Coalizão com Equinix Foundation, Odata, Cisco, Vertiv e Generation lança programa no Brasil para formar técnicos de data centers e ampliar empregabilidade
Nova coalizão empresarial lança capacitação nacional em data centers, com turmas já previstas e foco em empregabilidade e inclusão
Uma coalizão global formada por Equinix Foundation, Odata, Cisco, Vertiv e a organização sem fins lucrativos Generation anunciou, em 25 de março de 2026, o início de um programa de formação voltado ao ecossistema de data centers no Brasil. A iniciativa busca qualificar trabalhadores e conectá-los a vagas num mercado que cresce com computação em nuvem, inteligência artificial e produção acelerada de dados.
O projeto prevê cofinanciamento de treinamentos, desenho de currículos alinhados à demanda das empresas e a contratação de parte dos formandos. A proposta é atender às necessidades imediatas do setor e, ao mesmo tempo, criar um pipeline sustentável de talentos técnicos.
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As duas primeiras turmas começam em junho e outubro, com 50 alunos na etapa inicial para funções como técnico de operações e suporte de TI. O objetivo declarado é criar trilhas formativas práticas, com rápida inserção profissional e acompanhamento após a certificação.
Em comunicado conjunto, as entidades afirmam que a demanda por mão de obra especializada tornou-se um desafio que “não se resolve de forma isolada”. A coalizão atua para padronizar competências, conectar candidatos a oportunidades e acelerar contratações qualificadas.
Inscrições previstas para abril, divulgação pelos canais da Generation Brasil e apoio à colocação
As inscrições no Brasil estão previstas para abril, com a divulgação feita pelos canais da Generation Brasil. O programa prevê suporte ativo à inserção no mercado de trabalho após a formação, com orientação de carreira e aproximação com empregadores parceiros.
Nesta fase inicial, são 50 vagas distribuídas em trilhas voltadas ao chão de operação dos data centers, como técnico de operações e suporte de TI. A seleção busca ampliar o acesso de pessoas de comunidades com menor presença no setor, reforçando o caráter inclusivo da iniciativa.
Parcerias empresariais definem currículos, cofinanciam treinamentos e projetam expansões a partir de 2026
O desenho curricular será feito em conjunto pelas empresas participantes, priorizando competências técnicas e comportamentais exigidas no dia a dia de operação dos data centers. O cofinanciamento permite reduzir barreiras de entrada e acelerar a formação aplicada, enquanto a contratação de egressos fecha o ciclo de empregabilidade.
Segundo as organizações, a coalizão pretende servir de modelo escalável, com expansão para outros países a partir de 2026. A estratégia busca alinhar padrões formativos e metas de contratação em diferentes mercados, mantendo a conexão direta com as áreas técnicas das companhias.
Para Andrea Matsui, CEO da Generation Brasil, a ação conecta demanda econômica e impacto social. Em suas palavras, os data centers são “a espinha dorsal da economia digital”, e estruturar formação qualificada cria “caminhos concretos de mobilidade social” em uma área estratégica para o País.
Na mesma linha, Victor Arnaud, managing director da Equinix Brasil e membro do Conselho da Equinix Foundation, reforça que o crescimento do setor deve vir acompanhado do desenvolvimento das comunidades do entorno. A coalizão, afirma ele, acelera esse ajuste entre expansão de infraestrutura e inclusão produtiva.
Demanda por mão de obra cresce com nuvem e IA, Brasil tem 163 instalações e concentração em São Paulo
O avanço do mercado de data centers no Brasil é sustentado por nuvem, IA e tráfego de dados em alta. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o País ocupa a 11ª posição mundial em número de instalações, com cerca de 163 unidades em operação, majoritariamente no estado de São Paulo.
O movimento vem acompanhado de planos robustos de expansão. Há previsão de investimentos de até R$ 60 bilhões nos próximos quatro anos, podendo chegar a R$ 100 bilhões em cenários mais otimistas, segundo dados da JP Morgan. Essa trajetória pressiona por qualificação e abre espaço para a rápida absorção de profissionais formados.
Inclusão e mobilidade social ganham centralidade, com suporte pós-formação e rotas de carreira
Um dos pilares da coalizão é ampliar o acesso a empregos qualificados para grupos historicamente sub-representados na tecnologia. A iniciativa prevê suporte após a conclusão dos cursos, o que inclui mentoria, preparação para entrevistas e conexão com empregadores parceiros.
Ao integrar formação técnica, apoio à transição de carreira e perspectiva de contratação, o programa busca reduzir o desalinhamento entre oferta e demanda de talentos. A abordagem também fortalece competências socioemocionais, importantes para o trabalho em ambientes críticos e altamente padronizados.
Com a infraestrutura digital em expansão, a aposta das empresas é que a capacitação contínua eleve a produtividade, reduza lacunas operacionais e aumente a diversidade no setor. A coalizão se coloca como um mecanismo de coordenação capaz de acelerar resultados tangíveis em empregabilidade e qualidade de serviço.
Queremos ouvir você. A formação técnica com foco em empregabilidade é o caminho mais eficiente para suprir a demanda dos data centers no Brasil, ou faltam outras políticas para acelerar contratações? Deixe seu comentário e conte sua visão sobre como ampliar o acesso a essas oportunidades.
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