Maioria dos profissionais no Brasil cogita trocar de emprego para manter home office enquanto empresas ampliam retorno ao presencial e acirram disputa por talentos
Home office ganha peso nas escolhas de carreira, enquanto companhias endurecem políticas de retorno presencial
Em 18 de março de 2026, um estudo da LiveCareer trouxe novos dados sobre o embate entre preferências dos profissionais e estratégias das empresas no Brasil. A análise, que reúne referências de instituições como FIA, FEA-USP, IBGE, Ipea, KPMG, GPTW, Korn Ferry e Randstad, mostra que o alinhamento sobre o futuro do trabalho remoto ainda está distante.
Segundo o levantamento, 65% dos profissionais trocariam de emprego caso fossem obrigados a voltar 100% ao escritório. Em sentido oposto, 80% das empresas pretendem reduzir ou mesmo encerrar o home office, evidenciando uma ruptura de expectativas.
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O estudo aponta que a flexibilidade deixou de ser benefício adicional e passou a ser fator central nas decisões de carreira. Em paralelo, a discussão sobre produtividade e cultura organizacional segue como ponto de atrito relevante nas políticas internas.
O relatório compila dados de diferentes fontes do ecossistema de trabalho e produtividade, incluindo centros acadêmicos como a FIA e a FEA-USP, e órgãos oficiais de estatística e pesquisa econômica.
Preferência dos trabalhadores por flexibilidade cresce e impacta decisões de carreira
Na percepção dos trabalhadores, o home office melhora a vida e não derruba resultados. O estudo registra 94% relatando melhora na qualidade de vida, 91% dizendo manter ou ampliar a produtividade e 88% afirmando que a qualidade do trabalho não cai fora do escritório.
Entre os fatores mais valorizados estão o fim do tempo gasto em deslocamentos, a autonomia sobre a rotina e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. De acordo com o Workmonitor 2025 da Randstad, esse equilíbrio já supera o salário como principal critério na escolha de um emprego.
O efeito nas movimentações é visível. A proporção de profissionais que pediram demissão por falta de flexibilidade subiu de 25% para 31% em um ano, com maior incidência entre geração Z, millennials e trabalhadores de tecnologia da informação.
Empresas reforçam retorno ao presencial e enfrentam dilemas de cultura e retenção
Nas organizações, a tendência majoritária é de reaproximação do trabalho presencial. Dados do GPTW indicam que 51% já operam totalmente no escritório, 41% estão no modelo híbrido e apenas 9% mantêm equipes totalmente remotas.
Entre os motivos, 63% dos gestores ouvidos pela KPMG citam o fortalecimento da cultura organizacional e a colaboração. Ao mesmo tempo, 49% reconhecem que o tempo de deslocamento pesa contra o presencial, 45% temem impactos em atração e retenção e 28% já estudam políticas para nômades digitais.
Contratações mostram avanço do modelo híbrido enquanto remoto segue minoria
Os efeitos nas vagas de emprego já aparecem. De acordo com a Gupy, 88% das posições abertas no país seguem presenciais, enquanto o modelo híbrido cresceu cinco vezes em um ano e já responde por 11% das admissões, superando as ofertas totalmente remotas.
Apesar do interesse crescente por flexibilidade, o trabalho remoto ainda é uma fatia limitada do mercado. Segundo o IBGE, cerca de 9,5 milhões de brasileiros atuam nesse regime, aproximadamente 10% da força de trabalho.
Há, porém, espaço de expansão. O Ipea estima que 22,7% das ocupações no país poderiam ser realizadas à distância, indicando um potencial não explorado.
Para parte das companhias, reduzir home office trouxe efeitos colaterais. A Korn Ferry aponta que 41% das empresas relatam dificuldade para contratar profissionais qualificados após enrijecer políticas remotas.
Quem lidera as vagas flexíveis e o que dizem os estudos de mercado
As oportunidades com maior flexibilidade se concentram em Tecnologia da Informação, Marketing e Comunicação e Finanças e Contabilidade. Esses segmentos funcionam como laboratórios para formatos híbridos e remotos, influenciando outras áreas.
A análise da LiveCareer agrega dados de centros de pesquisa e negócios, como a FIA e a FEA-USP, ampliando a robustez metodológica. Esse ecossistema de fontes ajuda a explicar por que a adesão ao híbrido avança mesmo com a pressão por retorno físico.
Na prática, o que emerge é um ajuste fino de políticas por setor, nível de senioridade e função, em busca de equilíbrio entre experiência do colaborador e necessidades do negócio.
O que esperar para 2026 no mercado de trabalho híbrido e remoto
Com 65% dos profissionais dispostos a mudar de emprego para preservar o home office e 80% das empresas planejando reduzir o remoto, o Brasil entra em uma fase de negociação intensa. Tendências como híbrido estruturado, metas claras e revezamentos semanais devem ganhar terreno.
Empresas que calibrarem flexibilidade, cultura e produtividade tendem a se destacar na atração e retenção. O desafio será transformar dados de mercado em políticas previsíveis, transparentes e alinhadas ao perfil das equipes.
Como você enxerga esse equilíbrio entre flexibilidade e presença física no trabalho? Sua empresa tem avançado em políticas híbridas com metas e autonomia, ou exige retorno integral ao escritório? Deixe seu comentário e conte sua experiência.
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