De canteiros de obras a operações de resgate e consultórios de urologia, mulheres avançam no mercado do Amazonas com liderança técnica e inspiram novas gerações em 2026
Presença feminina cresce em áreas técnicas e estratégicas no Amazonas, com relatos de liderança, preparo e desafios ainda persistentes
Mulheres ampliam a presença no mercado de trabalho em funções antes vistas como masculinas, do canteiro de obras às operações de resgate e ao atendimento em urologia. No Amazonas, relatos de profissionais mostram como a competência e a preparação constante se traduzem em liderança e resultados.
Ao mesmo tempo, especialistas em ciências humanas destacam que a visibilidade de referências femininas ajuda a moldar escolhas de crianças e jovens. Esse movimento reforça a mensagem de que habilidade técnica e gestão não têm gênero.
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Mesmo com avanços, análises sociológicas alertam para fragilidades quando o assunto é política e representação institucional. O debate sobre cotas de gênero permanece no centro das discussões, sinalizando que há espaço para consolidar as conquistas.
Em 2026, essas histórias no Amazonas evidenciam a combinação de experiência prática, formação qualificada e compromisso com a excelência, que se refletem tanto no chão de fábrica quanto no serviço público e na saúde.
Liderança feminina em obras cresce na engenharia civil, com gestão de equipes mistas e mudanças nos canteiros
A engenheira civil Larisse Melo comanda equipes formadas por homens e mulheres em projetos de edificações corporativas e residenciais. Segundo ela, o exercício da profissão exige preparo constante e uma gestão que una técnica e sensibilidade para extrair o melhor de cada integrante.
Larisse afirma que a sensibilidade feminina contribui para o andamento dos projetos e para o clima de trabalho. “Não é só colocar um capacete. É saber liderar com delicadeza que só a mulher tem”, disse, ao comentar que o respeito vem com a entrega de resultados.
No início da carreira, a engenheira enfrentou resistências ligadas a crenças limitantes na construção civil. Hoje, ela observa uma virada com o ingresso de mais profissionais, incluindo engenheiras, eletricistas, apontadoras, rejuntadoras e mulheres serventes interessadas em se tornar pedreiras, sinalizando um crescimento significativo no setor.
Presença de bombeiras em operações de resgate no Amazonas traz olhar atento e treinamento igual ao dos homens
A soldado Paula Bianca Queiroz, do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amazonas (CBMAM), destaca que o olhar feminino torna as ocorrências mais atentas e detalhadas, o que melhora a qualidade do atendimento. Para ela, esse ponto de vista completa e dinamiza o trabalho das equipes.
De acordo com Paula, as exigências são iguais para mulheres e homens, o que demanda preparo físico e psicológico intenso. Ela ressalta a necessidade de suportar alta carga emocional, corporal, sensorial e física, resultado de um treinamento estruturado para atuação em situações críticas.
Urologia com voz feminina no atendimento masculino, trajetória na Ufam e relatos de acolhimento aos pacientes
A urologista Gabriela Owada Borges, graduada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), foi a única de sua turma a escolher a saúde masculina como carreira. Ela define a decisão como pessoal e conta que o início foi tranquilo, sem episódios de discriminação por parte dos pacientes.
Houve, porém, um caso marcante envolvendo um padre que demonstrou constrangimento ao saber que seria atendido por uma mulher. Após diálogo empático, ele se sentiu bem assistido e passou a retornar com a mesma médica, um exemplo de como acolhimento e técnica constroem confiança.
Gabriela incentiva outras mulheres a perseguirem objetivos profissionais com convicção. Em suas palavras, “estamos em 2026” e é possível que mulheres sejam as primeiras em diversos campos, desde que acreditem no próprio potencial e na capacidade de transformar realidades.
O relato aponta para uma mudança de percepção também por parte do público atendido, que cada vez mais associa qualidade de cuidado a competência comprovada, e não a estereótipos de gênero. Esse movimento amplia o acesso e reduz barreiras simbólicas.
Segundo a médica, a combinação de formação sólida e comunicação clara é chave para resultados clínicos e para um ambiente de consulta respeitoso e humanizado.
Referências femininas transformam percepções sociais e inspiram futuras gerações nas escolas e universidades
Para a antropóloga e pró-reitora de extensão da Ufam, Flávia Melo, ver mulheres ocupando campos diversos ajuda jovens a reconhecerem que podem estar em todos os lugares. Ela ressalta que as escolhas ao longo da vida são moldadas por modelos e inspirações acessíveis.
Segundo Flávia, homens e mulheres possuem potências semelhantes para desempenhar atividades em qualquer área. Esse entendimento, disseminado em famílias, escolas e ambientes de trabalho, acelera a mudança cultural e fortalece trajetórias profissionais.
Avanços seguem reais mas frágeis, segundo análise sociológica sobre trabalho e política com debate sobre cotas
Na avaliação da socióloga Valéria Marques, as conquistas femininas resultam de transformações culturais e do acesso ampliado à educação desde os anos 1970. Ainda assim, ela considera que o avanço permanece frágil em certos espaços de poder.
Na política, a presença feminina ainda esbarra em limites institucionais. Valéria cita que há 30% de cotas para composição do Congresso, enquanto a luta histórica é por 50%, espelhando a busca por equilíbrio efetivo na representação.
Esse quadro reforça a importância de políticas de inclusão combinadas com formação de lideranças e visibilidade contínua de mulheres em posições técnicas e estratégicas. A consolidação do avanço depende de instituições comprometidas e de mudança social sustentada.
Queremos ouvir você. Como ampliar a presença feminina em áreas técnicas e de comando no Brasil, garantindo não só acesso, mas também permanência e progressão na carreira? Quais ações em empresas, universidades e serviços públicos fazem mais diferença na sua experiência?
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