Brasil senta sobre riquezas de vento, sol e biomassa, mas especialistas cobram medidas imediatas para destravar renováveis e evitar perder um bonde histórico do desenvolvimento

Parque eólico e usina solar no Nordeste do Brasil ao entardecer, com torres e painéis conectados à rede de transmissão
Eólica e solar ganham espaço, mas expansão depende de rede e regras estáveis
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Alerta de especialistas reforça que o país reúne recursos naturais e cadeia produtiva, mas precisa acelerar regras, redes e investimentos para ampliar a geração limpa de forma competitiva

Especialistas ouvidos pela imprensa nacional apontam que o Brasil corre o risco de perder uma janela histórica na transição energética se não tirar do papel medidas que facilitem a expansão das energias renováveis. Segundo a Folha de S.Paulo, a avaliação é de que o país tem recursos abundantes, como vento e sol de alta qualidade, mas enfrenta entraves regulatórios e de infraestrutura que atrasam projetos.

O diagnóstico converge com análises de organismos reconhecidos. De acordo com a Agência Internacional de Energia, as economias que criarem regras estáveis, ampliarem redes de transmissão e garantirem financiamento competitivo tendem a capturar mais investimentos e empregos na próxima década. O Brasil reúne condições naturais e industriais para liderar a região, mas precisa acelerar a execução.

Em relatório recente, a Empresa de Pesquisa Energética destacou que o planejamento até 2032 prevê aumento expressivo da geração solar e eólica, com reforços na malha de transmissão. O desafio é transformar previsões em obras, evitando sobrecarga em linhas existentes e atrasos por licenciamento e insegurança jurídica.

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O avanço não é apenas ambiental. Como apontam estudos do BNDES, um ciclo robusto de investimentos em renováveis e equipamentos pode impulsionar o emprego industrial, ampliar exportações e reduzir custos de energia para a economia, elevando a competitividade de longo prazo.

O alerta, o risco e o contexto do Brasil

Segundo a Folha de S.Paulo, a mensagem central dos especialistas é clara, o país tem uma vantagem natural rara, mas precisa agir agora para convertê-la em liderança econômica. O atraso pode deslocar fábricas, projetos e capital para outros mercados com regras mais previsíveis e infraestrutura pronta.

O pano de fundo é um cenário global de corrida por investimentos limpos. Em 2023, a BloombergNEF estimou um novo recorde mundial de aportes na transição energética, reforçando a competição por cadeias de suprimento, crédito e tecnologia. Quem oferecer segurança regulatória e conexão rápida à rede tende a atrair os próximos ciclos de capital.

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Gargalos que freiam a expansão de eólica e solar

Especialistas citam três travas recorrentes, licenciamento moroso e pouco coordenado, atrasos em obras de transmissão e incertezas regulatórias que afetam o apetite de investidores. Esses fatores elevam custos, alongam prazos e podem inviabilizar projetos em regiões com melhor recurso eólico e solar.

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De acordo com a EPE, rotas de escoamento no Nordeste e no Centro-Oeste precisam de reforços estruturais para acomodar novos parques. Sem linhas disponíveis, projetos ficam prontos mas não conseguem despachar totalmente, situação que onera o sistema e desestimula novos empreendimentos.

Há também desafios de conexão para a geração distribuída e para usinas de menor porte. Segundo a Aneel, pedidos concentrados em determinados pontos da rede exigem planejamento de capacidade de curto prazo e regras claras de priorização e garantia de acesso.

Transmissão, leilões e financiamento

O Operador Nacional do Sistema tem registrado recordes de geração eólica e solar nos últimos anos, mas ressalta que a confiabilidade do atendimento depende da expansão coordenada das redes. Novos leilões de transmissão foram retomados para aliviar gargalos e antecipar conexões em corredores estratégicos.

Do lado da oferta, leilões de energia de longo prazo dão previsibilidade para a indústria e para financiadores. Segundo o BNDES, contratos estáveis reduzem o custo de capital e permitem maior conteúdo nacional em pás, torres, estruturas e componentes, criando um ciclo virtuoso de investimento e emprego.

