Falta de especialistas ameaça avanços da economia do mar no sul e FURG articula doutorado em Economia Azul para acelerar inovação e empregos
FURG discute criação de doutorado em Economia Azul, mirando inovação, sustentabilidade e empregos no litoral do RS
A Universidade Federal do Rio Grande (FURG) articula a criação de um doutorado em Economia Azul, com foco em pesquisa aplicada e formação de quadros para a economia do mar. Segundo informou o portal Clic Camaquã, a proposta busca integrar ciência, gestão pública e setor produtivo para fortalecer atividades costeiras e oceânicas no Rio Grande do Sul.
A iniciativa nasce em um momento de expansão global do tema e pode impulsionar áreas como logística portuária, aquicultura, biotecnologia marinha, turismo costeiro e energias renováveis no mar. A universidade pretende alinhar o desenho do curso às demandas de competitividade e sustentabilidade, com forte ênfase em inovação.
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De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o potencial da economia oceânica pode atingir trilhões de dólares por volta de 2030, conforme estudo publicado em 2016. Essa tendência pressiona por mão de obra qualificada, normas ambientais robustas e soluções tecnológicas para reduzir impactos e aumentar produtividade.
O movimento também dialoga com a Década da Ciência Oceânica 2021-2030, coordenada pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO, que incentiva a transformação do conhecimento científico em políticas públicas e negócios sustentáveis. Nesse contexto, a FURG, referência nacional em ciências do mar, aparece posicionada para liderar a agenda acadêmica no sul do país.
O que se sabe sobre o doutorado articulado pela FURG
Segundo o Clic Camaquã, a universidade trabalha politicamente e tecnicamente para estruturar o curso, alinhando atores internos e externos. A proposta, em discussão, deve priorizar um arranjo interdisciplinar, integrando economia, gestão costeira, políticas públicas, tecnologia e finanças sustentáveis.
Fontes acadêmicas ouvidas pela reportagem indicam que a formação tende a privilegiar problemas reais da zona costeira e do Porto do Rio Grande, com projetos orientados à inovação, dados oceânicos, governança ambiental e transição energética. A ideia é conectar laboratórios, setor produtivo e gestores públicos desde o primeiro ano.
Por que a Economia Azul movimenta o mercado de trabalho
O termo Economia Azul abrange cadeias que usam o oceano e zonas costeiras de forma sustentável, como transporte marítimo, pesca e aquicultura, óleo e gás, eólica offshore, turismo e serviços ambientais. Esse conjunto responde por empregos diretos e indiretos em regiões portuárias e estuarinas.
Há demanda crescente por especialistas em licenciamento ambiental, modelagem econômica de projetos costeiros, compliance ESG, monitoramento por sensoriamento remoto, dados oceanográficos e gestão de riscos climáticos. A combinação de regulação mais exigente com metas de descarbonização amplia o espaço para doutores com visão sistêmica.
Em termos regionais, o litoral sul do RS pode ganhar competitividade com capital humano avançado para cadeias de suprimentos, manutenção naval, serviços portuários e conservação de habitats. Projetos-piloto bem-sucedidos costumam atrair investimentos e startups, criando um ciclo virtuoso de inovação.
Como funciona a abertura de doutorado no Brasil
De acordo com a CAPES, a criação de novos cursos stricto sensu passa pela submissão de uma proposta via APCN, avaliação por comissões de área, deliberação no Conselho Técnico-Científico e, ao fim, atos regulatórios no sistema federal de ensino. Esse trajeto exige comprovação de produção científica, infraestrutura e aderência às necessidades formativas do país.
Em geral, as universidades detalham corpo docente, linhas de pesquisa, projetos e parcerias, além de metas de internacionalização e inserção social. Para áreas emergentes como a Economia Azul, a capacidade de integração com setores produtivos e órgãos públicos costuma ser decisiva na avaliação.
Impactos esperados para o litoral sul e a cadeia portuária
Um programa de doutorado dedicado ao tema pode acelerar soluções para gargalos logísticos, eficiência energética e redução de emissões. Estudos direcionados ao Porto do Rio Grande e à malha retroportuária tendem a gerar ganhos imediatos em competitividade e segurança operacional.
Na pesca e na aquicultura, pesquisas sobre manejo sustentável, rastreabilidade e agregação de valor a produtos marinhos podem ampliar renda e exportações. A biotecnologia marinha, por sua vez, abre trilhas em fármacos, cosméticos e materiais avançados de origem oceânica.
A eólica offshore desponta como vetor de empregos qualificados, exigindo avaliação ambiental estratégica, engenharia naval, conexão à rede elétrica e modelagem econômica de projetos. A formação avançada ajuda a reduzir incertezas técnicas e regulatórias, favorecendo leilões e investimentos.
O turismo costeiro sustentável também ganha com planejamento territorial, proteção de áreas sensíveis e melhoria de serviços. Ao integrar métricas ESG e indicadores de bem-estar social, a Economia Azul pode ancorar novas oportunidades em educação ambiental e empreendedorismo comunitário.
No campo público, municípios costeiros passam a contar com estudos para orientar concessões, parcerias e adaptação climática. A disponibilidade de doutores melhora a qualidade de políticas, editais e contratações, ampliando a capacidade de executar projetos com base em evidências.
Parcerias, financiamento e internacionalização
Para ganhar escala, a proposta tende a buscar recursos de CNPq, Finep, fundações estaduais e cooperações com centros internacionais de ciências do mar. A participação em redes vinculadas à Década da Ciência Oceânica 2021-2030 fortalece intercâmbios e projetos colaborativos.
Empresas de navegação, terminais, cooperativas de pesca e startups podem atuar como parceiras em desafios tecnológicos, estágios e bolsas. Esse ecossistema aproxima a pesquisa das necessidades do mercado de trabalho, acelerando a transferência de conhecimento e a geração de soluções práticas.
O Clic Camaquã noticiou o movimento da FURG para articular o doutorado em Economia Azul, reforçando a prioridade do tema no estado. Segundo a CAPES, propostas bem estruturadas e alinhadas a demandas estratégicas têm mais chance de aprovação e de impacto regional sustentado. De acordo com a OCDE, o avanço global da economia oceânica até 2030 aumenta a urgência por qualificação, o que torna a iniciativa especialmente oportuna.
Qual sua avaliação sobre a criação do doutorado em Economia Azul na FURG e seus efeitos no litoral sul do RS? A prioridade deve ser logística e portos, conservação ambiental ou energia eólica offshore? Deixe seu comentário e participe do debate sobre quais frentes devem liderar a transformação da economia do mar no estado.
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