Com base em dados do IBGE e estudo da Unicamp, economista refuta alta do desemprego e defende fim da escala 6×1 com jornada de 36 horas e manutenção de salários

Trabalhadores em ponto de ônibus no fim do expediente, simbolizando longas jornadas e deslocamentos nas cidades brasileiras
Longas jornadas e deslocamentos reforçam o debate sobre a semana de cinco dias e a jornada de 36 horas
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Estudo da Unicamp sustenta que reduzir a jornada de 44 para 36 horas e encerrar a escala 6×1 pode gerar empregos e elevar a produtividade sem cortar salários

A proposta de redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, sem redução de salários, e o fim da escala 6×1 ganhou tração política no Brasil. A pauta é apoiada pela CUT e pelo governo Lula, e deve ser analisada pela Câmara dos Deputados. O setor empresarial critica a medida e alega risco de desemprego e prejuízo à economia.

Na direção oposta, a economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Cesit do Instituto de Economia da Unicamp, sustenta que o país pode criar até 4,5 milhões de empregos e elevar a produtividade em cerca de 4% com a mudança. As conclusões fazem parte do “Dossiê 6×1”, com base em dados oficiais do IBGE.

Segundo a especialista, as evidências empíricas mostram excesso de horas trabalhadas e potencial de reorganização do trabalho. Ela argumenta que a produção pode ser mantida com menos horas via ganhos de eficiência ou com novas contratações para preencher escalas e folgas.

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Em entrevista ao Portal CUT, Marilane rebate a tese de que o brasileiro trabalha pouco e aponta que jornadas longas e deslocamentos exaustivos reduzem o bem-estar. Para ela, mais tempo livre estimula setores como cultura, lazer e educação, movimentando a economia.

Governo e Congresso discutem fim da escala 6×1 e redução de jornada, com votação prevista para maio

A expectativa é que o presidente da Câmara, Hugo Motta, leve o projeto à votação em maio. Caso o tema não avance, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou em 3 de março de 2026, em evento em São Paulo, que o governo poderá enviar um projeto de lei com urgência.

Nesse regime, Câmara e Senado teriam 45 dias para deliberar, sob pena de trancamento da pauta. O objetivo é acelerar a análise de uma política que, segundo defensores, pode modernizar a organização do trabalho sem perdas salariais.

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Dados do IBGE e do Cesit indicam excesso de horas trabalhadas e desmentem risco automático de desemprego

O dossiê coordenado por Marilane Teixeira usa a Pnad Contínua do IBGE e mostra que aproximadamente 21 milhões de trabalhadores cumprem jornada acima de 44 horas semanais previstas na CLT. Além disso, 76,3% das pessoas ocupadas têm mais de 40 horas por semana.

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O estudo aponta ainda que 58,7% dos empregados se concentram entre 40 e 44 horas semanais. Mesmo assim, a média semanal é de 39,1 horas, quando não se consideram horas extras, o que revela grande heterogeneidade entre setores e postos de trabalho.

Segundo a Unicamp, reduzir de 44 para 36 horas poderia criar até 4,5 milhões de vagas e elevar a produtividade em cerca de 4%, ajudando a formalização e a dinamização do mercado. Leia o estudo aqui.

Produtividade, organização do trabalho e efeitos econômicos esperados com a semana de cinco dias

Para a economista da Unicamp, a redução da jornada não reduz, por si só, a oferta de bens e serviços. Empresas podem elevar produtividade e reorganizar processos para produzir o mesmo em menos horas, mudando de seis para cinco dias de trabalho sem queda do PIB, segundo sua avaliação.

Quando ganhos de produtividade não forem suficientes, a saída é contratar para cobrir folgas e descanso semanal remunerado. A legislação já admite formatos como o trabalho intermitente, que permitem ajustar escalas em fins de semana e feriados.

Os setores mais dinâmicos, com maior investimento em tecnologia e processos, já operam em faixas de 33 a 40 horas e apresentam jornadas mais dignas. Acabar com a escala 6×1 atinge diretamente comércio e serviços, onde a prática é comum e concentra uma parcela expressiva de trabalhadores.

Mais tempo livre tende a estimular consumo em cultura, lazer, esporte e educação, criando um ciclo que gera novas vagas e amplia a renda disponível. Essa movimentação pode ter efeito multiplicador em cadeias de serviços locais.

Além disso, a redução de jornadas exaustivas e do tempo gasto em deslocamentos, que podem chegar a quatro horas diárias, melhora o bem-estar, reduz erros e aumenta o engajamento. Esses fatores também sustentam ganhos de eficiência no trabalho diário.

Impactos para informais, subocupados e desalentados, com potencial de formalização e novas contratações

O país vive um momento de desemprego em baixa, porém com informalidade elevada, observa a pesquisadora. Há cerca de 4 milhões de pessoas subocupadas, que gostariam de trabalhar mais horas, mas não encontram onde, além de um contingente em desalento.

Somando desempregados, subocupados e força de trabalho potencial, são mais de 15 milhões de pessoas. A redução da jornada abre espaço para incorporação desse público via novas contratações e formalização em setores que hoje dependem de longas escalas.

Críticas do setor empresarial e como o dossiê rebate o argumento de queda da oferta

Entidades empresariais afirmam que o fim da escala 6×1 elevaria custos e aumentaria o desemprego, ao reduzir a oferta de trabalho. Segundo Marilane Teixeira, a conclusão é oposta: o consumo não cai com a mudança e a produção pode ser mantida com produtividade ou com contratação adicional.

A economista acrescenta que aumentar a produtividade não gera prejuízo, porque as empresas mantêm a quantidade produzida com a mesma equipe em menos horas. E, quando necessário, podem reorganizar escalas para assegurar dois dias de folga por semana, preservando o atendimento e o nível de atividade.

O debate agora depende da definição do calendário no Congresso e, se preciso, do envio de projeto em urgência pelo Executivo, afirmou o Ministério do Trabalho por meio de seu titular em 3 de março de 2026. A análise legislativa dirá se o país avançará para uma semana de cinco dias sem perda salarial.

O que você pensa sobre a redução da jornada e o fim da escala 6×1 no Brasil? A medida tende a gerar empregos, melhorar a produtividade ou pressionar custos das empresas? Deixe seu comentário e conte como a mudança impactaria seu setor ou sua rotina de trabalho.

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Sobre o Autor

Valdemar Medeiros
Valdemar Medeiros

Sou Jornalista em formação, especialista na criação de conteúdos com foco em ações de SEO. Escrevo sobre Vagas de emprego, Indústria Automotiva, Energias Renováveis e outras oportunidades do mercado de trabalho.

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