Queda do desemprego atinge seis estados no fim de 2025 enquanto taxa nacional recua a 5,1% e renda sobe com melhora disseminada, mostra IBGE
Desemprego recua em seis estados e renda sobe no fim de 2025
A taxa de desocupação caiu em seis estados no 4º trimestre de 2025, enquanto o Brasil fechou o período com 5,1% de desemprego. O dado é da Pnad Contínua Trimestral e foi divulgado pelo IBGE em 20 de fevereiro de 2026.
O resultado nacional ficou abaixo dos 5,6% do trimestre anterior e 1,1 ponto percentual menor que no mesmo trimestre de 2024 (6,2%). Segundo o IBGE, a queda foi acompanhada de aumento do rendimento médio e da massa de rendimentos, sinalizando melhora ampla do mercado de trabalho.
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Na comparação trimestral, houve recuo do desemprego em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Distrito Federal, Paraíba e Ceará. Nas demais unidades da federação, o indicador permaneceu estável.
As diferenças regionais, de gênero e de escolaridade seguem marcantes. Estados do Sul e Centro-Oeste sustentaram as menores taxas, enquanto parte do Nordeste e do Norte ainda concentra os maiores índices de desocupação e informalidade.
Seis estados com queda no trimestre, estabilidade nos demais
De acordo com o IBGE, a desocupação diminuiu no trimestre em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Distrito Federal, Paraíba e Ceará. Essa disseminação regional de queda, ainda que parcial, reforça a tendência de acomodação do desemprego observada ao longo de 2025.
No consolidado do país, a taxa de 5,1% no 4º trimestre ficou abaixo dos 5,6% do 3º trimestre e recuou frente aos 6,2% do 4º trimestre de 2024. O movimento foi impulsionado pela redução do contingente de pessoas em busca de trabalho e pela maior absorção em postos com carteira assinada.
Desigualdades por estado, gênero e escolaridade
Os maiores índices de desocupação trimestral foram registrados em Pernambuco (8,8%) e Amapá (8,4%), seguidos por Alagoas, Bahia e Piauí, todos com 8,0%. Já as menores taxas apareceram em Santa Catarina (2,2%) e em Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso (todos com 2,4%), níveis bem abaixo da média nacional.
Entre os sexos, a diferença persiste: homens registraram 4,2% de desemprego, enquanto mulheres tiveram 6,2% nos três últimos meses do ano. Por cor ou raça, o indicador ficou em 4,0% entre pessoas brancas, acima da média entre pessoas pretas (6,1%) e pardas (5,9%).
O nível de escolaridade também influencia fortemente as chances de ocupação. A taxa para quem tem ensino superior completo foi de 2,7%, sobe para 5,6% entre os que possuem superior incompleto e alcança 8,7% entre trabalhadores com ensino médio incompleto. O recorte educacional evidencia desigualdades estruturais no acesso ao emprego.
Houve avanço entre os que enfrentam busca prolongada: eram 1,1 milhão de pessoas procurando trabalho havia dois anos ou mais, uma queda de 19,6% ante o 4º trimestre de 2024 (1,3 milhão). A melhora também alcançou quem procurava há menos de um mês, contingente de 1,1 milhão, recuo de 23,1% frente ao mesmo período do ano anterior (1,4 milhão).
Esses movimentos sugerem redução das filas de busca tanto no longo quanto no curtíssimo prazo, compatível com a trajetória de queda da desocupação e de recuperação da renda.
Subutilização, desalento e informalidade mostram contrastes regionais
No 4º trimestre, a subutilização da força de trabalho foi de 13,4% no Brasil. O maior nível ocorreu no Piauí (27,8%), enquanto Santa Catarina registrou o menor, 4,4%, reforçando o contraste entre regiões.
O desalento — percentual de pessoas que desistiram de procurar trabalho — ficou em 2,4% no país. O Maranhão teve a maior taxa, 9,1%, e Santa Catarina a menor, 0,3%. Entre trabalhadores do setor privado, 74,4% tinham carteira assinada; o melhor resultado foi de Santa Catarina (86,3%) e o menor, do Maranhão (52,5%).
A conta própria representou 25,3% dos ocupados, com pico no Maranhão (34%) e mínimo no Distrito Federal (17%). A informalidade alcançou 37,6% dos ocupados, variando de 57,3% no Maranhão a 25,7% em Santa Catarina, segundo o IBGE.
No ano de 2025 desemprego atinge o menor nível da série histórica
No acumulado de 2025, a taxa de desemprego recuou para 5,6%, ante 6,6% em 2024, o menor patamar desde o início da série, em 2012. Em 20 estados, o indicador também caiu ao menor nível histórico, de acordo com a Pnad Contínua.
As maiores taxas anuais foram observadas no Piauí (9,3%), na Bahia e em Pernambuco (ambos com 8,7%) e no Amazonas (8,4%). As menores ficaram com Mato Grosso (2,2%), Santa Catarina (2,3%) e Mato Grosso do Sul (3,0%).
Na subutilização anual, o Brasil registrou 14,5%. O Piauí teve 31,0%, seguido por Bahia e Alagoas (ambos com 26,8%). Os menores níveis ocorreram em Santa Catarina (4,6%), Mato Grosso (6,8%) e Espírito Santo (7,4%).
A informalidade anual atingiu 38,1% dos ocupados. Os maiores percentuais foram no Maranhão (58,7%), Pará (58,5%) e Bahia (52,8%); os menores em Santa Catarina (26,3%), Distrito Federal (27,3%) e São Paulo (29,0%). Já o desalento anual ficou em 2,6%, com picos no Maranhão (9,5%), Alagoas (8,5%) e Piauí (7,8%), e mínimos em Santa Catarina (0,3%), Mato Grosso do Sul (0,6%) e Rio Grande do Sul (0,9%).
Renda média cresce e massa de rendimentos avança no trimestre
Em 2025, o rendimento médio anual habitual de todos os trabalhos foi de R$ 3.560 no país. Os maiores valores foram do Distrito Federal (R$ 6.320), São Paulo (R$ 4.190) e Rio de Janeiro (R$ 4.177); os menores, do Maranhão (R$ 2.228), Bahia (R$ 2.284) e Ceará (R$ 2.394).
No 4º trimestre, o rendimento médio mensal chegou a R$ 3.613, acima do 3º trimestre (R$ 3.527) e do 4º trimestre de 2024 (R$ 3.440). Houve alta no Sudeste (R$ 4.033) e no Norte (R$ 2.846) na comparação trimestral, com todas as regiões em alta frente ao mesmo período de 2024.
A massa de rendimentos do trabalho somou R$ 367,6 bilhões no 4º trimestre de 2025, ante R$ 356,7 bilhões no trimestre anterior e R$ 345,5 bilhões no 4º trimestre de 2024, o que, segundo o IBGE, reforça o ganho de fôlego da atividade e da ocupação.
Os resultados divulgados pelo IBGE na Pnad Contínua Trimestral de 20 de fevereiro de 2026 apontam melhora consistente, ainda que desigual, no emprego, na renda e na formalização ao fim de 2025.
Qual dado mais chamou sua atenção nessa queda do desemprego no fim de 2025 — as diferenças entre estados, as disparidades por gênero e escolaridade, ou o avanço da renda e da formalização No seu estado, a situação melhorou, piorou ou ficou estável Deixe seu comentário e participe do debate.
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