devem apoiar o desenho de ações públicas, priorização de investimentos e definição de padrões que facilitem o uso de dados com segurança e eficiência. Com isso, a política pretende criar um ambiente regulatório e institucional que acelere a transformação digital na indústria.
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Segundo a publicação, a iniciativa pretende capturar desde casos de uso consolidados até dificuldades técnicas e regulatórias que travam projetos. A aposta é que o mapeamento, feito com base em evidências, ajude a orientar metas, indicadores e instrumentos de fomento. O esforço dialoga com a agenda de reindustrialização e com a demanda por produtividade sustentada por tecnologia.
Para especialistas, políticas nacionais desse tipo só ganham tração quando refletem a realidade das empresas, sobretudo das pequenas e médias, que enfrentam desafios diferentes dos grandes grupos. Além de reduzir assimetrias, a política pode estimular interoperabilidade, melhores práticas de governança e o desenvolvimento de talentos em dados.
Por que a economia de dados importa para a indústria brasileira
Dados confiáveis e bem governados permitem planejamento de produção mais preciso, manutenção preditiva e rastreabilidade, reduzindo custos e desperdícios. Também aceleram P&D, personalização de produtos e integração de cadeias, fortalecendo a competitividade externa e interna. Em um mercado pressionado por margens e prazos, a informação vira ativo estratégico.
De acordo com análises recorrentes de organismos internacionais, a economia de dados é vetor de crescimento e inovação nas manufaturas avançadas. No Brasil, o potencial é significativo porque há espaço para padronizar processos, digitalizar linhas e integrar dados de fornecedores e clientes. Sem coordenação, porém, a adoção é desigual e limitada.
A política pública proposta mira justamente esse ponto de coordenação. Ao alinhar incentivos, padrões e suporte técnico, cria condições para que pequenas indústrias acessem ferramentas e práticas antes restritas aos grandes players, fechando o gap tecnológico.
Como será a pesquisa com as indústrias e o que deve medir
Conforme destacou o Portal do Marcos Santos, o foco é captar a experiência direta das fábricas para orientar o desenho da Política Nacional de Economia de Dados. Em iniciativas similares, o questionário costuma levantar maturidade de governança de dados, infraestrutura digital, integração de sistemas, segurança da informação e qualificação de pessoas.
Devem entrar no radar temas como interoperabilidade entre ERPs, sensores e plataformas, adoção de padrões abertos, qualidade e catalogação de dados e barreiras ao compartilhamento interempresa. Também ganham peso as dores de compliance, como custos de adequação e incertezas jurídicas.
Outro eixo recorrente é a mensuração de impacto de dados na produtividade, no consumo de insumos e energia, e na redução de paradas de máquina. Isso ajuda a selecionar casos de uso com melhor retorno e a orientar linhas de apoio, pilotos e infraestrutura habilitadora, como nuvem e conectividade.
A pesquisa tende ainda a mapear necessidades de capacitação em ciência de dados, engenharia de dados e cibersegurança. Esses achados costumam embasar programas de formação, bolsas e trilhas técnicas orientadas às demandas reais da indústria.
Relação com LGPD, ANPD e padrões de governança de dados
A política deverá dialogar com a LGPD, em vigor desde 2018, e com diretrizes da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), instituída em 2020. Segundo a ANPD, empresas precisam de bases legais claras, medidas de segurança proporcionais ao risco e governança contínua para tratar dados pessoais com responsabilidade.
No contexto industrial, isso significa separar dados operacionais de dados pessoais, adotar minimização de dados, registrar finalidades e mitigar riscos de reidentificação quando houver analytics. Alinhar a economia de dados às regras de proteção fortalece a confiança e reduz litígios, favorecendo compartilhamentos responsáveis e o surgimento de ecossistemas de dados setoriais.
Próximos passos para a Política Nacional de Economia de Dados
Após a coleta e análise dos resultados, a tendência é consolidar um documento-base com diagnóstico, objetivos, metas e instrumentos de implementação. Em políticas públicas desse porte, é comum abrir consulta pública para validar prioridades e incorporar novas evidências do setor.
O cronograma típico inclui a definição de projetos-piloto, governança interinstitucional e critérios de monitoramento. Diretrizes claras sobre padrões técnicos, compartilhamento seguro e apoio à inovação devem orientar chamadas públicas e parcerias com o setor produtivo.
Segundo o Portal do Marcos Santos, a escuta direta das indústrias é essencial para que a proposta final tenha viabilidade prática e seja adotada com rapidez pelo mercado. A expectativa é que a política ajude a destravar investimentos, reduzir custos de conformidade e escalar o uso de dados na manufatura brasileira.
O que você acha desse caminho para a economia de dados na indústria brasileira, ele equilibra inovação com proteção de dados ou corre o risco de engessar o uso com regras demais? Deixe sua opinião nos comentários e conte quais são os maiores obstáculos de dados na sua fábrica ou setor.
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