FecomercioSP diz que fim da escala 6×1 pressiona folha de pagamento, encarece o varejo e pode cortar milhares de vagas no país

Funcionários no varejo organizam prateleiras enquanto atendem clientes, representando rotina com escala 6x1
Rotina de trabalho no varejo com atendimento contínuo ao público
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Entidade do comércio alerta para alta de custos e risco de demissões após mudanças em regras de jornada e descanso, com efeitos diretos sobre o varejo e serviços

A FecomercioSP avalia que o fim da escala 6×1 na prática cotidiana das lojas e serviços aumenta o custo do trabalho e pode gerar eliminação de vagas. A entidade afirma que alterações recentes em regras sobre jornada e descanso semanal tornam mais difícil manter a operação contínua típica do comércio. A posição foi divulgada em nota e repercutida pela imprensa especializada, segundo apuração da Revista Oeste.

O modelo 6×1, comum no varejo, distribui 44 horas semanais ao longo de seis dias, com um dia de folga. Para a FecomercioSP, restringir esse arranjo, inclusive no trabalho aos domingos, rompe escalas e força contratações extras ou pagamento maior de horas, elevando a folha. A entidade sustenta que o encarecimento ameaça postos, sobretudo em micro e pequenas empresas.

Na avaliação setorial, o impacto recai sobre redes de supermercados, farmácias, restaurantes, shopping centers e serviços de atendimento ao público. O custo adicional, se persistir, tende a ser repassado a preços ou absorvido com ganhos menores de produtividade. A FecomercioSP diz que o resultado provável é a combinação de pressão em margens, ajustes de quadro e redução de jornadas.

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Em paralelo, sindicatos laborais defendem maior proteção ao descanso semanal e regramentos mais claros para domingos e feriados. A discussão se intensifica na mesa de negociação coletiva, após mudanças normativas do Ministério do Trabalho e decisões recentes na Justiça do Trabalho, conforme lembram especialistas consultados pelo setor.

O que muda na escala 6×1 e por que o varejo reage

O cerne do embate está na organização da jornada de trabalho e do descanso semanal remunerado em atividades que funcionam sete dias por semana. Em parte do comércio, a alternância de folgas e o rodízio de shifts aos domingos são essenciais para manter lojas abertas sem extrapolar 44 horas semanais. Limites adicionais a domingos e feriados comprimem as escalas e desarrumam o 6×1.

De acordo com a legislação trabalhista (CLT) e normas conexas, o repouso semanal é obrigatório e preferencialmente aos domingos. Portarias do Ministério do Trabalho e regras específicas ao comércio definem como e quando é possível operar aos domingos e feriados, com negociação coletiva. Segundo a FecomercioSP, o enrijecimento dessas condições inviabiliza a 6×1 em muitos turnos.

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Como funciona a 6×1 na CLT

Pelo padrão consolidado, a empresa distribui a carga horária semanal em seis dias, garantindo uma folga. O descanso pode recair em domingo por rodízio, respeitando limites e acordos coletivos. Quando há restrições extras a domingos ou exigência de folgas mais frequentes nessa data, multiplicam-se lacunas na escala que pedem substituições, horas extras ou contratações adicionais.

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Especialistas em direito do trabalho lembram que a organização de turnos deve conciliar regras legais e convenções. Após julgamentos do Supremo Tribunal Federal sobre o alcance da negociação coletiva, ficou reafirmada a relevância de acordos, mas sempre sem suprimir direitos essenciais. O comércio argumenta que preservar a 6×1 é compatível com esse arcabouço, desde que haja previsões claras em convenções.

Impacto no custo do trabalho, salários e preços

Segundo a FecomercioSP, o fim prático da 6×1 pressiona a folha de pagamento por duas vias. A primeira é o aumento de horas extras e adicionais por trabalho em dias mais caros na escala. A segunda é a necessidade de ampliar equipes para cobrir lacunas criadas pela impossibilidade de rodízio tradicional aos domingos e feriados.

