BC privilegia ajustes finos e reduz pressa, Campos Neto diz que momento é de calibragem da política monetária para consolidar a desinflação e ancorar expectativas

BC privilegia ajustes finos e reduz pressa, Campos Neto diz que momento é de calibragem da política monetária para consolidar a desinflação e ancorar expectativas
BC privilegia "ajustes finos" e descarta movimentos bruscos para consolidar desinflação em 2026
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Em meio à desaceleração da inflação e a um cenário ainda incerto em 2026, o Banco Central sinaliza prudência e reforça a estratégia de ajustes graduais para a taxa de juros

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o momento é de calibragem da política monetária, e não de movimentos bruscos. A mensagem foi divulgada pela Agência Brasil em 11 de fevereiro de 2026 e reforça a opção por ajustes graduais na condução dos juros.

Segundo Campos Neto, a prioridade é consolidar a trajetória de desinflação e manter as expectativas ancoradas. A avaliação indica que o Comitê de Política Monetária (Copom) seguirá conduzindo a taxa Selic com parcimônia, à medida que novos dados forem confirmando o cenário projetado.

O recado chega em um ambiente que combina sinais mistos da atividade, choques de preços ainda monitorados e incertezas fiscais. De acordo com o Banco Central, decisões do Copom se baseiam no balanço de riscos, nas projeções e nas expectativas de inflação, elementos que exigem leitura cuidadosa a cada reunião.

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O que significa calibragem da política monetária

Na prática, calibrar a política monetária é promover ajustes finos no ritmo e na intensidade das decisões sobre juros para reduzir ruídos e evitar tanto um aperto excessivo quanto um estímulo exagerado. É uma forma de gerenciar riscos de curto e médio prazos sem perder de vista a meta de inflação de 3%, definida pelo Conselho Monetário Nacional para 2026, com banda de tolerância.

Segundo o próprio Banco Central, a eficácia da política monetária depende do tempo de transmissão dos juros para a economia real. Por isso, mudanças graduais ajudam a medir os efeitos acumulados do ciclo em curso, minimizando erros de avaliação e preservando a credibilidade da autoridade monetária.

Selic, inflação e balanço de riscos no radar

O Copom vem destacando que a condução da Selic responde à dinâmica do IPCA, às expectativas coletadas no Boletim Focus e às projeções internas do BC. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação acumulada deve continuar sendo observada com atenção, sobretudo em itens sensíveis a choques de oferta e à sazonalidade.

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O balanço de riscos segue central na tomada de decisão. Entre os fatores de alta, costumam aparecer novas pressões sobre alimentos e combustíveis ou uma economia global mais resiliente, que sustente preços de commodities elevados. Entre os fatores de baixa, um arrefecimento mais rápido da demanda doméstica e condições de crédito mais restritivas podem acelerar a desinflação.

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De acordo com a Agência Brasil, Campos Neto frisou que o estágio atual pede prudência e leitura de dados a cada reunião, sem pré-compromissos automáticos. O objetivo é garantir que o processo de queda da inflação se mantenha sustentável, com expectativas bem ancoradas ao redor da meta.

Fiscal e crédito, fatores que pesam nas decisões

O componente fiscal continua sendo uma variável relevante para o juro neutro e para as expectativas de inflação. Segundo comunicados do próprio Banco Central em 2025 e 2026, a trajetória das contas públicas interfere no prêmio de risco, na taxa de câmbio e, por consequência, na inflação projetada. A clareza sobre metas e execução orçamentária tende a reduzir ruídos e a facilitar uma calibragem mais previsível.

As condições de crédito e o comportamento do mercado de trabalho também entram na equação. Se a concessão desacelera e a inadimplência sobe, a atividade tende a esfriar mais rapidamente, o que pode reforçar o efeito desinflacionário. Em contrapartida, um mercado de trabalho aquecido e reajustes salariais acima da produtividade podem sustentar pressões em serviços, segmento sensível à política monetária.

O BC lembra que os efeitos dos juros são defasados e heterogêneos, atingindo primeiro os setores mais sensíveis ao custo do dinheiro. Por isso, movimentos graduais têm o papel de dosar impactos e permitir correções de rota quando necessário.

Próximos passos do Copom, sinais que o mercado observa

Os próximos passos da política monetária devem continuar sendo guiados por dados de inflação corrente, expectativas no Focus e projeções do modelo do BC divulgadas na ata do Copom e no Relatório de Inflação. Segundo o Banco Central, a comunicação transparente busca orientar o mercado sem eliminar a flexibilidade necessária diante de choques não antecipados.

A Agência Brasil destacou que o presidente do BC reforçou a necessidade de ajustes calibrados para evitar erros assimétricos. Em outras palavras, a autoridade monetária procura evitar tanto um relaxamento prematuro quanto um aperto prolongado que comprometa a atividade desnecessariamente.

Indicadores acompanhados com atenção

Entre os dados que tendem a ganhar peso nas próximas reuniões, estão a inflação de serviços, os núcleos de inflação e a evolução do câmbio. A leitura desses indicadores ajuda a separar choques transitórios de pressões persistentes e orienta a avaliação do BC sobre a desinflação subjacente.

Também estarão no radar os preços de commodities, a atividade global e a inflação em economias avançadas. Mudanças nesse quadro afetam as condições financeiras internacionais e podem alterar o canal externo de transmissão para o Brasil.

Comunicação, credibilidade e expectativas

Para o BC, preservar a credibilidade e manter as expectativas de inflação próximas da meta é condição essencial para cortes ou manutenções de juros com menor custo à economia. A comunicação é parte do instrumento: sinaliza intenções, reduz incertezas e dá previsibilidade ao processo de calibragem.

Segundo a própria autoridade monetária, a transparência aumenta a efetividade da política, pois agentes econômicos ajustam preços e salários de forma mais alinhada às metas. Isso reduz a necessidade de movimentos abruptos e fortalece os ganhos conquistados com a queda da inflação.

O que esperar do cenário adiante

Com a inflação em trajetória de queda e a atividade mostrando sinais heterogêneos em 2026, a mensagem central do BC é de cautela ativa. A prioridade, como ressaltado por Campos Neto à Agência Brasil, é consolidar a desinflação, ancorar expectativas e ajustar o passo do ciclo conforme os dados confirmem o cenário.

Em termos práticos, o mercado seguirá atento a cada publicação do IBGE, às revisões do Boletim Focus e aos comunicados do Copom. Mudanças relevantes nesses indicadores podem alterar a avaliação de balanço de riscos e, consequentemente, o ritmo de decisões sobre a Selic.

No balanço, a estratégia de calibragem tende a reduzir a probabilidade de erros grandes e a preservar a previsibilidade. Ao mesmo tempo, mantém aberta a possibilidade de ajustes, caso o ambiente global ou doméstico surpreenda.

No seu entendimento, o Banco Central deve manter o ritmo atual de ajustes graduais na Selic ou já é hora de acelerar ou desacelerar o passo? Como você enxerga o peso do cenário fiscal e dos preços de serviços nessa calibragem em 2026?

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Sobre o Autor

Ana Paula Araújo
Ana Paula Araújo

Ana Paula Araújo escreve diariamente sobre o mercado de trabalho, mantendo os leitores informados sobre vagas de emprego e concursos públicos, especialmente nas modalidades Home Office e Híbridas.

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