Pesquisador do IFMA é único brasileiro na descoberta de novo dinossauro no Saara, achado em 29 cientistas publicado na Science pode mudar entendimento sobre vida aquática desses predadores e atrair investimentos
Descoberta científica internacional com participação brasileira em estudo publicado na revista Science em 22 de fevereiro de 2026
Dados dos fósseis do Maranhão integraram análise filogenética que descreveu a nova espécie Spinosaurus mirabilis
O professor Rafael Lindoso, do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), campus Monte Castelo em São Luís, é o único pesquisador brasileiro entre os 29 cientistas que assinam a descoberta de uma nova espécie de dinossauro carnívoro no deserto do Saara. O estudo foi publicado na revista Science em 22 de fevereiro de 2026, e inclusive virou capa da publicação.
Segundo informações do IFMA e da própria publicação científica, a contribuição de Lindoso foi inserir dados detalhados sobre ossos de um dinossauro encontrado no Maranhão, que ajudaram a ampliar a base de comparação da equipe internacional. Essa inclusão foi determinante para as análises filogenéticas que relacionam o novo fóssil a outros membros do grupo Spinosaurus.
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O convite para coautoria partiu do paleontólogo Paul Sereno, da Universidade de Chicago, que trabalhou com Lindoso em uma expedição no interior do Maranhão em 2025. Para o IFMA, esta é a primeira vez que um pesquisador da instituição assina um artigo na Science, marco que pode impulsionar investimentos, conforme avalia o professor Sereno.
O estudo reuniu especialistas em paleontologia, anatomia comparada e análises evolutivas, e destaca que a taxa de aceite em periódicos de alto impacto fica em menos de 7%, segundo os autores. A participação brasileira no trabalho internacional reforça a visibilidade da pesquisa paleontológica no Maranhão e no Brasil.
Detalhes sobre o achado e a origem dos fósseis, incluindo local em Agadez no Níger e distância da antiga costa
Os fósseis que deram origem à nova espécie foram encontrados na região de Agadez, no Níger, e receberam o nome Spinosaurus mirabilis. O termo “Spinosaurus” se refere aos grandes espinhos dorsais que formavam uma espécie de vela, e “mirabilis” descreve a crista em forma de cimitarra no topo do crânio.
Os restos foram datados entre 100 e 95 milhões de anos atrás e foram achados em sedimentos que indicam um ambiente de água doce, a centenas de quilômetros da costa da época, entre 500 e 1.000 km. Próximo aos fósseis haviam vestígios de grandes saurópodes, animais que viviam exclusivamente em terra firme, o que traz evidência sobre o ecossistema onde viveu o Spinosaurus mirabilis.
Contribuições do professor Rafael Lindoso do IFMA e a importância dos dados osteológicos para análises filogenéticas
Rafael Lindoso enviou descrições detalhadas de ossos provenientes de achados no Maranhão, que foram incorporadas à matriz de dados usada na análise filogenética. Esses dados osteológicos ampliaram a base comparativa do estudo e ajudaram a posicionar o novo táxon dentro do grupo Spinosaurus.
De acordo com o professor Lindoso, citado pelo IFMA, os avanços digitais e as comparações anatômicas permitiram reavaliar hipóteses antigas sobre o modo de vida desses animais. A colaboração internacional mostra como informações locais, como fósseis maranhenses, podem ter impacto direto em estudos globais.
Características anatômicas do Spinosaurus mirabilis e o debate sobre vida semiaquática ou mergulhadora ativa
O novo Spinosaurus apresenta crânio longo e estreito, dentes cônicos e pequenos orifícios sensoriais na ponta do focinho, traços que lembram adaptações para capturar peixes. Além disso, ossos densos e a vela dorsal são apontados como elementos funcionais que influenciam hipóteses sobre comportamento aquático.
Há duas linhas principais de interpretação entre paleontólogos. Uma considera o grupo como predadores semiaquáticos que caçavam na beira de rios e lagos, enquanto outra defende que alguns Spinosaurus seriam mergulhadores ativos capazes de perseguir presas submersas.
A descoberta do Spinosaurus mirabilis em depósitos de água doce, longe do mar, e sua associação com restos de saurópodes terrestres oferece novos subsídios ao debate. Os autores alegam que esse contexto paleoambiental altera a visão estrita de que esses dinossauros estivessem confinados a ambientes costeiros e marinhos.
Segundo Paul Sereno, da Universidade de Chicago, e outros coautores, a combinação de evidências anatômicas e do contexto geológico reforça a ideia de diversidade ecológica entre os spinosaurídeos. Esses resultados podem levar a revisões em interpretações antigas sobre locomoção, alimentação e distribuição desses predadores.
Implicações para a paleontologia brasileira e perspectivas de financiamento e novas pesquisas
A participação de um pesquisador do IFMA em um trabalho publicado na Science é vista como um ponto de inflexão para a paleontologia no Maranhão e no Brasil. Autores do estudo esperam que a visibilidade ajude a atrair investimentos e parcerias, conforme afirmou Paul Sereno.
O caso também evidencia a importância de expedições regionais e do inventário de coleções locais, já que ossos conservados no Maranhão complementaram uma pesquisa global. Instituições como o IFMA podem ganhar maior reconhecimento e apoio para futuras escavações e análises.
Por fim, a descoberta reforça que estudos colaborativos, envolvendo equipes de várias nacionalidades e áreas de especialidade, são essenciais para responder a perguntas complexas sobre a evolução e ecologia dos dinossauros. A publicação em 22 de fevereiro de 2026 marca o início de novas discussões e pesquisas relacionadas ao grupo Spinosaurus.
Deixe sua opinião sobre o que esta descoberta significa para a ciência brasileira e para a compreensão da vida desses predadores antigos. Comente se você acha que o Spinosaurus era um predador semiaquático ou um mergulhador ativo, e por que essa discussão importa para o futuro das pesquisas e investimentos na paleontologia nacional.
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