Lula afirma que não é preciso guerra fria nem guerras tarifárias entre China e EUA e propõe reforço ao diálogo no Brics e comércio além do dólar
Na Índia, Lula rejeita escalada entre China e Estados Unidos e defende respeito territorial e cooperação econômica
Em entrevista ao canal indiano India Today, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o mundo não precisa de uma nova guerra fria entre China e Estados Unidos, nem de guerras tarifárias. Segundo o InfoMoney, as declarações foram dadas durante viagem oficial à Índia, onde Lula cumpre agenda com lideranças globais em Nova Délhi.
O presidente reforçou a necessidade de que as nações respeitem a soberania e o território de outros países e que diferenças geopolíticas sejam tratadas com diálogo. Para Lula, a prioridade deve ser reduzir tensões e construir bases novas de cooperação econômica.
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Sem nova guerra fria e sem guerras tarifárias
Lula rejeitou a volta de um ambiente de bipolarização como o da segunda metade do século passado. Em suas palavras, o Brasil não quer repetir uma lógica de confronto entre potências e, por isso, defende um caminho assentado no respeito e em instituições capazes de mediar conflitos.
Ele também criticou a escalada de barreiras comerciais. O presidente afirmou que guerras tarifárias fragilizam cadeias de valor, encarecem produtos e prejudicam empregos. Para Lula, países devem buscar soluções negociadas para disputas comerciais, a fim de preservar a estabilidade e o crescimento.
Brics, moeda comum e transações além do dólar
Questionado sobre o Brics, Lula disse que o bloco vem explicitando posições contrárias a conflitos armados, citando Rússia e Ucrânia e a crise na Faixa de Gaza. Ele frisou que não está em discussão a criação de uma moeda do Brics neste momento, mas defendeu o debate sobre mecanismos de transação que reduzam a dependência do dólar.
De acordo com a entrevista, Lula afirmou que a ideia de uma moeda única do Brics foi ventilada por americanos durante a gestão Biden, e não por proposta formal do próprio bloco. O presidente disse ainda que um eventual acordo entre Brasil e Índia não precisa ser lastreado no dólar, e que qualquer mudança nesse sentido ocorrerá de forma gradual, “não do dia para a noite”.
Agenda na Índia e debate sobre inteligência artificial
Lula está na Índia em agenda que começou na quarta-feira, 18, com retorno previsto para sábado, 21. Em Nova Délhi, ele participou, ao lado de líderes como o primeiro-ministro indiano Narendra Modi e o presidente da França Emmanuel Macron, da Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial.
Nesse encontro, o presidente defendeu que o Sul Global tenha lugar à mesa de decisões sobre regulação de novas tecnologias, para garantir inovação com segurança e inclusão. Segundo o InfoMoney, Lula viajou com ministros e empresários, destacando o interesse do Brasil em aprender com a indústria indiana e compartilhar experiências produtivas.
O governo avalia que há espaço para cooperação em áreas como tecnologia da informação, saúde, energia e manufatura avançada. A leitura no Planalto é que a Índia se consolidou como polo de inovação e, por isso, parcerias podem acelerar produtividade e gerar empregos qualificados.
Relação com os Estados Unidos e tarifa de 50 por cento
Na mesma entrevista, Lula afirmou que, assim que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros em julho passado, o governo brasileiro se reuniu para contestar a medida. De acordo com o InfoMoney, Lula classificou a decisão como incorreta e defendeu respostas via diálogo e canais diplomáticos.
Ao criticar barreiras, o presidente reforçou que disputas comerciais se resolvem melhor por meio de entendimento e previsibilidade de regras. Para ele, medidas unilaterais desorganizam mercados, afetam exportadores e consumidores e, no limite, alimentam a retórica de confronto que ele busca evitar.
Respeito territorial e saída pela diplomacia
Lula reiterou a defesa do respeito à integridade territorial como princípio basilar das relações internacionais. Segundo ele, essa é a base para qualquer construção de confiança mútua e para uma ordem mundial mais estável.
Ao recusar uma “nova guerra fria” e guerras tarifárias, o presidente coloca o Brasil no campo do multilateralismo e do comércio aberto, com salvaguardas e regras claras. A aposta é que a diplomacia econômica, somada a acordos regionais e setoriais, promova crescimento sem alimentar rivalidades sistêmicas.
O que você acha da posição de Lula ao rejeitar guerras tarifárias e a volta de uma disputa global entre potências? A ideia de ampliar transações fora do dólar fortalece a autonomia do Brasil ou cria novos riscos para a economia? Deixe sua opinião nos comentários e participe do debate.
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