Estudo da CNC vê impacto de R$ 122,4 bilhões com fim da escala 6×1 e jornada de 36 horas, pressionando preços e emprego no comércio

Funcionários e clientes em corredor de supermercado com etiquetas de preços, representando o impacto de custos no comércio
Varejo pode enfrentar aumento de custos e ajustes de pessoal, segundo a CNC
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Estimativa da Confederação Nacional do Comércio aponta custo anual de R$ 122,4 bilhões e risco de alta de preços e ajuste de vagas no varejo e no atacado

A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) projeta efeitos relevantes caso avance a proposta de fim da escala 6×1 com redução da jornada semanal para 36 horas. Em estudo divulgado em 23.fev.2026, a entidade estima um impacto anual de R$ 122,4 bilhões no comércio, com pressão sobre preços ao consumidor e sobre o emprego.

Segundo a CNC, as mudanças analisadas na PEC 8 de 2025 exigiriam ampla reorganização das relações trabalhistas, afetando custos, rentabilidade e o nível de atividade das empresas. A avaliação usa modelagens econométricas para calcular potenciais reajustes e efeitos na estrutura de pessoal.

Hoje, a Constituição de 1988 e a CLT limitam a jornada a 44 horas semanais, e a escala 6×1 é dominante em setores que operam continuamente, como comércio e serviços, inclusive em fins de semana e feriados. A alteração, afirma a CNC, recairia de forma mais intensa sobre o segmento comercial.

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Para projetar os impactos, o estudo considerou um novo teto de 40 horas semanais para reenquadramento de funcionários que hoje cumprem jornadas superiores. A legislação veda redução nominal de salários, o que exigiria demissões e readmissões, além de novas contratações para manter as operações.

Impacto estimado na folha salarial e nos preços do consumidor

De acordo com a CNC, o custo total de adequação no comércio chegaria a R$ 122,4 bilhões por ano, equivalente a um aumento imediato de 21% na folha salarial do setor. O choque de custos é descrito como “assimétrico”, pois atinge com maior força as empresas comerciais.

Usando um modelo econométrico, a entidade estimou o chamado efeito-preço. Pelos cálculos, cada alta de 1% na massa salarial do comércio gera, no longo prazo, repasse médio de 0,6% aos preços ao consumidor final.

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Com base nessa relação, o aumento de 21% na folha poderia resultar em alta estimada de 13% nos preços. O relatório pondera que o comércio dificilmente repassaria tudo, devido à renda limitada das famílias, o que pressionaria faturamento e margens.

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Mudanças nas relações de trabalho e necessidade de reorganização nas empresas

A CNC afirma que, para cumprir um novo limite de jornada, as empresas teriam de promover reenquadramentos contratuais, com demissões e readmissões para ajustar jornadas e turnos. Haveria também necessidade de contratações adicionais para manter lojas e centros de distribuição funcionando sem reduzir atendimento.

Embora a proposta pública mencione 36 horas semanais, o estudo modelou um cenário com teto de 40 horas para mensurar impactos imediatos. Como a legislação impede reduzir salários nominais, a adequação recairia sobre o número de trabalhadores e sobre a organização de escalas.

Emprego formal, setores mais expostos e informalidade elevada no comércio

Segundo dados da Rais 2024 citados pela CNC, o Brasil tem 57,8 milhões de empregos formais. A entidade calcula que cerca de 31,5 milhões de trabalhadores estejam em jornadas diretamente afetadas pela mudança, sobretudo em serviços e comércio.

No comércio varejista, 93% dos contratos formais estão acima de 40 horas semanais. No comércio atacadista, a proporção é de 92%, indicando exposição ampla a regras que reduzam a carga de trabalho semanal.

O comércio responde por mais de 10 milhões de vínculos formais e cerca de 20% dos postos com carteira assinada no país, de acordo com a CNC. A entidade destaca que o ajuste tenderia a ser mais desafiador justamente onde há grande capilaridade de lojas e longas janelas de atendimento.

Há também o fator da informalidade. Com base na Pnad Contínua mencionada no estudo, aproximadamente 50% dos vínculos no comércio são informais, o que pode levar parte dos ajustes a ocorrer fora do emprego com carteira, caso os custos subam e a demanda não absorva aumentos de preços.

A CNC avalia que a combinação de custos maiores, limites de repasse e alta informalidade tende a criar pressão sobre a decisão de contratar, especialmente em micro e pequenas empresas do varejo. O risco é de ajustes de quadro que contrabalancem benefícios esperados no curto prazo.

Queda projetada na rentabilidade e possíveis reações das empresas

Em termos de rentabilidade, o estudo projeta redução de 5,7% no EOB (Excedente Operacional Bruto) do comércio. Em valores presentes, a perda estimada é de R$ 73,31 bilhões, o que limitaria investimentos e crescimento.

Segundo a CNC, margens menores costumam acelerar ajustes de custos, entre eles reorganização de equipes e revisão de jornadas. A entidade aponta que, no curto prazo, isso pode mitigar parte das vantagens esperadas pelos trabalhadores.

O parecer acrescenta que a pressão de custos pode intensificar a adoção de tecnologias e que o setor já enfrentou episódios recentes de escassez de mão de obra especializada, fatores que influenciam a estratégia de contratação.

Contexto legal e tramitação no Congresso Nacional

O regime atual é regido pela Constituição de 1988 e pela CLT, com jornada máxima de 44 horas semanais, e a escala 6×1 é predominante em atividades com operação contínua. A PEC 8 de 2025 está em discussão no Congresso Nacional e trata da redução da jornada e do fim da escala 6×1.

Para a CNC, mudanças desse porte exigem planejamento para evitar rupturas operacionais no mercado de trabalho, sobretudo em comércio varejista e atacadista. A entidade defende análise dos impactos econômicos e sociais antes de eventuais votações.

O que você acha das estimativas da CNC sobre preços e emprego no comércio diante do fim da escala 6×1 e da redução da jornada semanal? Deixe seu comentário e conte se sua empresa ou setor teria condições de absorver os custos sem reduzir vagas. Sua opinião ajuda a enriquecer o debate.

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Sobre o Autor

Ana Paula Araújo
Ana Paula Araújo

Ana Paula Araújo escreve diariamente sobre o mercado de trabalho, mantendo os leitores informados sobre vagas de emprego e concursos públicos, especialmente nas modalidades Home Office e Híbridas.

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