Mulher identifica golpe em falsa vaga de emprego, suspeito responde com ‘feliz carnaval’ e caso reacende alerta para fraudes que cobram taxa e recrutam por WhatsApp
Relato divulgado pelo G1 expõe um caso de golpe de falsa vaga com cobrança antecipada e deboche do criminoso, que encerrou a conversa com ‘feliz carnaval’. O episódio volta a acender o alerta sobre ofertas de trabalho fora de canais oficiais e pressões para pagamento via Pix.
Uma mulher percebeu que havia caído em um golpe de vaga de emprego depois de desconfiar de pedidos de pagamento e de respostas automáticas do suposto recrutador. Ao confrontar o contato, recebeu como resposta um deboche com a expressão ‘feliz carnaval’, sinalizando que a abordagem era criminosa. O caso foi relatado pelo G1, que destacou as táticas usadas para convencer vítimas a pagar taxas sob pretexto de seleção.
Segundo o relato, a abordagem começou por WhatsApp, com promessa de contratação rápida e ganhos acima da média. Em seguida, vieram os pedidos de ações imediatas, como preencher formulários externos e pagar uma taxa para ‘material’ ou ‘liberação’ de cadastro, sempre com senso de urgência.
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Autoridades classificam esse tipo de prática como estelionato, quando há promessa falsa para obter vantagem financeira. De acordo com a Polícia Civil, empresas sérias não condicionam entrevistas ou contratação ao pagamento de qualquer valor e tampouco realizam todo o processo apenas por aplicativos de mensagem sem verificação.
Este texto reúne os sinais mais comuns dessas fraudes e orientações de proteção, com base em informações do G1, de órgãos de defesa do consumidor e do setor financeiro. O objetivo é ajudar quem busca vagas de emprego a reconhecer armadilhas e saber como agir rapidamente.
Como a abordagem ocorreu e os sinais de alerta
Golpistas costumam iniciar contato com mensagens padronizadas, ofertas atrativas e promessas de início imediato. Em seguida, pressionam por respostas rápidas, pedem dados sensíveis e solicitam pagamento de taxa para supostos cursos, uniformes ou acesso à plataforma.
Outros sinais recorrentes incluem erros de português, e-mails genéricos sem domínio corporativo, perfis sem CNPJ verificável e links encurtados que levam a páginas fora do ar ou que imitam sites legítimos. A ausência de entrevista estruturada e o apelo para pagamento via Pix são alertas importantes.
O que dizem autoridades, especialistas e plataformas
De acordo com o G1, a vítima compartilhou as conversas para alertar outras pessoas e evidenciar o deboche do suspeito. O caso ilustra como criminosos exploram datas festivas e períodos de alta busca por trabalho para intensificar fraudes.
Segundo orientações públicas da Polícia Civil, a recomendação é registrar boletim de ocorrência e reunir provas como prints, comprovantes e links. A corporação reforça que empresas idôneas não cobram para agendar entrevistas e não exigem depósitos antecipados para liberar processos.
Órgãos de defesa do consumidor, como o Procon-SP e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), alertam que a cobrança de taxa de recrutamento é prática abusiva e que o candidato deve sempre checar o CNPJ e o histórico da empresa. Também orientam a desconfiar de ofertas que prometem ganhos desproporcionais com pouca qualificação.
O Banco Central informa que, em casos de transferência indevida por fraude, é possível acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix por meio do banco, preferencialmente logo após a transação. A medida não garante recuperação do valor, mas aumenta as chances ao congelar recursos na conta recebedora.
Entidades do setor bancário, como a Febraban, reforçam que golpistas exploram a urgência e a promessa de lucro rápido. A orientação é verificar fontes oficiais das empresas, evitar clicar em links desconhecidos e nunca compartilhar códigos de verificação.
Como se proteger em processos seletivos e no WhatsApp
Verifique sempre o site e os canais oficiais da empresa, além do domínio de e-mail corporativo. Busque a vaga em plataformas reconhecidas e confirme se há anúncio correspondente no LinkedIn, no portal da empresa ou no Sine e serviços públicos de intermediação de mão de obra.
Não envie documentos pessoais completos antes de uma etapa formal e nunca pague taxa de inscrição, material ou treinamento. Se houver pedido de Pix, boleto ou gift card, interrompa o contato e faça uma checagem independente pelo telefone oficial da empresa.
No WhatsApp, habilite verificação em duas etapas, desconfie de mensagens com erros e promessas de ganhos fáceis e utilize o recurso de denunciar e bloquear. Procure sinais de identidade corporativa verificável, como assinaturas profissionais e páginas institucionais ativas.
Principais sinais de vaga falsa
Promessa de contratação imediata sem entrevista estruturada e insistência em pagamento antecipado por qualquer motivo. Urgência exagerada e ameaça de perder a vaga se não agir em minutos.
Contato apenas por aplicativos de mensagem, ausência de CNPJ válido e e-mails sem domínio corporativo. Links encurtados que levam a páginas suspeitas ou que pedem login de outras contas.
Erros grosseiros de gramática, valores fora da realidade e pedido de Pix para liberar cadastro, uniforme ou curso. Falta de referências verificáveis sobre a empresa.
O que fazer ao cair em golpe e como reunir provas
Guarde prints das conversas, comprovantes de pagamento e endereços dos links utilizados. Registre B.O. na delegacia ou na delegacia eletrônica e acione seu banco imediatamente para tentar o MED do Pix, conforme orientações do Banco Central e da Febraban.
Procure o Procon local e registre reclamação na Senacon para contribuir com a fiscalização. Bloqueie e denuncie o contato no WhatsApp, avise familiares e amigos e publique um alerta em canais confiáveis para evitar novas vítimas.
Queremos ouvir você. Já recebeu oferta de trabalho por WhatsApp com pedido de taxa ou pressa incomum para pagamento? Deixe um comentário e conte quais sinais chamaram sua atenção e que outras medidas de proteção você recomenda.
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