Informalidade no emprego cai a 37,5 no trimestre até janeiro, menor nível desde 2020, com 38,5 milhões de trabalhadores e renda recorde no Brasil segundo o IBGE
Queda da informalidade alcança 37,5 no trimestre até janeiro de 2026, com 38,5 milhões de trabalhadores e renda em nível recorde segundo o IBGE
Em 05 de março de 2026, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de informalidade no mercado de trabalho chegou a 37,5% no trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026, o menor patamar desde julho de 2020. O percentual corresponde a cerca de 38,5 milhões de trabalhadores informais no país, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).
O resultado representa queda frente ao trimestre móvel anterior, quando a taxa foi de 37,8%, e recuo na comparação anual, ante os 38,4% verificados no mesmo período de 2024. O movimento reforça a redução gradual da informalidade observada nos últimos ciclos da pesquisa.
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Ao mesmo tempo, o rendimento real habitual de todos os trabalhos atingiu R$ 3.652, o maior valor da série histórica. O ganho equivale a alta de 2,8% ante o trimestre anterior e de 5,4% na comparação anual, de acordo com o IBGE.
Segundo Adriana Beringuy, coordenadora da pesquisa, a informalidade vem caindo desde 2022, com aceleração a partir de 2023. Ela lembra que a pandemia reduziu a informalidade de forma atípica em 2020, mas avalia que o momento atual indica o melhor cenário de qualidade do emprego na série do instituto.
Ritmo de formalização ganha força, impacto maior entre sem carteira e conta própria com CNPJ
De acordo com o IBGE, a retração recente da informalidade está associada sobretudo à diminuição dos empregados sem carteira no setor privado e ao aumento do registro dos trabalhadores por conta própria com CNPJ. Essa combinação melhora a qualidade dos vínculos e amplia a contribuição da formalização na ocupação total.
O número de trabalhadores do setor privado com carteira assinada alcançou 39,4 milhões, estável no trimestre e com alta de 2,1% em um ano, o que representa cerca de 800 mil novas vagas formais. Já os sem carteira somaram 13,4 milhões, estáveis no período, enquanto os por conta própria chegaram a 26,2 milhões, também estáveis no trimestre, mas com crescimento anual de 3,7% — aproximadamente 927 mil a mais.
Renda média sobe a R$ 3.652, maior da série, sustentada por empregos com melhores condições de formalização
O avanço do rendimento para R$ 3.652 reflete, segundo a Pnad Contínua, a manutenção de postos com melhores condições de formalização. De acordo com o IBGE, esse fator tem contribuído para preservar e ampliar a renda média da população ocupada.
Na comparação, a renda subiu 2,8% contra o trimestre anterior e 5,4% frente ao mesmo período de 2024. A melhora ocorre mesmo com a ocupação total estável, indicando que a composição do emprego vem favorecendo vínculos de maior proteção e remuneração.
Entre os grupos ocupacionais, os trabalhadores domésticos ficaram em 5,5 milhões, com estabilidade no trimestre e queda de 4,5% na base anual, redução de aproximadamente 257 mil pessoas. Essa recomposição também influencia a média de rendimentos do mercado de trabalho.
Setores que mais contrataram e os que encolheram, movimento desigual na economia
Houve avanço no número de ocupados no conglomerado de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas, com alta de 2,8% no trimestre — cerca de 365 mil pessoas a mais. O desempenho reforça a demanda por serviços especializados e atividades de suporte corporativo.
O grupamento de Outros Serviços também cresceu, com expansão de 3,5%, o equivalente a 185 mil novos trabalhadores. A variação positiva sugere recomposição de atividades voltadas a serviços pessoais e comunitários.
Na direção oposta, a indústria geral recuou 2,3% no número de ocupados, o que significa redução de cerca de 305 mil trabalhadores. O ajuste industrial contrasta com a resiliência observada em segmentos de serviços.
Na comparação anual, os setores de Informação e serviços profissionais cresceram 4,4%, mantendo tendência de alta mais disseminada em áreas intensivas em conhecimento. Esse avanço ajuda a ancorar ganhos de produtividade e de renda.
O grupamento de Administração Pública, Defesa, Seguridade Social, Educação, Saúde Humana e Serviços Sociais aumentou 6,2% em um ano, com acréscimo aproximado de 1,1 milhão de pessoas. Já os serviços domésticos apresentaram retração de 4,2% na mesma base de comparação.
População ocupada estável e composição melhora, efeitos sobre qualidade do emprego
A população ocupada permaneceu estável no período analisado, mas a parcela de trabalhadores informais caiu de forma proporcional. Com o recuo contínuo da informalidade, a base de empregos com proteção e contribuição previdenciária ganha espaço.
O menor nível de informalidade já observado na série foi em junho de 2020, quando o indicador chegou a 36,6%, em contexto atípico de paralisação econômica. Agora, com a atividade em funcionamento e a trajetória de queda desde 2022, a coordenação da pesquisa classifica o momento como o melhor cenário de qualidade do emprego na série do IBGE.
Como o IBGE mede o mercado de trabalho, abrangência da Pnad Contínua
A Pnad Contínua é a principal pesquisa sobre força de trabalho no Brasil. O levantamento cobre cerca de 211 mil domicílios distribuídos em aproximadamente 3.500 municípios, com a atuação de mais de 2 mil entrevistadores vinculados a mais de 500 agências do IBGE.
Durante a pandemia de covid-19, a coleta passou a ser feita por telefone a partir de março de 2020, com retorno ao formato presencial em julho de 2021. A combinação de abrangência e frequência garante indicadores com alta comparabilidade ao longo do tempo.
Como esses números aparecem no seu dia a dia no emprego ou no negócio próprio? A renda melhorou, ficou igual ou piorou no seu caso? Deixe um comentário e conte como a queda da informalidade tem afetado sua realidade no mercado de trabalho.
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