Inflação perde força nas expectativas do mercado, projeção cai pela quinta semana seguida e reforça aposta em juros menores ao longo de 2026

Fachada do Banco Central do Brasil em Brasília com gráfico de linha indicando queda da inflação
Mercado reduz a projeção do IPCA pela quinta semana, segundo o Boletim Focus do Banco Central
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Mercado revisa para baixo a previsão do IPCA pela quinta semana seguida, sinal de expectativas mais ancoradas

O mercado financeiro voltou a reduzir a projeção de inflação e já soma a quinta semana seguida de queda nas expectativas para o IPCA. O movimento, registrado na pesquisa semanal Boletim Focus do Banco Central do Brasil (BCB), reforça a leitura de que o processo de desinflação ganhou tração no início de 2026.

As revisões acompanham sinais recentes de desaceleração em preços monitorados pelo IBGE, além de alguma estabilidade no câmbio e arrefecimento de choques de custos. A leitura dominante é de que, com a inflação corrente mais comportada, as projeções tendem a se aproximar da meta.

Esse alívio nas expectativas ajuda a ancorar o cenário em torno da meta contínua de 3% ao ano, com banda de 1,5 ponto percentual, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 2023. Na prática, uma inflação esperada mais baixa pode abrir espaço para juros mais baixos ao longo do ano, caso o quadro de preços siga melhorando.

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O Boletim Focus consolida projeções coletadas até a sexta-feira e é divulgado às segundas-feiras pelo BCB. Na edição mais recente, na primeira quinzena de fevereiro de 2026, a pesquisa confirmou a nova rodada de cortes nas estimativas, mantendo a sequência de quedas semanais.

Boletim Focus, o que mudou nas expectativas de inflação

Segundo o Banco Central, as medianas para o IPCA em diferentes horizontes — do ano corrente ao longo prazo — voltaram a recuar. A queda disseminada, tanto no curto quanto no médio prazo, sugere um ambiente de expectativas mais ancoradas e menor incerteza inflacionária.

Além do índice cheio, a atenção recai sobre os núcleos de inflação e a inflação de serviços, acompanhados por IBGE e discutidos nas comunicações do BCB. Quando essas medidas tendem a ceder, o mercado ganha confiança de que a desinflação é mais persistente e menos dependente de choques pontuais.

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Outro ponto monitorado é a distância entre expectativas de curto e longo prazo. Com a quinta queda semanal, essa diferença diminuiu, leitura que, de acordo com o BCB, contribui para calibrar a política monetária e reduzir prêmios de risco na curva de juros.

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IPCA e preços administrados, efeitos sobre consumo e crédito

Itens como combustíveis e energia influenciam as projeções por meio dos chamados preços administrados, sensíveis a decisões regulatórias e condições externas. Menos volatilidade nesses componentes costuma reduzir a dispersão das expectativas e facilitar o trabalho do Copom.

Inflação mais baixa também tende a melhorar a renda real e as condições de crédito, com impacto sobre o consumo e o investimento. Isso ajuda a sustentar a atividade sem pressionar excessivamente os preços, desde que o processo de desinflação seja consistente.

Juros e Selic, como o Copom lê a queda das expectativas

O Copom considera as expectativas de inflação um insumo central. Quando elas convergem para a meta e se mantêm estáveis, a autoridade monetária normalmente enxerga maior espaço para reduzir a Selic de forma gradual e responsável, como o próprio BCB costuma destacar em atas e comunicados.

O ritmo de cortes, porém, depende de um conjunto amplo de informações, incluindo atividade, mercado de trabalho e o cenário internacional. De acordo com o BCB, a avaliação é sempre de balanço de riscos, ponderando o que favorece a desinflação e o que pode reverter a tendência.

Questões fiscais também pesam na formação das expectativas, pois influenciam prêmios de risco e o câmbio. Segundo o Ministério da Fazenda, a execução do arcabouço fiscal contribui para ancorar projeções e sustentar juros menores de forma sustentável, reduzindo incertezas no horizonte relevante.

Ainda que a queda das expectativas seja uma notícia positiva, a inflação de serviços e a chamada inércia pedem cautela. O Copom costuma enfatizar a necessidade de evidências adicionais de convergência, evitando movimentos que comprometam a volta da inflação à meta.

No mercado, a curva de juros futuros costuma reagir a esse tipo de sinal, com redução de prêmios quando a ancoragem ganha força. Isso ajuda a baratear o custo do crédito e melhora as condições financeiras, reforçando o ciclo de desinflação.

Cenário para câmbio e atividade, riscos que podem inverter a trajetória

No exterior, oscilações das commodities e decisões de grandes bancos centrais, como o Federal Reserve, podem mexer com o dólar e, por tabela, com a inflação doméstica. Organismos como o FMI alertam que a volatilidade global segue elevada, o que exige prudência na leitura dos dados.

No front interno, choques climáticos que afetem alimentos, eventuais reajustes de preços administrados e dúvidas fiscais podem reaquecer as projeções. Esses fatores compõem o conjunto de riscos monitorados pelo mercado e pelo BCB semana a semana.

No cenário base, a combinação de expectativas em queda, câmbio relativamente estável e uma atividade moderada favorece o processo de desinflação. O IBGE acompanha a evolução do PIB e do emprego, variáveis que ajudam a dimensionar pressões de demanda e a calibrar a política monetária.

O que observar nos próximos dados, calendário e indicadores

Para confirmar a tendência, o foco recai sobre o IPCA e o IPCA-15 do IBGE, além do Boletim Focus de cada segunda-feira. Leituras consistentes de núcleos mais baixos e serviços em desaceleração, somadas a comunicações do BCB, tendem a consolidar a narrativa de inflação em rota benigna.

Ao longo de fevereiro e março de 2026, o calendário de inflação, atividade e as próximas decisões do Copom serão determinantes para o ritmo da Selic. Se os dados seguirem favoráveis, o mercado deve manter a precificação de juros mais baixos, com expectativas bem ancoradas perto da meta.

Qual a sua avaliação sobre essa quinta queda seguida das expectativas de inflação no Focus? Você vê espaço para acelerar os cortes da Selic ou acha que ainda é cedo diante dos riscos fiscais e externos? Deixe seu comentário e participe do debate, especialmente se discordar do consenso do mercado.

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Sobre o Autor

Geovane Souza
Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No blog, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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