Gatos domésticos revelam mutações genéticas que ajudam a entender o câncer humano e apontam caminhos para tratamento
Estudo analisou tumores de quase 500 gatos em cinco países e encontrou semelhanças genéticas relevantes para humanos
Pesquisa foi publicada em 19 de fevereiro de 2026 na revista Science e tem coautoria de Geoffrey Wood da Universidade de Guelph
Um estudo internacional que examinou tumores de quase 500 gatos domésticos em cinco países trouxe evidências de que parte da genética do câncer felino se sobrepõe à dos humanos. O trabalho foi publicado em 19 de fevereiro de 2026 na revista Science e é apontado pelos autores como um avanço importante no conhecimento sobre tumores em animais de companhia.
A pesquisa mapeou alterações genéticas em múltiplos tipos de câncer felino e identificou genes que atuam como motores da doença. Segundo os autores, isso transforma a genética dos tumores nos pets de uma espécie de “caixa preta” em um conjunto de dados que pode orientar prevenção e tratamentos.
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O estudo envolveu amostras de tumores de quase 500 gatos domésticos coletadas em cinco países, com análise comparativa às alterações observadas em cânceres humanos e caninos. Geoffrey Wood, professor de patobiologia da Universidade de Guelph e coautor sênior, afirmou que os resultados ajudam a entender como o ambiente e a genética interagem para aumentar o risco de câncer.
Os achados podem ter implicações práticas para clínicas veterinárias e centros de pesquisa oncológica humana, especialmente na identificação de terapias já existentes que se mostrem mais eficazes em subtipos genéticos específicos.
Identificação do gene FBXW7 como principal condutor em tumores mamários felinos e ligação com pior prognóstico humano
Entre os resultados mais relevantes está a identificação do gene FBXW7 como o condutor mais comum no câncer de mama de gatas. Os pesquisadores relatam que mais de 50% dos tumores mamários felinos apresentaram mutação nesse gene, uma frequência alta que chamou atenção da equipe.
Em humanos, mutações em FBXW7 já foram associadas a um pior prognóstico no câncer de mama, e o estudo observou um padrão semelhante nas gatas analisadas. Essa correspondência entre espécies reforça a importância do gene como alvo de estudos translacionais.
Outras semelhanças genéticas entre tumores felinos e humanos e implicações para prevenção e tratamento
Além do câncer de mama, os pesquisadores encontraram semelhanças em mutações condutoras observadas em tumores de sangue, ossos, pulmões, pele, trato gastrointestinal e sistema nervoso central. Esses paralelos sugerem que mecanismos moleculares básicos podem ser compartilhados entre espécies diferentes.
O estudo também aponta que gatos e seus tutores muitas vezes estão expostos a riscos ambientais semelhantes, o que pode explicar parte das causas comuns de câncer. Essa observação reforça a necessidade de considerar fatores ambientais domésticos nas estratégias de prevenção, tanto para pets quanto para humanos.
Uma descoberta promissora foi a resposta diferencial a certos medicamentos quimioterápicos em tumores mamários de gatas com mutação em FBXW7. Embora essa resposta tenha sido observada apenas em amostras de tecido, os autores acreditam que a informação pode guiar testes clínicos futuros para avaliar eficácia terapêutica em diferentes espécies.
Sobre a metodologia e o alcance do estudo
A pesquisa compilou e analisou amostras tumorais de quase 500 gatos de ambientes domésticos em cinco países, usando técnicas genômicas para identificar mutações condutoras. Os detalhes metodológicos, análises estatísticas e a lista completa de autores e instituições constam do artigo publicado na revista Science em 19 de fevereiro de 2026.
Segundo Geoffrey Wood, coautor sênior e professor de patobiologia da Universidade de Guelph, o trabalho abre caminho para estudos que relacionem exposição ambiental, genética e resposta a tratamentos. Ele ressalta que entender por que o câncer surge em diferentes espécies pode ajudar a prevenir e tratar a doença de forma mais eficaz.
O estudo representa um passo significativo para integrar dados veterinários e humanos na luta contra o câncer, com potencial para influenciar políticas de prevenção e rotinas clínicas.
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