Suspeita em concurso da Câmara de Goiânia cresce após funcionário ligado ao Instituto Verbena ficar em 1º lugar, e Ministério Público abrir investigação
Seleção com 62 vagas e salários acima de R$ 10 mil entrou na mira das autoridades após a aprovação de um candidato ligado à banca organizadora
O concurso da Câmara Municipal de Goiânia, realizado em 15 de março de 2026, passou a ser investigado pelo Ministério Público de Goiás depois que um funcionário ligado ao Instituto Verbena, banca responsável pelo certame, apareceu em 1º lugar para o cargo de administrador. A seleção ofereceu 62 vagas e atraiu cerca de 34 mil candidatos.
O aprovado é Luã Lírio de Souza Cruz, servidor da Universidade Federal de Goiás. O cargo para o qual ele foi classificado em primeiro lugar tem salário de R$ 10.059,32, valor que aumentou a repercussão do caso e a cobrança por explicações.
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Até o momento, o concurso segue válido e não foi suspenso. Mesmo assim, a apuração pode ter impacto direto no resultado final, inclusive com possibilidade de medidas mais duras caso sejam encontradas irregularidades.
Ligação de Luã Lírio de Souza Cruz com o Instituto Verbena aumentou a desconfiança sobre a lisura do concurso
A investigação ganhou força porque Luã já atuou no Instituto Verbena, responsável pela elaboração, aplicação e correção das provas da Câmara de Goiânia. Embora ele tenha sido cedido à Defensoria Pública da União em janeiro de 2024, antes do início da organização do concurso, registros mostram que ele continuou aparecendo em atividades ligadas ao instituto.
Um dos pontos mais sensíveis da apuração é a participação dele em eventos representando o Verbena no dia 10 de março de 2026, apenas cinco dias antes da prova. Essa proximidade temporal reforçou a suspeita de possível conflito de interesses em um certame de grande porte.
O contrato firmado entre a Câmara de Goiânia e o Instituto Verbena para a realização do concurso foi de cerca de R$ 2,6 milhões. Diante desse valor e da relevância institucional da seleção, a cobrança por transparência ficou ainda maior.
Ministério Público de Goiás apura se houve acesso antecipado a informações sigilosas e eventual vantagem indevida
A principal suspeita analisada é a de que o candidato possa ter tido acesso antecipado a informações da prova, o que teria favorecido sua aprovação em primeiro lugar. Se isso for confirmado, o caso pode ser enquadrado como fraude em processo seletivo e também como improbidade administrativa.
A apuração está sob responsabilidade do promotor Astúlio Gonçalves de Souza. Entre as medidas possíveis, está até mesmo um pedido de anulação do concurso, caso fiquem comprovadas irregularidades capazes de comprometer a lisura da seleção.
Outro ponto citado na investigação envolve Makes Paulo, companheiro de Luã e guarda civil metropolitano, que também atua no Instituto Verbena. A relação entre os dois e o vínculo com a banca organizadora passaram a ser considerados no conjunto de elementos analisados pelo Ministério Público.
Câmara de Goiânia, Instituto Verbena e UFG se manifestam, mas seleção continua sem suspensão
A Câmara Municipal de Goiânia informou que encaminhou o caso ao Ministério Público. A Comissão Permanente de Concurso Público também solicitou providências para a apuração completa dos fatos.
Em sua manifestação, o Instituto Verbena afirmou que Luã comunicou previamente um possível conflito de interesses. A instituição disse ainda que ele foi afastado de atividades relacionadas ao concurso, teve os acessos aos sistemas do certame bloqueados e foi alvo de uma auditoria interna, que não identificou participação dele na organização dessa prova específica.
Já a Universidade Federal de Goiás informou que vai apurar o caso e adotar as medidas cabíveis se houver confirmação de irregularidades. Enquanto isso, o concurso da Câmara de Goiânia continua em vigor, mesmo sob forte questionamento público.
Resultado do concurso da Câmara de Goiânia pode ter desdobramentos jurídicos e administrativos nas próximas semanas
O caso reúne elementos que costumam gerar grande repercussão em concursos públicos, especialmente quando há suspeita de vínculo entre candidato e banca examinadora. Em seleções com milhares de inscritos, qualquer indício de favorecimento costuma colocar em xeque a confiança de quem disputou as vagas em condições regulares.
Se a investigação concluir que não houve acesso indevido nem interferência na prova, o resultado tende a ser mantido. Mas, se surgirem provas de vantagem irregular, o impacto pode atingir não só o aprovado, como também a própria validade do certame.
A discussão já ultrapassou a esfera administrativa e entrou no debate sobre credibilidade, fiscalização e segurança em concursos públicos. Se quiser, deixe seu comentário sobre o caso e diga se, na sua avaliação, a investigação já é suficiente para justificar a anulação da seleção.
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