Indústria, construção e comércio cortam 34 mil vagas para quem tem ensino superior em 2025, mas serviços compensam e mantêm saldo positivo, aponta estudo do Ibre FGV com base no Novo Caged

Trabalhadores em escritório e no chão de fábrica com capacetes, representando indústria, comércio, construção e serviços no Brasil em 2025
Setores cortaram vagas para graduados, enquanto serviços sustentaram o saldo do emprego formal em 2025
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Cortes de vagas para graduados avançam em indústria, construção e comércio, enquanto serviços seguram o saldo do emprego formal em 2025

O mercado de trabalho formal no Brasil seguiu positivo em 2025, mas com ritmo menor e sinais claros de desaceleração. Segundo estudo de Janaína Feijó e Helena Zahar, do Ibre FGV, com base nos microdados do Novo Caged do Ministério do Trabalho, indústria, comércio e construção eliminaram 34.297 postos para profissionais com ensino superior ao longo do ano.

O desempenho geral só não ficou negativo entre os graduados porque o setor de serviços absorveu 58.300 trabalhadores com diploma, e a agricultura somou outras 509 vagas. No agregado, o mercado formal abriu 1.279.448 empregos em 2025, o que representa 398 mil a menos que em 2024, uma queda de 23,7%, de acordo com o Ibre FGV.

Entre as novas contratações, apenas 1,9% foram de trabalhadores com ensino superior completo, um saldo de 24.513 postos para esse grupo. A leitura do estudo indica que juros elevados e maior sensibilidade de segmentos ao crédito explicam boa parte do recuo nas posições mais qualificadas.

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A pesquisadora Janaína Feijó, do Ibre FGV, afirmou que o efeito dos juros elevados demorou, mas ganhou força a partir de meados do ano. Segundo ela, o impacto ficou nítido a partir de junho, a geração de vagas caiu desde agosto na margem e a tendência se consolidou no último trimestre.

Setores mais sensíveis ao crédito reduziram postos qualificados e juros altos travaram contratações

Na abertura por setores, a indústria registrou demissão líquida de 13.686 trabalhadores com ensino superior em relação a 2024. Na construção, foram 8.179 desligamentos líquidos, e no comércio, 12.432 vagas a menos para graduados, segundo o Ibre FGV.

Feijó aponta que custos financeiros mais altos e incertezas nas expectativas dos empresários levaram empresas a postergar contratações, especialmente de especialistas. A combinação de demanda mais fraca e crédito caro tende a enxugar quadros qualificados em setores com margens pressionadas.

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Serviços seguraram o resultado entre trabalhadores com diploma e agricultura teve leve avanço

Em sentido oposto, o setor de serviços absorveu 58.300 profissionais com nível superior, evitando um fechamento líquido entre os graduados no consolidado do ano. A agricultura também contribuiu, com mais 509 postos qualificados.

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O desempenho de serviços reflete a heterogeneidade do segmento, que abriga desde atividades intensivas em conhecimento até ocupações de suporte administrativo e atendimento. Mesmo sob juros altos, parte desses nichos manteve demanda por mão de obra qualificada.

Com isso, o saldo de empregos com diploma fechou em 24.513 em 2025, o equivalente a 1,9% do total de vagas criadas no ano. O estudo do Ibre FGV ressalta, porém, que a composição do emprego ainda preocupa pela baixa participação de postos qualificados.

Sinais de desaceleração ganharam força no fim de 2025 com dezembro no pior resultado da série

Em dezembro de 2025, o Novo Caged apontou perda de 618.164 vagas líquidas, o pior resultado para o mês na série histórica e 11,3% abaixo de dezembro de 2024. Com exceção da agropecuária, todos os grandes setores recuaram frente ao mesmo mês do ano anterior.

De acordo com Feijó, a sequência de quedas na margem desde agosto e a piora no último trimestre confirmam o efeito retardado da política monetária no mercado de trabalho. A pesquisadora reforça que a fatura dos juros elevados chega mais tarde, mas com intensidade visível nos saldos mensais.

O Ibre FGV avalia que o ambiente de negócios mais fraco no fim do ano levou empresas a acelerar ajustes de quadro, sobretudo em áreas de custo e posições não essenciais, intensificando desligamentos entre profissionais de nível superior em setores pressionados.

Custos trabalhistas e incerteza empresarial limitam CLT e pressionam a qualidade do emprego

Além dos juros, o estudo relembra entraves estruturais. A contratação via CLT segue onerosa, o que desestimula a abertura de vagas formais em momentos de incerteza. Segundo Feijó, encargos trabalhistas elevados ampliam a cautela das empresas na hora de ampliar quadros qualificados.

As expectativas também pesam. Se o ambiente é percebido como desfavorável, dirigentes adiam investimentos e novas admissões, priorizando eficiência e produtividade com times menores. Esse movimento atinge primeiro funções especializadas e com salários mais altos.

Do ponto de vista social, a qualidade do emprego segue como preocupação. De acordo com a pesquisadora do Ibre FGV, mais de 38% dos trabalhadores estão na informalidade, o que prejudica arrecadação e retira proteção de quem não tem garantia laboral.

Para recuperar fôlego e melhorar o mix de vagas, a avaliação é que seria necessário um ciclo de redução da taxa básica de juros, acompanhado de melhora nas condições de investimento. Esse arranjo tende a favorecer setores que mais demandam qualificação.

O estudo reforça que o crescimento sustentado depende da criação de postos formais, com trajetória que combine expansão da ocupação e maior participação de vagas com maior nível de instrução. Sem isso, a geração de emprego corre o risco de perder qualidade.

Perspectivas para 2026 indicam ritmo modesto e influência das eleições e de eventos pontuais

Para 2026, o Ibre FGV projeta um desempenho mais modesto na geração de empregos formais, sob a influência de juros ainda elevados e de um ano eleitoral no segundo semestre. A incerteza tende a adiar decisões de investimento e contratações até a definição do cenário político.

Ainda assim, o estudo estima algum efeito de retenção de mão de obra em setores específicos, impulsionado por pacotes de estímulo do governo e pela realização da Copa do Mundo de Futebol. Esses fatores podem mitigar parte da desaceleração, sem necessariamente reverter a tendência de cautela nas admissões.

O que você acha dos cortes de vagas para profissionais com ensino superior e do peso dos juros na decisão de contratar em 2025 e 2026? Deixe seu comentário e conte como sua área foi afetada ou se percebeu oportunidades em serviços ou agricultura.

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Sobre o Autor

Valdemar Medeiros
Valdemar Medeiros

Sou Jornalista em formação, especialista na criação de conteúdos com foco em ações de SEO. Escrevo sobre Vagas de emprego, Indústria Automotiva, Energias Renováveis e outras oportunidades do mercado de trabalho.

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