Criação de 36.288 vagas formais no campo em janeiro confirma peso do agro no emprego, com Sul à frente, Vacaria líder e soja e maçã em alta
Saldo positivo no campo em janeiro, mas abaixo de anos recentes e concentrado em culturas sazonais e regiões específicas
O mercado de trabalho rural abriu 36.288 empregos formais em janeiro, de acordo com a Confederação Nacional de Municípios (CNM). O agro respondeu por três em cada dez vagas criadas no país no período, com 246.259 admissões e 209.971 desligamentos registrados.
Apesar do avanço, o resultado ficou aquém dos anos anteriores. Em janeiro de 2025, o saldo foi de 54.673 postos formais, enquanto em janeiro de 2024 foram 39.466 vagas. Os dados constam do Informativo Emprego no Campo, que consolida a movimentação do setor.
Veja também
A abertura de vagas foi sustentada por culturas sazonais e pela agroindústria, com destaque para maçã, soja e processamento de fumo. Ao mesmo tempo, segmentos como laranja e conservas de frutas reduziram o quadro de trabalhadores formais no mês.
Saldo de 36.288 empregos em janeiro, participação elevada do agro no país
Segundo a CNM, o agro vem sustentando uma fatia importante do emprego formal no Brasil. Desde 2022, o setor responde por cerca de 32,3% das vagas formais criadas no país, reforçando o papel anticíclico do campo.
No recorte de janeiro, agropecuária e agroindústria concentraram aproximadamente 80% das admissões do setor. O desempenho indica captação intensa de mão de obra em fases de plantio, colheita e processamento, com impacto direto nas regiões produtoras.
Cidades e regiões que mais contrataram, com destaque para o Sul e Centro-Oeste
Entre os municípios com maior saldo, Vacaria (RS) liderou com 6.200 vagas abertas, seguida por Santa Cruz do Sul (RS), com 1.500, e Bom Jesus (RS), com 1.200. O avanço foi impulsionado sobretudo pelas cadeias da maçã e do fumo, que atraem contratações sazonais e especializadas.
Regionalmente, o Sul apresentou o maior crescimento, com cerca de 21.700 vagas criadas, sustentado pela colheita e beneficiamento de maçã. O Centro-Oeste registrou 16.700 novos empregos, com a expansão da cultura da soja puxando as admissões.
As regiões Sudeste e Norte também avançaram, com saldos de 1.800 e 1.100 vagas, respectivamente. Já o Nordeste teve saldo negativo de aproximadamente 4.400 postos, pressionado pela retração na cultura de açúcar.
Na lista dos estados, o Rio Grande do Sul liderou com 14.300 vagas, seguido por Mato Grosso com 11.600. O desempenho confirma a relevância das frentes agrícolas e agroindustriais dessas áreas no início do ano.
Atividades que puxaram as contratações, soja e maçã lideram com apoio do fumo
A soja foi a atividade que mais gerou empregos, somando cerca de 9.300 vagas distribuídas em 1.139 municípios. A maçã respondeu por aproximadamente 9.000 postos em 34 cidades, refletindo o pico da safra e a necessidade de mão de obra para colheita e seleção.
O processamento de fumo criou cerca de 2.900 empregos em 15 municípios, fortalecendo a base fabril ligada ao campo. Outras atividades do cultivo agrícola, da colheita, do abate de aves e da produção de couro adicionaram cerca de 6.100 vagas ao saldo.
O conjunto dessas cadeias mostra a força da agricultura e da agroindústria em fases críticas do calendário produtivo. A demanda por trabalhadores tende a se concentrar em janelas específicas, o que explica movimentos fortes de contratação.
Quedas concentradas em laranja, conservas e serviços de apoio, impacto no Nordeste
Alguns segmentos fecharam vagas e amorteceram o resultado do mês. A produção de laranja perdeu cerca de 2.100 postos em 329 municípios, e a indústria de conservas de frutas recuou aproximadamente 1.600 vagas em 309 cidades.
Também houve queda de cerca de 1.200 postos em serviços de apoio à agricultura, espalhada por 1.401 municípios. Essa combinação contribuiu para o saldo negativo no Nordeste, sobretudo nas áreas ligadas ao açúcar.
Municípios pequenos na dianteira, perfil das admissões e papel da agroindústria
Os pequenos municípios foram protagonistas na criação de vagas. Eles responderam por cerca de 60% do total, algo em torno de 21.900 postos, enquanto os de maior porte registraram um saldo negativo de 481 empregos.
No total, houve movimentação em 4.730 municípios do mercado rural. Desses, 2.286 registraram expansão do emprego e 2.125 tiveram redução, um quadro que espelha as diferenças de calendário e de cadeias produtivas.
Na divisão por porte populacional, os municípios pequenos concentraram mais da metade das admissões do setor, com cerca de 124.700 contratações, equivalentes a 50,6% do total. O ritmo reforça a capilaridade do agro no interior do país.
O peso da agropecuária e da agroindústria nas admissões, próximo de 80%, sinaliza que lavouras, processamento e beneficiamento seguem alimentando a base formal de empregos. A combinação entre produção no campo e indústria associada amplia oportunidades locais.
Esse dinamismo ajuda a distribuir renda e sustentar o comércio regional, especialmente em localidades menores. Mesmo com oscilações setoriais, o efeito multiplicador permanece relevante no curto prazo.
Comparação com anos anteriores, recuo frente a 2025 mas relevância mantida
O saldo de 36.288 vagas em janeiro ficou abaixo dos 54.673 postos de janeiro de 2025 e também inferior aos 39.466 de janeiro de 2024. Segundo a CNM, trata-se de uma queda de 33,6% na comparação com 2025, mas o setor segue com contribuição expressiva ao emprego formal.
De acordo com a CNM, desde 2022 o agro tem sido responsável por cerca de 32,3% das vagas formais abertas no país. O desempenho de estados como Rio Grande do Sul e Mato Grosso corrobora essa trajetória, com saldos de 14.300 e 11.600 vagas, respectivamente.
Como você avalia o saldo de 36.288 vagas e a concentração regional dessas contratações no campo? Quais fatores locais mais influenciam as oportunidades formais onde você vive? Deixe seu comentário e participe do debate.
Sobre o Autor
0 Comentários