Polícia Civil mira repasses de R$ 5,1 milhões ao Tocantinópolis e aprofunda investigação com buscas, apreensões e suspeita de lavagem de dinheiro

Viatura da Polícia Civil em ação durante investigação sobre repasses públicos ao Tocantinópolis Esporte Clube em Tocantinópolis
Operação 2º Tempo apura repasses de mais de R$ 5,1 milhões ao TEC
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Operação 2º Tempo amplia a apuração sobre recursos públicos enviados ao Tocantinópolis Esporte Clube e coloca autoridades, ex-gestores e dirigentes no centro do caso

A Polícia Civil do Tocantins deflagrou em 12 de março de 2026 a Operação 2º Tempo para aprofundar a investigação sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados ao Tocantinópolis Esporte Clube, o TEC. O caso envolve movimentações financeiras consideradas atípicas, saques em espécie de alto valor e transferências reiteradas feitas pela Prefeitura de Tocantinópolis.

O montante investigado supera R$ 5,1 milhões, valor que teria sido repassado ao clube ao longo de diferentes administrações municipais. As apurações apontam suspeitas de peculato e lavagem de dinheiro, com possível circulação do dinheiro entre dirigentes e terceiros após o depósito na conta da entidade esportiva.

Entre os investigados citados no caso estão Fabion Gomes de Sousa, atual prefeito de Tocantinópolis pelo PL, Paulo Gomes de Sousa, ex-prefeito pelo PSD e ex-gestor do TEC, além de Wagner Pereira Novaes, também ex-gestor do clube. A investigação segue em andamento e os materiais apreendidos passarão por análise pericial.

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A apuração ganhou peso porque o modelo de repasses já era alvo de questionamentos anteriores. O Tribunal de Contas do Estado já considerava essas transferências ilegais em anos anteriores, o que aumenta a relevância do material recolhido agora pela polícia.

Como funcionava o esquema investigado e por que a polícia vê indícios de ocultação da origem do dinheiro público

As medidas judiciais cumpridas pela Polícia Civil tiveram como objetivo reunir documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos capazes de esclarecer a dinâmica financeira sob suspeita. A linha investigativa sustenta que os repasses ao clube não seriam atos isolados, mas parte de um fluxo repetido de transferências públicas à entidade privada.

Depois da entrada dos valores na conta do time, o dinheiro teria passado por um circuito entre dirigentes e terceiros. Para os investigadores, essa movimentação pode ter sido usada para esconder a origem ilícita dos recursos, característica compatível com a suspeita de lavagem de dinheiro.

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Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Coaf, reforçaram a investigação ao apontar movimentações financeiras fora do padrão e saques em espécie de valor elevado. Esse tipo de operação costuma ser considerado sensível em apurações sobre desvio de dinheiro público, especialmente quando envolve entidades privadas beneficiadas com verbas municipais.

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Defesas citam lei municipal, suspensão de repasses e custo elevado do futebol profissional em clube do interior

O atual presidente do Tocantinópolis, Leandro Pereira, sargento da Polícia Militar do Tocantins, afirmou que o clube não tem convênio com a prefeitura e não recebe repasses públicos desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2025. Ele declarou que havia uma lei municipal, existente desde a fundação do clube, que autorizava a prefeitura, com aval da Câmara Municipal, a fazer um repasse mensal de 30 salários mínimos.

Leandro também explicou que, em dezembro de 2024, antes de sua eleição para a presidência do clube, uma liminar suspendeu esse repasse. Desde então, segundo sua versão, não houve novos pagamentos da Prefeitura de Tocantinópolis ao TEC.

O prefeito Fabion Gomes informou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que os pagamentos ao time foram cancelados durante sua gestão por ordem judicial. Ele sustentou ainda que os repasses feitos em administrações anteriores seguiram legislação do próprio município.

Wagner Pereira Novaes, ex-presidente do clube, afirmou que conduziu sua gestão com seriedade e responsabilidade. Em sua manifestação, ele disse que os recursos públicos recebidos estavam longe de cobrir toda a estrutura do futebol profissional e de base, citando gastos com atletas, comissão técnica, transporte, hospedagem, alimentação, material esportivo, inscrições, logística, manutenção e formação de jovens talentos.

Paulo Gomes de Sousa, o Paulinho, também se posicionou e defendeu o apoio público ao clube. Para ele, equipes do interior não sobrevivem sem suporte do poder municipal e o enfraquecimento financeiro do TEC compromete uma das instituições esportivas mais relevantes do estado.

Polícia Militar acompanha o caso e investigação pode ampliar lista de envolvidos nos próximos passos da perícia

A Polícia Militar do Tocantins informou que está ciente da busca e apreensão realizada pela Polícia Civil em 12 de março e que adotará os procedimentos administrativos cabíveis assim que for formalmente notificada. A corporação destacou que não compactua com condutas contrárias à legalidade, à ética e aos princípios da atividade policial militar.

Esse ponto chama atenção porque o presidente atual do Tocantinópolis é policial militar. Mesmo assim, a PMTO deixou claro que a apuração criminal está sob responsabilidade da Polícia Civil e que o acompanhamento interno seguirá os ritos administrativos adequados.

Agora, a expectativa está na análise técnica dos materiais recolhidos. A perícia pode ajudar a identificar todos os envolvidos, reconstruir o caminho do dinheiro e esclarecer se os repasses da Prefeitura de Tocantinópolis ao TEC tiveram finalidade pública legítima ou se abasteceram um esquema de desvio e ocultação de valores.

O caso mistura política, futebol e gestão de dinheiro público, tema que costuma dividir opiniões. Você acha que o apoio financeiro de prefeituras a clubes do interior deve continuar, mesmo com histórico de controvérsias, ou esse modelo precisa ser revisto de vez? Deixe seu comentário e participe do debate.


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Sobre o Autor

Ana Paula Araújo
Ana Paula Araújo

Ana Paula Araújo escreve diariamente sobre o mercado de trabalho, mantendo os leitores informados sobre vagas de emprego e concursos públicos, especialmente nas modalidades Home Office e Híbridas.

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