Suprema Corte dos EUA barra tarifaço de Trump, alívio bilionário da CNI estima isenção de US$ 21,6 bilhões em exportações do Brasil e aponta cautela sobre novos riscos
Decisão judicial nos EUA derruba tarifas recíprocas e projeta isenção de US$ 21,6 bilhões para vendas brasileiras, segundo CNI, com dados de 2024 da USITC
A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou o chamado tarifaço aplicado pelo presidente Donald Trump sobre importações de alguns países. A medida, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), isenta o equivalente a US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras para o mercado norte-americano. A estimativa foi feita com base em dados de 2024 da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC).
As sobretaxas impostas por Trump sobre determinados produtos variavam de 10% a 40%, e foram alvo da decisão judicial que atingiu principalmente as chamadas tarifas recíprocas, consideradas o núcleo da estratégia tarifária do governo. Outras tarifas ainda em vigor, como as incidentes sobre aço e alumínio, não foram afetadas pela deliberação do tribunal.
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Após o veredito, Trump classificou a decisão como “uma vergonha” e afirmou que usará um novo instrumento legal para aplicar uma tarifa global de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato. O republicano disse também ter “métodos ainda mais fortes” para impor novas tarifas e que “outras saídas serão usadas”, segundo reportou o G1 em 21 de fevereiro de 2026.
Para a indústria brasileira, o impacto potencial é relevante, dado o peso dos Estados Unidos como parceiro comercial do Brasil. Ainda assim, a avaliação inicial é de atenção e cautela, em razão dos possíveis desdobramentos e eventuais alterações que possam surgir a partir das reações da Casa Branca.
Impacto imediato no comércio Brasil–EUA
De acordo com a CNI, a derrubada das tarifas recíprocas representa um alívio direto sobre US$ 21,6 bilhões em vendas externas do Brasil aos EUA. Na prática, a decisão reduz o custo de entrada de parte relevante dos produtos brasileiros, o que pode ampliar competitividade e preservar margens.
Esse montante reflete operações que estavam sob risco de sobretaxas entre 10% e 40%, elevando preços e encurtando espaço para negócios. A reversão pelo Judiciário americano tende a restabelecer condições de mercado mais previsíveis para os exportadores do país.
Segundo o G1, a Corte concentrou o alcance da decisão nas tarifas recíprocas, eixo da estratégia tarifária adotada pelo governo. Esse recorte reforça que o alívio é substancial, mas não total, pois há medidas tarifárias relevantes que seguem ativas.
O que caiu e o que continua em vigor
A decisão atingiu a política de tarifas recíprocas, derrubando sobretaxas previstas nessa frente. É nesse grupo que estavam os aumentos de 10% a 40% sobre alguns produtos brasileiros, agora barrados pela Justiça dos EUA.
Por outro lado, tarifas já aplicadas sobre aço e alumínio não foram afetadas pelo julgamento. Isso significa que exportadores desses segmentos continuam a enfrentar custos extras, sem alteração imediata deste quadro, conforme noticiado pelo G1.
O que diz a CNI e como o setor monitora
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o efeito sobre o comércio brasileiro é significativo diante da relevante parceria entre Brasil e Estados Unidos. Ele ressaltou que a entidade acompanha o caso com atenção e cautela, reconhecendo a importância de analisar os desdobramentos regulatórios antes de projeções definitivas.
Alban indicou que a indústria seguirá monitorando o cenário para mensurar com maior precisão os impactos no curto e no médio prazos. O avanço ou recuo de eventuais novas medidas americanas será determinante para consolidar os ganhos agora estimados.
Essa estratégia de acompanhamento reflete o ambiente de incerteza regulatória internacional, em que decisões judiciais e atos do Executivo podem alterar a dinâmica de custos e contratos rapidamente, impactando a formação de preços e a logística de exportação.
Como foi calculada a estimativa da CNI
A CNI informou que o valor de US$ 21,6 bilhões tem lastro em dados de 2024 da USITC, que mapeiam o fluxo de comércio afetado pelas medidas derrubadas. O cálculo considera o conjunto de itens brasileiros expostos às tarifas recíprocas e às respectivas alíquotas que chegavam a 40%.
Trata-se de uma estimativa técnica para dimensionar o efeito imediato da decisão judicial sobre as vendas externas brasileiras. O número pode ser revisto à medida que surgirem novas informações sobre o alcance prático do veredito e eventuais mudanças anunciadas pelo governo dos EUA.
Reação de Trump e próximos movimentos
Depois da decisão, Trump disse que o julgamento foi “uma vergonha” e sinalizou que planeja uma tarifa global de 10% sobre importados, com efeito imediato, conforme o G1. O republicano também afirmou que dispõe de “métodos ainda mais fortes” e que “outras saídas serão usadas” para reforçar sua política comercial.
Essas declarações indicam que o ambiente pode continuar volátil, elevando a necessidade de planejamento de risco por parte de exportadores. Caso novas medidas avancem, o custo de acesso ao mercado americano pode voltar a subir, ainda que por caminhos diferentes daqueles derrubados pela Corte.
O que observar nos próximos meses
Empresas brasileiras devem acompanhar eventuais atos normativos e prazos de implementação de novas tarifas anunciadas pelo governo dos EUA. Mudanças rápidas podem impactar cadeias de suprimentos, contratos e a precificação de cargas no porto de destino.
Do lado institucional, agentes públicos e entidades setoriais tenderão a manter diálogo com autoridades americanas para mitigar incertezas. A CNI reforçou que seguirá avaliando os impactos, o que pode orientar ajustes táticos em mercados e produtos prioritários.
Enquanto as tarifas recíprocas permanecem derrubadas, o foco se volta à execução prática da decisão e ao comportamento dos preços. Uma eventual tarifa global de 10% alteraria novamente o tabuleiro, exigindo respostas rápidas de gestão comercial e cambial.
O que você achou da decisão e das reações anunciadas por Trump? A isenção estimada de US$ 21,6 bilhões traz alívio real ou a possibilidade de uma tarifa global de 10% recoloca o risco no mesmo patamar? Deixe seu comentário e participe do debate sobre os efeitos no comércio Brasil–EUA.
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