Disputa tripla por terras raras no Brasil se intensifica, pressiona licenças e incentivos, mobiliza capitais estrangeiros e amplia a rivalidade China–EUA na cadeia de ímãs

Operação de mineração de terras raras em mina a céu aberto em Goiás, com caminhões e pilhas de minério
Mina a céu aberto em Goiás, foco da nova corrida por terras raras no Brasil.
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Corrida por terras raras acelera no Brasil com disputa entre governo, empresas e potências globais, segundo a Folha de S.Paulo

A disputa por terras raras no Brasil ganhou fôlego em 2026 e envolve três frentes principais: governo, empresas e grandes potências. Segundo a Folha de S.Paulo, o interesse cresceu com a transição energética e a reconfiguração das cadeias de suprimento globais.

O Brasil entra no mapa com depósitos relevantes e projetos que começam a sair do papel. O tema pressiona licenças, incentivos e regras, e coloca o país no centro de um jogo geopolítico que opõe China e Estados Unidos pelo domínio dos ímãs permanentes usados em turbinas eólicas, carros elétricos e eletrônicos.

De acordo com dados do USGS de 2024, o Brasil figura entre os países com maiores reservas de terras raras do mundo. Ao mesmo tempo, a Agência Internacional de Energia (IEA) projeta demanda crescente por minerais críticos até 2030, elevando a competição por contratos e rotas de processamento.

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No plano interno, a corrida expõe gargalos de licenciamento ambiental, regulação de materiais radioativos e falta de capacidade de refino local. O desafio é transformar potencial geológico em produção industrial, com rastreabilidade e padrão ESG aceito por mercados exigentes.

O que está em disputa no Brasil

Há uma disputa simultânea por áreas com minério, por licenças e outorgas e por políticas públicas que reduzam riscos e custos. Segundo a Folha de S.Paulo, a pressão recai sobre União e estados para agilizar processos, enquanto companhias correm para assegurar ativos e financiamento.

Além do tabuleiro doméstico, a geopolítica pesa. China, EUA e Europa disputam contratos de longo prazo e parcerias tecnológicas no país, buscando garantir o suprimento de concentrados e, principalmente, de compostos separados para a cadeia de ímãs de neodímio-praseodímio.

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Onde estão as reservas e quem já produz

Os principais polos de terras raras no Brasil se concentram em Goiás, Minas Gerais e Bahia, com ocorrências também no Sudeste e no Norte. De acordo com o USGS 2024, o país detém reservas expressivas, o que sustenta o apetite de mineração e de indústrias de alta tecnologia.

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Projetos em Goiás avançaram nos últimos anos, com produção comercial de concentrado iniciando e contratos de venda no exterior, conforme comunicados corporativos e cobertura de mercado em 2023 e 2024. Há, ainda, pesquisas para recuperar terras raras de rejeitos e correntes de processos em complexos multimetálicos, estratégia que pode reduzir impactos ambientais e CAPEX.

A Agência Nacional de Mineração (ANM) aponta crescimento de requerimentos e autorizações de pesquisa para minerais críticos desde 2021, acompanhando a alta dos investimentos e o interesse por cadeias industriais de maior valor agregado.

Licenciamento, radioatividade e regras

Parte das jazidas brasileiras envolve minerais como monazita, que podem conter tório e urânio em baixas concentrações. Isso exige atenção extra em licenças ambientais e normas de segurança radiológica, com atuação da CNEN e de órgãos ambientais como o Ibama e secretarias estaduais.

Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), diretrizes para minerais estratégicos buscam acelerar o licenciamento sem reduzir padrões de segurança e de proteção socioambiental. A previsibilidade regulatória é vista por analistas como peça-chave para ampliar investimentos e atrair plantas de separação e refino no território nacional.

China, EUA e Europa na corrida

A China domina a cadeia global, respondendo por parcela majoritária da extração e, sobretudo, do refino, etapa crítica para gerar óxidos e metais separados usados em ímãs. Relatórios do USGS e da IEA indicam que o país asiático concentra mais de 70% da produção e cerca de 85% a 90% da capacidade de processamento.

Os Estados Unidos e a Europa lançaram estratégias para diversificar fornecedores, financiar projetos e construir rotas de separação fora da China. Nesse contexto, o Brasil surge como opção de médio prazo, desde que consiga alinhar licenças, infraestrutura e contratos de offtake com rastreabilidade ESG.

Para investidores, a disponibilidade de energia estável, logística e regras claras sobre conteúdo local e incentivos pode definir se fábricas de separação, ligas e componentes magnéticos serão instaladas aqui ou se o país seguirá exportando apenas concentrados.

Analistas lembram que cadeias de ímãs exigem know-how químico e padrões de qualidade rigorosos. Parcerias tecnológicas, compras governamentais e financiamento de longo prazo são apontados como atalhos para encurtar a curva de aprendizagem industrial.

O que pode destravar investimentos

Especialistas ouvidos no mercado destacam três alavancas para 2026 e 2027. Primeiro, licenciamento célere com segurança jurídica, definindo claramente as etapas quando houver materiais radioativos associados. Segundo, linhas de financiamento e garantias, via BNDES e bancos privados, ancoradas por contratos firmes de venda.

Terceiro, políticas industriais que incentivem separação, metalização e manufatura de ímãs permanentes no país, conectando a agenda de minerais críticos a programas como a reindustrialização e a transição energética, conforme diretrizes públicas divulgadas pelo MME e pelo MDIC em 2024.

Perspectivas para a cadeia de suprimentos de terras raras

No curto prazo, o Brasil tende a ampliar a exportação de concentrados enquanto estrutura projetos de refino. No médio prazo, a instalação de plantas de separação pode reduzir a dependência externa, gerar empregos qualificados e atrair montadoras e fabricantes de turbinas interessados em cadeias rastreáveis.

Segundo a IEA, a demanda por minerais críticos ligados à transição energética continuará crescente até 2030, o que favorece projetos competitivos e com menor pegada ambiental. A disputa, porém, seguirá intensa, com China, EUA e Europa buscando garantir contratos e influência tecnológica no Brasil.

Debate aberto O Brasil deve priorizar exportar concentrado agora para ganhar escala ou apostar em incentivos fortes para já instalar plantas de separação e ímãs no país Em qual caminho você acredita que o país ganha mais valor e soberania econômica Deixe seu comentário e participe do debate.

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Sobre o Autor

Geovane Souza
Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No blog, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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