Canhão centrifugo da SpinLaunch desafia o modelo dos foguetes tradicionais com lançamentos sem combustível, promessa de até cinco tiros por dia e satélites que resistem a 10.000 G
Startup da Califórnia testa no deserto do Novo México um sistema que promete reduzir custos e emissões ao lançar microsatélites sem queimar combustível
SpinLaunch, uma startup baseada na Califórnia, vem desenvolvendo um protótipo de canhão centrifugo que já é testado no deserto do Novo México. A proposta é acelerar cargas úteis por meio de um braço rotativo dentro de uma câmara de vácuo e liberá‑las em alta velocidade rumo à alta atmosfera.
Nos testes suborbitais realizados até agora a empresa comprovou o princípio do sistema, embora ainda não tenha alcançado inserção orbital completa. Segundo a própria SpinLaunch, a energia para o disparo vem da rede elétrica, o que pode reduzir emissões se a eletricidade for de fontes renováveis.
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O conceito quebra décadas de prática dos lançamentos à base de foguetes, ao trocar combustíveis químicos por energia mecânica acumulada por rotação. A ideia é simples no desenho, mas exige soluções complexas de engenharia e novos designs de satélites.
O modelo promete cadência muito maior de lançamentos e custos distintos, mas traz desafios significativos em resistência estrutural, controle de tráfego espacial e regulação ambiental.
Como funciona o canhão centrifugo da SpinLaunch e quais são os componentes essenciais do sistema
Visualmente o sistema se parece com um grande disco vertical fechado. Dentro há um braço metálico que funciona como uma catapulta de alta velocidade, girando em uma câmara com vácuo parcial para reduzir atrito com o ar.
Um motor elétrico acelera o braço até que a ponta atinja velocidades de milhares de quilômetros por hora. Quando uma abertura na carcaça se alinha com o braço, um mecanismo libera a carga útil em direção ao céu.
Na fase atual os voos são suborbitais, usados para validar materiais, eletrônicos e a própria estrutura da máquina. A expectativa da empresa é construir versões maiores que lancem projéteis capazes de completar a inserção orbital com um pequeno motor auxiliar.
De acordo com a SpinLaunch, o sistema evita a queima direta de propelentes durante a subida, transferindo o consumo energético para a rede elétrica.
Desafios técnicos e a necessidade de satélites projetados para resistir a acelerações de até 10.000 G
O maior custo desse método está no que ele impõe aos satélites. Os projéteis enfrentam acelerações de até 10.000 G, o que exige repensar completamente a engenharia das cargas úteis.
Para efeito de comparação, passageiros e cargas em foguetes convencionais experimentam algo entre 3 e 5 G na maior parte do voo, podendo chegar a 8 ou 9 G em situações extremas. Em 10.000 G, um componente de 1 kg se comporta como se pesasse 10 toneladas.
Para contornar isso a SpinLaunch desenvolve satélites menores e robustos, com cerca de 2,3 metros de diâmetro e massa em torno de 70 kg cada. Esses dispositivos têm formato achatado e eletrônicos encapsulados para suportar compressões intensas.
O desenho dos satélites passa a priorizar simplicidade estrutural, menos partes móveis e fabricação em série, permitindo que várias unidades viaje_m empilhadas dentro de um único módulo e sejam liberadas em órbita.
Impacto econômico e ambiental com até cinco lançamentos por dia e custo estimado por quilograma
Se o sistema atingir a escala operacional prevista, a SpinLaunch promete até cinco lançamentos por dia, uma cadência muito superior à de foguetes comerciais tradicionais. Isso pode reduzir o custo por unidade e permitir renovação rápida de constelações na órbita baixa.
Estimativas iniciais citadas pela empresa colocam o custo por quilograma entre US$ 1.250 e US$ 2.500. Esse intervalo ainda é relevante, mas tende a ser competitivo para cargas pequenas e rotineiras.
Do ponto de vista climático, a eliminação da combustão direta na fase inicial reduz emissões na alta atmosfera, especialmente se a eletricidade vier de fontes limpas. No entanto, a facilidade de colocar mais objetos em órbita aumenta o risco de colisões e de geração de lixo espacial.
Para que a tecnologia seja sustentável, será necessário combinar lançamento frequente com políticas rígidas de desorbitação, rastreio e descarte seguro ao fim da vida útil dos satélites.
Cenários futuros e possíveis combinações com outras tecnologias para acesso ao espaço
Uma possibilidade concreta é o uso do canhão centrifugo em arranjos híbridos, onde o disparo fornece a velocidade inicial e pequenos motores completam a inserção orbital. Esse formato pode reduzir massa de propelente e custos de foguetes tradicionais.
Ao mesmo tempo, o aumento na frequência de lançamentos pode democratizar o acesso ao espaço para empresas menores e governos com orçamentos mais modestos. Isso amplia oportunidades para serviços de comunicações e sensoriamento por satélite.
Porém, como alertam especialistas e a própria SpinLaunch, a tecnologia exige novos padrões de projeto de satélites e uma governança internacional mais rígida sobre tráfego e mitigação de detritos.
Dados técnicos, números de testes e estimativas de custos são fornecidos pela própria SpinLaunch e pelos resultados dos testes suborbitais no Novo México.
Deixe sua opinião e comente abaixo se você acredita que canhões centrifugos como o da SpinLaunch podem tornar o acesso ao espaço mais barato e sustentável ou se vão simplesmente aumentar o problema do lixo orbital. Queremos saber se você acha que reguladores devem agir antes que a cadência de lançamentos aumente.
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