Tensão no Oriente Médio cresce com deslocamento do USS Gerald R. Ford, maior porta-aviões do mundo é visto em Gibraltar e deve reforçar frota dos EUA perto do Irã
Movimento do maior porta-aviões do mundo eleva alerta militar no entorno do Irã
O USS Gerald R. Ford, o maior porta-aviões do mundo, foi avistado na sexta-feira (20) navegando em águas próximas a Gibraltar, a caminho da Ásia Ocidental. Imagens divulgadas em redes sociais alimentaram a percepção de que os Estados Unidos elevam o grau de prontidão na região, com possibilidade de ação militar contra o Irã, segundo noticiado pelo InfoMoney com base em fontes internacionais.
A expectativa é que o Gerald R. Ford se junte ao USS Abraham Lincoln, que já está posicionado no Mar Arábico. De acordo com as informações, o Lincoln opera a aproximadamente 150 a 300 milhas da costa de Omã, cobertura que amplia o alcance naval americano nas rotas estratégicas do Golfo.
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Segundo o site Politico, quando o Gerald R. Ford e seus três contratorpedeiros de escolta chegarem à área, os EUA terão reunido 17 navios de guerra na região. Esse número representa uma fração relevante da frota de 68 navios em operação em águas internacionais, conforme dados do Instituto Naval dos EUA citados pela publicação.
Como comparação histórica, o Politico lembrou que cerca de 14 navios estavam no Caribe pouco antes da operação na Venezuela para capturar Nicolás Maduro. O paralelo dá dimensão do esforço logístico atual no entorno do Irã.
Frota dos EUA no Mar Arábico e distâncias estratégicas até Omã
O posicionamento a 150 a 300 milhas de Omã permite rápida projeção de poder aéreo e marítimo sobre gargalos como o Estreito de Ormuz e rotas no Golfo de Omã. A chegada do Gerald R. Ford ao teatro somaria capacidade de decolagens simultâneas e maior volume de aeronaves em prontidão.
De acordo com o Instituto Naval dos EUA, o pacote de 17 navios de guerra indica mobilização acima do padrão recente para aquela área. A presença combinada com o USS Abraham Lincoln fortalece a cobertura de patrulha, escolta e interdição, ampliando a margem de dissuasão.
Indícios de preparação para guerra na região do Golfo
Além do reforço naval, há sinais adicionais de preparação. Um relatório do The New York Times citou a evacuação de centenas de tropas da Base Aérea de Al Udeid, no Catar, e da Quinta Frota da Marinha dos EUA, no Bahrein. Esses movimentos costumam ocorrer para proteger pessoal diante de cenários de escalada.
Segundo o NYT, o redesenho do efetivo e a concentração de meios no Mar Arábico formam um quadro coerente com preparação para conflito. A medida reforça a capacidade de resposta imediata e a segurança de bases críticas.
Com o USS Gerald R. Ford a caminho e o USS Abraham Lincoln já em posição, a Marinha dos EUA sinaliza que pretende manter janelas de operação simultâneas, algo que eleva o poder de dissuasão e de ataque caso necessário.
Custos da operação militar e pressão orçamentária
Nos Estados Unidos, cresce a preocupação com o custo dessa mobilização. O site Politico citou estimativa de Elaine McCusker, ex-controller do Pentágono e atualmente no American Enterprise Institute, de que a capacidade militar adicionada à região desde o fim de dezembro já custou entre US$ 350 milhões e US$ 370 milhões. O Pentágono não comentou os valores.
Segundo McCusker, o principal motor de custos é o movimento e a operação das forças navais. Entram na conta o consumo de combustível, o tempo de trânsito, as operações da tripulação e o fato de deslocar navios mais longe ou mais rápido do que o originalmente planejado.
Especialistas lembram que, em condições normais, custa cerca de US$ 1 bilhão por ano manter e implantar um grupo de ataque de porta-aviões. Se dois porta-aviões permanecerem na mesma região por período prolongado, a fatura tende a se acumular e pressionar o orçamento de defesa.
O USS Abraham Lincoln, hoje no Golfo de Omã, foi retirado em janeiro de uma missão no Pacífico. A realocação acrescenta custos extras, em especial quando há mudanças de rota e de velocidade para atender a prazos estratégicos.
De acordo com o Instituto Naval dos EUA, a escala atual de navios em águas internacionais já é elevada. Somar o Gerald R. Ford e seus escoltas à malha no Mar Arábico amplia a presença dos EUA, mas também intensifica o desafio logístico e financeiro.
Quanto custa manter um grupo de ataque
Além do gasto anual de cerca de US$ 1 bilhão, operações de surge — quando um navio é redirecionado ou acelerado — elevam custos por hora navegada e complexidade de manutenção. Esse padrão foi citado pela estimativa do AEI reproduzida pelo Politico.
Em termos de prontidão, o preço compra capacidade de resposta e dissuasão em áreas sensíveis como o Estreito de Ormuz. Porém, a sustentabilidade financeira depende de quanto tempo a dupla de porta-aviões permanecerá no teatro de operações.
O que a chegada do Gerald R. Ford pode sinalizar
A presença do USS Gerald R. Ford perto do Irã adiciona um patamar superior de poder aéreo embarcado e controle do espaço marítimo. Segundo o Politico, com 17 navios de guerra na região, o recado estratégico é claro e visa elevar a pressão diplomática e militar.
Enquanto isso, a movimentação de tropas citada pelo The New York Times e o posicionamento do USS Abraham Lincoln no Mar Arábico compõem um quadro de escalação controlada. O desfecho dependerá de decisões políticas e da evolução das tensões com Teerã.
O avanço do maior porta-aviões do mundo reabre o debate sobre custo, risco e benefício de uma presença prolongada no Golfo. Acompanhar a evolução dessa frota e os sinais de descompressão ou escalada será decisivo para entender os próximos passos dos EUA na região.
Qual a sua avaliação sobre o envio do Gerald R. Ford e o acúmulo de 17 navios perto do Irã — dissuasão necessária ou escalada perigosa e cara? Deixe seu comentário e participe do debate, sobretudo sobre o custo e a eficácia dessa estratégia naval.
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