Ipea afirma que mercado de trabalho brasileiro tem fôlego para absorver o fim da escala 6×1, com ajustes graduais e sem impacto amplo no emprego
Estudo do Ipea indica espaço para mudança na jornada, com transição negociada e foco em produtividade
O Ipea avaliou que o mercado de trabalho brasileiro tem condições de absorver o fim da escala 6×1 sem provocar uma onda generalizada de demissões. A conclusão considera ajustes de organização de turnos, ganhos de produtividade e negociação coletiva.
Segundo o instituto, o impacto tende a variar por setor, mas pode ser mitigado por reescala de equipes, horas extras controladas e contratação pontual. A avaliação dialoga com discussões em curso sobre jornada e descanso semanal remunerado no país.
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O tema envolve custos trabalhistas, dinâmica de demanda nos fins de semana e regras de trabalho aos domingos. Para o Ipea, uma transição gradual e acordos setoriais são caminhos para reduzir fricções na implantação.
O que o Ipea diz sobre a escala 6×1 e por que o efeito pode ser limitado
De acordo com o Ipea, a extinção da escala 6×1 tende a gerar um custo de ajuste concentrado em atividades com forte pico de demanda aos fins de semana, como comércio e serviços. Ainda assim, o instituto considera que a economia tem capacidade de realocação de mão de obra e de reorganização de jornadas.
O raciocínio combina três elementos principais, segundo o órgão de pesquisa econômica do governo federal. Primeiro, há margem de produtividade e gestão de escalas; segundo, há espaço para negociação coletiva por setor; e terceiro, o emprego formal mostrou recuperação recente, o que amplia a absorção de mudanças.
Como funciona hoje a escala 6×1 e quais normas se aplicam
Pela CLT e pela Lei 605/1949, o repouso semanal remunerado é obrigatório e deve ser preferencialmente aos domingos, permitindo escalas alternadas conforme a atividade. A escala 6×1 é um arranjo comum, sobretudo no varejo e em parte dos serviços, com seis dias de trabalho e um de folga.
Normas do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e acordos coletivos definem como se dá o trabalho aos domingos e feriados em cada segmento. Essas regras foram atualizadas nos últimos anos, reforçando a importância da negociação setorial e da compensação adequada.
Em linhas gerais, mudanças na jornada precisam respeitar limites legais de horas, intervalos e descanso, além de eventuais pisos previstos em convenções coletivas. É nesse ambiente regulado que um eventual fim do 6×1 seria implementado, com salvaguardas para trabalhadores e empresas.
Emprego, custos e preços, o que esperar com o fim do 6×1
Segundo o Ipea, os impactos imediatos dependeriam da intensidade de demanda nos fins de semana e do grau de automação de cada atividade. Em setores com atendimento contínuo, a tendência é de reorganização de turnos e de um uso mais eficiente de equipes, com contratações pontuais onde houver gargalo.
Do lado dos custos, pode haver alta temporária com horas extras ou reforço de quadro, mas parte tende a ser absorvida por ganhos de produtividade e por ajustes no mix de horários de funcionamento. O instituto avalia que efeitos em preços seriam setoriais e difusos, não necessariamente generalizados.
Dados do IBGE mostram que a taxa de desocupação ficou abaixo de 8% em parte de 2024, sugerindo um mercado mais apertado que o observado na pandemia. Em cenário assim, a realocação de trabalhadores e a formalização em jornadas padronizadas podem ocorrer sem ruptura ampla.
Setores mais sensíveis e possibilidades de exceção por necessidade contínua
Atividades de saúde, transporte, energia, limpeza urbana e indústria contínua têm especificidades operacionais. Nesses casos, o Ipea pondera que regras de escala diferenciada e compensações podem ser mantidas por meio de negociação coletiva, respeitando o descanso semanal.
No comércio e em parte dos serviços, onde a escala 6×1 é mais difundida, o efeito tende a ser maior no curto prazo. A experiência internacional, citada pelo Ipea, indica que reorganizações de turnos e abertura em janelas de maior demanda ajudam a diluir o impacto.
Transição, negociação coletiva e fiscalização, passos-chave para uma mudança segura
Para o Ipea, uma transição faseada reduz custos de adaptação. A recomendação é priorizar acordos setoriais que definam folgas rotativas, limites de horas extras e eventuais adicionais, com acompanhamento de comissões bipartites.
O MTE e a fiscalização trabalhista têm papel central em dar previsibilidade e coibir abusos. A clareza de regras e a divulgação de orientações técnicas evitam litígios e aumentam a segurança jurídica para empresas e trabalhadores.
Outro ponto é investir em gestão de pessoas e planejamento de demanda. Ferramentas de escala, banco de horas dentro dos limites legais e treinamento podem elevar a produtividade e compensar parte do custo da mudança de jornada.
O que observar nos próximos meses, indicadores e calendário de negociação
Empresas e sindicatos devem acompanhar rodadas de negociação e possíveis ajustes normativos do MTE. Pontos de atenção incluem cronogramas de implantação, indicadores de emprego por setor e variações de custos operacionais.
Segundo o Ipea, o monitoramento de dados de ocupação, horas habitualmente trabalhadas e massa salarial ajuda a medir o efeito real da mudança. A transparência nessas métricas facilita correções de rota e sustenta decisões baseadas em evidências.
Queremos ouvir você. Em sua opinião, o fim da escala 6×1 melhora a qualidade de vida sem prejudicar o atendimento e o emprego em seu setor? Deixe um comentário contando como a mudança poderia ser implementada na prática e quais salvaguardas deveriam constar na negociação coletiva.
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