O mercado livre também segue relevante, com contratos corporativos de longo prazo sustentando a expansão de eólica e solar. Porém, especialistas defendem sinais de preço e regras de lastro e energia que reflitam a variabilidade das fontes e valorizem flexibilidade, armazenamento e gestão da demanda.

Em 2023, a BloombergNEF indicou que o custo de capital é um diferencial competitivo entre países. Linhas verdes, garantias e debêntures incentivadas podem reduzir o spread financeiro, enquanto estabilidade regulatória e previsibilidade tributária evitam prêmios de risco desnecessários.

De acordo com a EPE e o MME, a combinação de leilões, modernização do mercado e expansão de transmissão é o tripé para sustentar a transição energética com segurança e preço acessível. A execução disciplinada desses pilares é vista como determinante para não perder terreno global.

Novas frentes, eólica offshore e hidrogênio verde

O Brasil também mira a eólica offshore e o hidrogênio verde, áreas com potencial exportador e de descarbonização industrial. O Decreto 10.946, de 2022, estabeleceu diretrizes iniciais para o uso de áreas no mar para geração elétrica, e o marco legal específico segue em discussão no Congresso, segundo a Câmara dos Deputados.

Para o hidrogênio, programas federais e estaduais desenham hubs e incentivos, mas investidores pedem regras claras de certificação, rastreabilidade e conexão com mercados compradores. Segundo a Agência Internacional de Energia, marcos robustos de medição e verificação são essenciais para o acesso a prêmios internacionais e contratos de longo prazo.

Indústria nacional, empregos e conteúdo local

Há uma oportunidade de reindustrialização verde ao ampliar a produção doméstica de módulos, inversores, aerogeradores, cabos e sistemas. Estudos do BNDES e da CNI apontam que previsibilidade de demanda e política industrial coordenada estimulam investimentos fabris e qualificação de mão de obra.

Especialistas defendem equilíbrio no conteúdo local, com metas realistas que desenvolvam fornecedores sem elevar demais os custos. De acordo com o Observatório da Indústria, programas de formação técnica e parcerias com universidades aceleram a difusão tecnológica e aumentam a produtividade.

No campo do trabalho, a expansão de renováveis cria vagas em montagem, operação, manutenção, engenharia e logística. Segundo estimativas setoriais consolidadas pela EPE, estados do Nordeste e do Sul tendem a concentrar novas oportunidades, dada a qualidade do vento e a infraestrutura já instalada.

Para capturar empregos de maior valor, o país precisa alinhar incentivos à inovação, fortalecer centros de testes e atrair P&D das multinacionais que já operam no mercado. Esse movimento reduz dependência externa e consolida o Brasil como polo exportador de tecnologia limpa.

O que especialistas sugerem como próximos passos

As recomendações recorrentes incluem acelerar licenças com coordenação ambiental, ampliar e antecipar leilões de transmissão, e dar previsibilidade plurianual a leilões de energia. Também ganha força o aprimoramento do marco de eólica offshore e a definição de padrões de certificação para o hidrogênio verde.

Segundo a EPE e o ONS, é crucial integrar expansão de geração, redes e armazenamento, com sinalização de preço que valorize flexibilidade e confiabilidade. Para investidores, estabilidade regulatória, linhas de crédito competitivas e segurança jurídica são fatores decisivos para escalar projetos.

Como resume a avaliação publicada pela Folha de S.Paulo, o Brasil tem o que o mundo procura, mas precisa transformar discurso em execução. Com regras claras, obras de rede e financiamento acessível, o país evita perder o bonde histórico e consolida uma vantagem competitiva duradoura na transição energética.

O que você acha, o Brasil está se movendo rápido o suficiente ou está deixando oportunidades passarem para outros países com regras mais claras e obras mais adiantadas? Deixe seu comentário e participe do debate, trazendo exemplos do que funciona e do que ainda trava projetos nas regiões. Sua experiência pode ajudar a mostrar onde estão as soluções e onde o sistema ainda emperra.

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Sobre o Autor

Ana Paula Araújo
Ana Paula Araújo

Ana Paula Araújo escreve diariamente sobre o mercado de trabalho, mantendo os leitores informados sobre vagas de emprego e concursos públicos, especialmente nas modalidades Home Office e Híbridas.

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