Crítico espanhol do El País desmonta o hype de O Agente Secreto e classifica Wagner Moura como discreto ao chamar o filme de pouco estimulante
Crítico do El País reprova o filme brasileiro, questiona o impacto narrativo e minimiza o desempenho do protagonista
O crítico espanhol Carlos Boyero, do jornal El País, publicou uma avaliação dura sobre o filme brasileiro O Agente Secreto, um dos favoritos na corrida ao Oscar. Em sua coluna, ele afirmou que a produção é “tão longa quanto pouco estimulante”, contrariando o momento positivo do longa na temporada de premiações. As declarações foram repercutidas pelo InfoMoney, que destacou os principais trechos do texto.
Mesmo após o longa acumular prêmios em eventos de peso como o Globo de Ouro e Cannes, Boyero disse não ter se envolvido com a história. O crítico escreveu que “não há nada no filme que me perturbe ou me distraia”, reforçando que a narrativa não o prendeu em nenhum momento. Segundo ele, a obra carrega “pretensões estilísticas”, mas não entrega clareza.
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O alvo das críticas também incluiu o protagonista Wagner Moura, indicado ao Oscar de melhor ator. Boyero reconheceu “presença” e “naturalidade” no brasileiro, porém avaliou que sua atuação “não provoca nenhuma sensação especial”. Para o crítico, o conjunto não se sustenta e perde força com o andamento da trama.
O que disse Carlos Boyero, críticas diretas ao filme
Em sua análise, Boyero afirmou que esperava tensão e empolgação ao ler a sinopse, mas saiu do cinema sem esse efeito. Ele resumiu a experiência de forma contundente: “Não entendi quase nada. O pior é que tanto faz para mim, mesmo o que pretende ser transparente”. Para completar, comentou que “precisa que algum de seus espectadores mais entusiasmados me conte o enredo”.
De acordo com o InfoMoney, o crítico também classificou a obra como “um filme tão longo quanto pouco estimulante”. A leitura dele é que o longa não soma impacto dramático suficiente, apesar da ambição estética e do momento favorável nas premiações.
Wagner Moura na mira, indicação ao Oscar e atuação contestada
Além da avaliação sobre a direção e a narrativa, Boyero analisou o desempenho de Wagner Moura, que disputa o prêmio de melhor ator no Oscar. Ele admitiu que o brasileiro tem “certa presença” e “gestualidade sóbria”, mas considerou que isso não foi suficiente para gerar emoção. A crítica, publicada no El País, contrapõe o reconhecimento que o ator vem recebendo no circuito internacional.
Essa leitura contrasta com o cenário de premiações, em que o filme aparece como um dos favoritos. A menção à indicação de Moura reforça o peso do papel principal na campanha do longa. Para Boyero, no entanto, a atuação não muda a impressão geral de frieza que a obra lhe causou.
Segundo o InfoMoney, o espanhol reitera que, mesmo quando o filme busca transparência, a mensagem não se consolida. Há, na visão do crítico, um descompasso entre o hype criado em torno de O Agente Secreto e a experiência na tela. O resultado, para ele, é um impacto emocional reduzido.
Esse contraste histórico — entre o prestígio do circuito de festivais e a recepção pontual de um crítico influente — alimenta o debate sobre critérios de avaliação. A opinião de Boyero não encerra a discussão, mas adiciona um contraponto relevante ao discurso dominante.
A história em Recife de 1977, vigilância e Carnaval sob tensão
A trama de O Agente Secreto se passa em Recife, no ano de 1977, e acompanha um professor de tecnologia que tenta fugir de um passado nebuloso e de agentes do governo. Em meio ao Carnaval, o protagonista busca refúgio, mas encontra uma cidade mergulhada em vigilância intensa e corrupção.
Segundo o InfoMoney, esse enredo, que sugere thriller político e clima paranoico, motivou a expectativa inicial de Boyero por uma experiência tensa. Na prática, ele diz que a execução não alcança a promessa da sinopse, o que reforça o tom crítico de sua análise.
Favorito na temporada de premiações, Globo de Ouro e Cannes em foco
O filme brasileiro aparece como um dos favoritos na corrida ao Oscar e já soma troféus em eventos de prestígio, como o Globo de Ouro e Cannes, conforme repercutido pelo InfoMoney. Esse histórico torna mais estridente a dissonância com a leitura de Boyero.
O contraste chama atenção por colocar lado a lado a aprovação de júris internacionais e a reprovação de um crítico tradicionalmente exigente. Para o público, isso pode funcionar como um convite à comparação entre as credenciais do filme e a experiência individual de assistir.
Ainda que a crítica negativa pese no noticiário, a vitrine das premiações mantém o longa no centro da conversa. A discussão sobre forma, ritmo e clareza narrativa tende a crescer à medida que a temporada avança.
Recepção e debate, o que a crítica espanhola reacende
As declarações de Carlos Boyero reacendem o debate sobre como ler filmes brasileiros que ganham projeção global. Ao apontar que a obra é “pouco estimulante”, o crítico do El País oferece um contraponto ao entusiasmo de parte da imprensa e dos festivais.
Para quem acompanha cinema e premiações, a crítica cria um campo fértil de discussão sobre narrativa, estilo e impacto emocional. Conforme destacou o InfoMoney, o caso ilustra a distância que pode existir entre o circuito de prêmios e a recepção crítica específica.
E você, concorda com Carlos Boyero ou acha que O Agente Secreto merece o status de favorito? Deixe seu comentário e diga se a atuação de Wagner Moura te convenceu ou se o filme realmente é “pouco estimulante”. O debate sobre forma, clareza e emoção está aberto — vale defender, discordar e comparar experiências.
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