Empresas aceleram enxugamento da média gerência mesmo com mercado de trabalho aquecido, reorganizam estruturas e reforçam equipes técnicas para ganhar eficiência e reduzir custos
Com vagas em alta e folha mais enxuta, empresas reduzem camadas de gestão e priorizam especialistas para acelerar decisões e cortar despesas
O corte de cargos de gerência ganhou força em diferentes setores, mesmo com o mercado de trabalho aquecido e saldo positivo de contratações formais. De acordo com o Economic News Brasil, companhias têm reestruturado hierarquias para simplificar decisões e direcionar orçamento a funções técnicas e de receita.
Levantamentos recentes indicam que a tendência é global e mira eficiência operacional. Segundo o IBGE, a taxa de desocupação esteve em patamar historicamente mais baixo em 2024, enquanto o Caged registrou criação líquida de empregos formais ao longo do ano, um cenário típico de aquecimento.
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Nesse contexto, a decisão de reduzir a média gerência aponta para um ajuste fino de custos e velocidade. Relatórios de consultorias como McKinsey e Gartner descrevem movimentos de “delayering”, a retirada de camadas hierárquicas para encurtar fluxos de aprovação e ampliar a autonomia dos times.
Profissionais de gestão permanecem demandados, mas com escopo diferente. A figura do gestor mais técnico, próximo da operação e com metas de entrega claras, substitui estruturas antigas baseadas em coordenação extensa e múltiplos níveis intermediários.
O que está por trás do corte de gerência
Especialistas apontam três vetores principais. Primeiro, a busca por produtividade e redução de despesas fixas, com reequilíbrio entre estrutura corporativa e equipes de entrega, conforme análises recorrentes da McKinsey sobre reestruturação organizacional.
Segundo, a automação de rotinas administrativas e o avanço de ferramentas digitais e de IA que reduzem parte do trabalho de supervisão e reporte. Estudos da Deloitte em 2024 destacam que tecnologias de automação e análise de dados permitem organizar times com menos camadas intermediárias.
Terceiro, a adoção de modelos ágeis e squads multifuncionais, que favorecem líderes mais “mão na massa”. A Gartner descreve que companhias vêm simplificando organogramas para acelerar a entrega de produtos e melhorar a experiência do cliente, diminuindo o tempo entre decisão e execução.
Setores mais afetados e onde as vagas crescem
Movimentos de enxugamento são visíveis em tecnologia, serviços financeiros, varejo e indústria, sobretudo em áreas corporativas e administrativas. Ao mesmo tempo, há reforço de times técnicos e de geração de receita, como engenharia, dados, vendas consultivas e operações.
Relatórios de mercado de trabalho do LinkedIn e guias salariais da Robert Half mostram maior procura por especialistas com competências digitais e comerciais. Em paralelo, funções de gestão puramente intermediária perdem espaço para papéis híbridos, que combinam liderança, métricas e contribuição direta.
Impactos em salários, carreira e bem-estar
A reconfiguração comprime faixas salariais de níveis médios e amplia a responsabilidade de quem permanece. A lógica é concentrar gestão em menos líderes, com metas claras, bônus atrelados a performance e foco em ROI das iniciativas.
Para a carreira, cresce o valor de trajetórias em “Y”, que permitem ao profissional evoluir como especialista sênior ou como líder técnico, sem depender de múltiplas promoções hierárquicas. Segundo a Robert Half, empresas tendem a premiar competências mensuráveis e impacto direto no negócio.
Há também atenção ao bem-estar dos gestores remanescentes. A Gartner tem alertado para a sobrecarga de líderes com times maiores e ritos mais intensos de entrega, o que pressiona indicadores de engajamento e pode elevar risco de rotatividade.
Por outro lado, a simplificação pode reduzir reuniões, camadas de reporte e ineficiências crônicas. Organizações que treinam líderes para delegar, priorizar e operar com dados costumam capturar ganhos sem elevar exaustão, segundo análises da McKinsey sobre aceleração de performance.
Na remuneração, bônus e participação nos resultados ganham peso. Isso alinha interesse entre empresa e liderança, mas exige clareza de metas e governança para evitar metas inalcançáveis ou desalinhadas com a estratégia.
Como profissionais de gerência podem se adaptar
Ajustes de carreira passam por atualizar habilidades técnicas e de negócio. Competências em produto, finanças para não financeiros, análise de dados, experiência do cliente e operação enxuta ajudam a demonstrar valor direto.
Outro ponto é comprovar entrega com métricas. Indicadores como custo por aquisição, margem por cliente, eficiência de ciclo e NPS tornam o debate menos subjetivo e sustentam a continuidade do papel de liderança.
Por fim, vale reforçar práticas de gestão de pessoas, inclusive coaching e feedback frequente. Relatórios do LinkedIn destacam que lideranças que desenvolvem times e habilidades transversais sustentam resultados e retenção, mesmo em estruturas mais planas.
O que observar nos próximos meses
A continuidade do delayering dependerá de produtividade, custos de capital e evolução da automação. Se a eficiência de times técnicos seguir subindo, a pressão por menos camadas tende a continuar, apontam análises da Deloitte e da Gartner.
No Brasil, dados do IBGE e do Caged serão termômetros do fôlego do emprego em 2025. Mesmo com mercado aquecido, a alocação de orçamento deve seguir favorecendo especialistas e funções ligadas à receita, enquanto a média gerência se torna mais enxuta e técnica.
Como você tem percebido esse movimento na sua empresa ou setor? Seu escopo como gestor mudou, aumentou ou migrou para uma função mais técnica? Deixe seu comentário e conte quais competências têm sido mais decisivas para manter relevância e crescer na carreira.
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