Medo de perder espaço no trabalho dispara no Brasil, enquanto avanço da inteligência artificial acelera mudanças em áreas já expostas

Profissional em escritório observa gráficos e tela de computador durante mudanças no mercado de trabalho
Transformações no trabalho já pressionam funções repetitivas e administrativas
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Pesquisa revela temor recorde entre brasileiros e mostra como a transformação do mercado já afeta funções administrativas, atendimento e tecnologia

O medo de perder espaço para novas tecnologias já faz parte da rotina de muitos profissionais no Brasil. Um levantamento do PageGroup mostra que 76,6% dos brasileiros acreditam que a inteligência artificial pode substituir seus empregos, ao menos em parte.

Esse é o maior índice entre os sete países latino-americanos analisados, à frente de Panamá, México, Peru, Colômbia, Chile e Argentina. O dado ajuda a explicar por que a discussão sobre automação, qualificação profissional e futuro do trabalho ganhou tanta força em 2024 e 2025.

O receio não aparece apenas entre trabalhadores da tecnologia. Áreas administrativas, suporte ao cliente, programação básica, redação técnica e análise de dados simples já estão entre as mais pressionadas por sistemas automatizados.

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Ao mesmo tempo, o cenário não aponta apenas para cortes. Especialistas avaliam que a transformação do mercado também abre espaço para quem aprende a usar novas ferramentas e desenvolve competências humanas menos substituíveis.

O que está por trás do medo dos brasileiros diante da automação e por que esse sentimento não é visto como exagero

A preocupação tem base concreta. A Organização Internacional do Trabalho estima que cerca de 37 milhões de brasileiros atuam em ocupações com potencial de impacto direto da inteligência artificial generativa.

Isso não significa desaparecimento em massa de vagas no curto prazo. A estimativa é que apenas entre 2% e 5% dos empregos devam ser totalmente eliminados, mas a maior parte das funções tende a passar por mudanças relevantes na forma de execução.

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A especialista em desenvolvimento humano e organizacional Dilze Percílio avalia que parte dos profissionais ainda não percebeu a dimensão dessa mudança. Na prática, isso ajuda a explicar por que muitos só identificam o impacto quando já enfrentam redução de espaço, reestruturações ou perda de competitividade.

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Quais profissões e setores estão mais expostos nesta fase de transformação acelerada do mercado de trabalho

O especialista em desenvolvimento humano Jorge Matos, mestre em gestão de negócios pela FGV e CEO da Etalent, afirma que o medo da obsolescência já aparece com clareza no mercado. Ele aponta impactos em processos seletivos e em funções nas quais a tecnologia já oferece soluções consolidadas, como editoração de texto, design e contabilidade.

Na avaliação dele, tarefas repetitivas e padronizadas são as primeiras da fila quando o assunto é automação. Esse perfil aparece com frequência em funções administrativas, rotinas de atendimento e trabalhos operacionais guiados por regras fixas.

Hoje, alguns setores já sentem essa pressão de forma mais forte. Entre eles estão áreas ligadas à tecnologia, especialmente em atividades mais básicas de programação, além de suporte ao cliente e funções administrativas de apoio.

Também entram no radar atividades analíticas mais previsíveis, como redação técnica e análise de dados simples. A tendência, porém, é de expansão para o setor jurídico, saúde, biotecnologia, mídia, contabilidade e finanças.

Esse avanço ajuda a explicar por que o tema passou a preocupar profissionais de várias formações. Não se trata mais de uma mudança restrita às empresas digitais ou às grandes multinacionais.

Por que adaptação, fluência digital e habilidades humanas devem pesar mais na empregabilidade dos próximos anos

Apesar do cenário de incerteza, os especialistas não tratam a transformação como uma sentença única de perda. Dilze Percílio destaca que, enquanto algumas pessoas perdem postos de trabalho, outras conseguem se reposicionar e até ganham relevância nas relações profissionais.

Jorge Matos defende que, em momentos de instabilidade, a adaptação vira diferencial competitivo. Para ele, o profissional que prospera é aquele que se torna fluente no uso da inteligência artificial e passa a utilizá-la como parceira estratégica no dia a dia.

Esse movimento envolve mais do que dominar ferramentas. Também exige aprendizado contínuo, repertório para interpretar mudanças e capacidade de revisar a própria carreira com rapidez.

No mercado de trabalho em transformação, características humanas ganham peso extra. Inteligência emocional, criatividade e visão de impacto passam a ser habilidades centrais para manter relevância profissional.

Como o trabalhador pode reagir agora sem paralisar a carreira diante do avanço das novas tecnologias

O cenário atual mostra que o maior risco pode estar em ignorar a mudança. Quem espera uma volta ao modelo anterior tende a encontrar mais dificuldade para disputar vagas e acompanhar novas exigências das empresas.

Por isso, buscar atualização deixou de ser um diferencial e passou a ser parte da sobrevivência profissional. Cursos de Excel, ferramentas digitais, automação e plataformas de produtividade entram nesse pacote de adaptação, assim como formações voltadas ao uso de chatbots e assistentes inteligentes.

Também vale acompanhar a cobertura diária sobre carreira e mercado de trabalho por canais especializados, como Inscreva-se no canal do Terra. Informação rápida e confiável ajuda o trabalhador a reagir antes que a mudança chegue de forma mais dura.

O mercado não está fechado para pessoas, mas está cada vez menos tolerante à estagnação. Em vez de disputar espaço apenas com máquinas, o desafio agora é aprender a trabalhar melhor com elas.

E na sua área, a transformação já começou a aparecer no dia a dia? Deixe seu comentário e conte se o avanço das novas tecnologias tem gerado preocupação, oportunidade ou necessidade de recomeço na sua carreira.


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Sobre o Autor

Ana Paula Araújo
Ana Paula Araújo

Ana Paula Araújo escreve diariamente sobre o mercado de trabalho, mantendo os leitores informados sobre vagas de emprego e concursos públicos, especialmente nas modalidades Home Office e Híbridas.

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