Mulheres avançam na busca por vagas em tecnologia, assumem projetos mais complexos, mas ainda enfrentam barreiras para entrar, permanecer e liderar

Mulheres reunidas em ambiente de trabalho de tecnologia durante discussão sobre carreira, inovação e liderança feminina
Interesse feminino por vagas cresce, mas participação no setor ainda é desigual
Publicidade

👋 Seja a primeira pessoa a reagir!

Busca por vagas cresce entre mulheres, mas presença no setor de tecnologia ainda segue abaixo do necessário para mudar o jogo

As mulheres estão procurando mais oportunidades em tecnologia do que os homens, mas continuam sendo minoria em um dos setores mais estratégicos da economia. O contraste mostra que o interesse existe, assim como a disposição para assumir desafios maiores, porém a participação feminina ainda avança em ritmo lento.

Um estudo liderado por pesquisadores da University of New Hampshire, nos Estados Unidos, mostrou que elas buscam 17,3% mais vagas no setor de tecnologia. Publicado em 2025 no Journal of Management System, o levantamento também apontou que mulheres assumem 17,2% mais projetos tecnológicos com alta complexidade de coordenação.

Mesmo com esses indicadores, a desigualdade segue visível no mercado. O tema ganhou destaque no South Summit Brazil 2026, durante um painel realizado na quarta-feira, 26 de março, no Corner Stage, em debate focado em liderança feminina na tecnologia e inovação.

Publicidade

Participaram da conversa Cynthia Zanoni, fundadora e CEO da WoMakersCode e uma das líderes de tecnologia na Microsoft, Maria Teresa Meyer, gerente-geral da BridgeWise na América Latina, e Renata Feltrin, fundadora do FORWD. A mediação ficou com Erica Fridman, sócia-gerente da Sororitê Ventures.

No Brasil, presença feminina em tecnologia cresce pouco e cargos de liderança ainda refletem a mesma desigualdade do mercado

No mercado brasileiro, os números mostram que a distância entre homens e mulheres continua grande. Relatório da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação, a Brasscom, divulgado em 2025, indica que as mulheres representam 34,2% da força de trabalho em tecnologia.

Os homens somam 63,1%, enquanto pessoas não-binárias representam 1%. Nos cargos de liderança, o cenário quase se repete, com mulheres ocupando 34,1% das posições de diretoria e gerência, avanço de apenas 1,6% em relação a 2019.

Não fique de fora
Estamos no WhatsApp! Clique e entre em nosso Grupo de Vagas!

Isso revela um problema que vai além da contratação. A dificuldade também está em abrir espaço para crescimento profissional, reconhecimento e permanência em posições estratégicas dentro das empresas de tecnologia.

Publicidade

Diversidade nas equipes melhora soluções, reduz vieses e amplia a capacidade de inovação em produtos tecnológicos

Durante o debate no South Summit Brazil 2026, Cynthia Zanoni destacou que as mulheres chegam ao setor com uma bagagem de experiências capaz de ampliar a leitura sobre problemas e soluções. Esse repertório, na prática, fortalece abordagens mais criativas, colaborativas e conectadas com a realidade dos usuários.

A cofundadora do Ladies in Tech, Marceli Brandenburg, reforçou que a atuação feminina tende a olhar com mais atenção para inclusão e acessibilidade. Esse cuidado influencia a forma como ferramentas digitais, plataformas e sistemas são desenhados para públicos de diferentes idades, gêneros e contextos sociais.

Quando a diversidade não participa do desenvolvimento tecnológico, os efeitos aparecem no produto final. Em sistemas de inteligência artificial, por exemplo, equipes homogêneas podem reforçar preconceitos em vez de combatê-los.

Um relatório da consultoria LLYC mostrou que 56% das respostas de IA direcionadas a jovens do sexo feminino reforçam estereótipos de fragilidade. O mesmo estudo apontou ainda que mulheres recebem recomendações para buscar validação externa cerca de seis vezes mais do que homens.

Desafio não está só na entrada, mas também na permanência das mulheres em cursos e carreiras de tecnologia

A barreira para as mulheres na tecnologia não termina quando surge a primeira oportunidade. A permanência no setor, seja na formação acadêmica ou no ambiente profissional, ainda é um dos pontos mais críticos para mudar o quadro.

Cynthia Zanoni resumiu esse desafio ao afirmar que não basta entrar, é preciso permanecer e crescer. A frase ajuda a explicar um gargalo conhecido em cursos e empresas, onde muitas mulheres iniciam a trajetória, mas não conseguem avançar no mesmo ritmo dos homens.

Um exemplo aparece no estudo Overcoming Obstacles, Challenges of Gender Inequality in Undergraduate ICT Programs, da Universidade Federal de Sergipe, a UFS. Os dados mostram que mulheres representam cerca de 30% dos ingressantes em cursos de Tecnologia da Informação e Comunicação, mas caem para apenas 10% entre os concluintes.

Esse descompasso indica que a evasão feminina ainda é alta e que o ambiente de formação precisa ser mais acolhedor. Também reforça a importância de políticas de suporte, redes profissionais e programas voltados ao desenvolvimento de carreira.

Mentoria, capacitação e apoio a empreendedoras afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul ganham espaço como resposta prática

Para enfrentar essas barreiras, iniciativas de apoio vêm ganhando relevância dentro do ecossistema de inovação. Redes de acolhimento, programas de mentoria e capacitações específicas aparecem como caminhos concretos para reduzir a evasão e fortalecer a presença feminina na tecnologia.

Um dos exemplos citados é o programa Lift, do Ladies in Tech. Nesta edição, a ação voltou o foco para mulheres empreendedoras afetadas pelas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, unindo tecnologia e reconstrução econômica.

Em parceria com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, o BRDE, e o Regenera RS, a iniciativa já selecionou 50 participantes para receber mentorias. A proposta é criar uma trilha de capacitação para que essas empreendedoras retomem seus negócios com mais segurança, estrutura e confiança.

Esse tipo de ação ajuda a mostrar que inclusão feminina em tecnologia não depende apenas de discurso. Ela exige investimento contínuo, formação, redes de apoio e oportunidades reais para que mais mulheres possam entrar no setor, permanecer nele e alcançar posições de liderança.

O avanço existe, mas ainda está longe do ideal. Na sua opinião, o que falta para que mais mulheres consigam crescer na tecnologia sem enfrentar tantas barreiras no caminho? Deixe seu comentário e participe do debate.


Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Tags: | |

Sobre o Autor

Ana Paula Araújo
Ana Paula Araújo

Ana Paula Araújo escreve diariamente sobre o mercado de trabalho, mantendo os leitores informados sobre vagas de emprego e concursos públicos, especialmente nas modalidades Home Office e Híbridas.

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x