Esse encarecimento tende a afetar itens de alta rotatividade e margens apertadas, típicos do supermercado e do varejo alimentar. Sem elasticidade para absorver custos, empresas podem adiar contratações, reduzir a jornada contratada ou acelerar automação em frentes de caixa e reposição. No curto prazo, o setor alerta para repasse parcial a preços e queda do investimento.

De acordo com análises setoriais citadas pela entidade, micro e pequenas empresas são as mais vulneráveis, pois têm menor fôlego de caixa. A pressão de custo em feriados prolongados e períodos sazonais, como datas comemorativas, torna a escala 6×1 uma engrenagem para equilibrar demanda e oferta de mão de obra. Sem esse recurso, a operação diária perde flexibilidade.

Emprego e turnos de atendimento, os possíveis efeitos

A FecomercioSP afirma que a restrição à 6×1 pode levar à eliminação de vagas, sobretudo temporárias e de entrada, que ajudam jovens e trabalhadores em transição. Sem folgas alternadas, o varejo pode encolher horários de atendimento, reduzir equipes em picos e priorizar unidades com maior ticket médio.

Consultores de recursos humanos ouvidos pelo setor destacam que o quadro afeta a qualidade do serviço. Menos pessoas na ponta significam filas mais longas, menor reposição e atendimento mais lento, o que pode reduzir vendas e comissões. A pressão por produtividade cresce, elevando a rotatividade e o absenteísmo.

Há também impacto regional. Ambientes com forte presença de shopping centers e turismo interno dependem de funcionamento amplo nos fins de semana. Ajustes bruscos em escalas tendem a concentrar o consumo em janelas restritas, comprimindo faturamento e diminuindo estímulos para contratar.

O que dizem governo e especialistas

O Ministério do Trabalho e Emprego sustenta, em notas técnicas e portarias, a prioridade do descanso semanal e a proteção à saúde do trabalhador, especialmente no trabalho aos domingos e feriados. A pasta enfatiza a importância da negociação coletiva para compatibilizar jornada, repouso e peculiaridades do comércio e serviços.

Juristas consultados por entidades do setor lembram que, após decisões do STF sobre a força dos acordos coletivos, a solução prática passa por cláusulas específicas sobre escalas, contrapartidas e limites de sobrejornada. Em síntese, a 6×1 pode ser preservada com segurança jurídica, desde que respeitados direitos indisponíveis e critérios de repouso.

Segundo a Revista Oeste, a FecomercioSP pede ajustes regulatórios e espaço para negociação, sob pena de perda de competitividade e fechamento de postos. A entidade defende calibragem que combine previsibilidade, saúde ocupacional e necessidade de atendimento contínuo ao público.

Próximos passos na negociação coletiva

Representantes patronais e laborais devem intensificar mesas de negociação para readequar cláusulas de jornada, domingo trabalhado e folga. O objetivo é garantir previsibilidade de escala, compensações e mecanismos de controle de jornada que assegurem saúde e eficiência operacional.

Especialistas recomendam registrar a política de escalas nos acordos, definir rodízios transparentes e prever parâmetros de troca de folga, além de mapear custo por hora e por turno. Assim, empresas podem sustentar a operação e trabalhadores preservam repouso efetivo, com menor conflito jurídico e maior produtividade.

O debate sobre a escala 6×1 costuma dividir opiniões entre custo, saúde e qualidade do serviço. Você acha que restringir a 6×1 protege o trabalhador ou ameaça empregos e atendimento no comércio? Deixe seu comentário e participe da discussão com argumentos e exemplos da sua realidade.

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Sobre o Autor

Ana Paula Araújo
Ana Paula Araújo

Ana Paula Araújo escreve diariamente sobre o mercado de trabalho, mantendo os leitores informados sobre vagas de emprego e concursos públicos, especialmente nas modalidades Home Office e Híbridas.

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