Economia brasileira avança com IBC-Br em 2,5% em 2025, agro puxa a fila e serviços sustentam ritmo enquanto Copom mantém Selic em 15% e inflação fecha o ano em 4,44%
IBC-Br sobe 2,5% em 2025, com tração do agronegócio e perda pontual de fôlego em dezembro, mas tendência positiva no trimestre
A atividade econômica do Brasil avançou em 2025, com o IBC-Br em alta de 2,5% na comparação com o ano anterior. O indicador, calculado pelo Banco Central, é acompanhado pelo Copom para embasar decisões sobre a taxa básica de juros. Mesmo com recuo de 0,2% em dezembro ante novembro, a comparação interanual mostrou ganho de 3,1%, e o trimestre encerrado em dezembro cresceu 0,4% frente ao período anterior.
Entre os setores, a agropecuária se destacou com forte expansão de 13,1% no ano, enquanto a indústria avançou 1,5% e os serviços subiram 2,1%. Excluindo a agropecuária, o IBC-Br registrou alta de 1,8%, sinalizando um ritmo moderado, porém contínuo, dos demais segmentos da economia.
Veja também
No front de preços, a inflação oficial de janeiro ficou em 0,33%, influenciada por energia elétrica e gasolina, segundo o IPCA. Em 2025, o índice acumulou 4,44%, resultado dentro do intervalo de tolerância em torno da meta de 3% definida pelo Banco Central, com margem de 1,5 ponto para mais ou para menos.
O Copom manteve a Selic em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva, indicando política ainda restritiva, mas com expectativa no mercado de início de cortes a partir de março. O IBGE informou que o PIB cresceu 0,1% no terceiro trimestre de 2025, reforçando leitura de crescimento moderado. O IBC-Br ajuda a orientar a política monetária, mas não é uma prévia exata do PIB.
IBC-Br e os setores que puxaram a alta
O desempenho do IBC-Br em 2025 foi marcado pela combinação de impulso do campo e resiliência nos serviços. Em dezembro, houve uma queda de 0,2% na margem, porém o ganho de 3,1% na comparação com dezembro de 2024 e o avanço de 0,4% no trimestre sinalizam que a economia encerrou o ano em trajetória positiva.
A agropecuária cresceu 13,1% e foi o principal vetor do resultado anual, reflexo de safras robustas e de ganhos de produtividade. Nos demais segmentos, a indústria subiu 1,5% e os serviços avançaram 2,1%. Quando se retira a influência do campo, o crescimento de 1,8% no IBC-Br mostra um núcleo de atividade mais moderado, mas estável.
Inflação e Selic, sinais para 2026
A inflação de 0,33% em janeiro foi pressionada por energia elétrica e gasolina, segundo o IPCA. No acumulado de 2025, a alta de 4,44% ficou dentro do intervalo de tolerância ao redor da meta de 3% do Banco Central, reforçando que a desinflação prosseguiu, embora de forma desigual entre os componentes.
Conforme comunicado do Comitê de Política Monetária, a Selic em 15% ao ano foi mantida pela quinta reunião seguida, estratégia que mantém as condições financeiras restritivas. O colegiado sinalizou que a avaliação para inícios de cortes dependerá da consolidação do cenário de inflação e das projeções, mantendo prudência na calibragem da política monetária.
Para 2026, o quadro tende a depender do ritmo de cortes e do comportamento dos preços administrados e de combustíveis. Juros altos freiam crédito e investimento, mas a combinação de inflação sob controle e atividade em expansão moderada abre espaço para uma transição gradual rumo a condições financeiras menos restritivas.
PIB e leitura do ritmo da economia
De acordo com o IBGE, o PIB registrou alta de 0,1% no terceiro trimestre de 2025, desempenho classificado como moderado. Esse resultado é consistente com a fotografia mais recente do IBC-Br, que apontou perda momentânea de fôlego na virada do ano, sem alterar a tendência do trimestre.
O IBC-Br, conforme o Banco Central, é um indicador de acompanhamento e não uma prévia exata do PIB. Ele serve como termômetro para o ciclo econômico e para a tomada de decisão de juros, mas o resultado oficial da atividade é consolidado nas contas nacionais do IBGE.
Em 2024, o PIB cresceu 3,4%, o quarto avanço anual consecutivo e o maior desde 2021. Esse histórico ajuda a explicar a base de comparação mais elevada para 2025, ao mesmo tempo em que evidencia resiliência da economia frente a choques internos e externos.
A divulgação do PIB consolidado de 2025 está prevista para o início de março, etapa que permitirá avaliar com maior precisão a composição do crescimento. O mercado deve observar a contribuição relativa de agropecuária, indústria e serviços, além do comportamento do consumo das famílias e do investimento.
Uma leitura combinada de IBC-Br e PIB tende a oferecer um quadro mais completo sobre a velocidade do ciclo e os possíveis desdobramentos para a política monetária no curto prazo.
Perspectivas para mercado de trabalho e investimentos
Com atividade em expansão moderada e inflação no intervalo da meta, um processo gradual de redução de juros pode favorecer serviços e indústria, segmentos sensíveis ao crédito. Ainda assim, com a Selic em 15%, as condições permanecem restritivas no início do ano, sugerindo que a melhora tende a ser progressiva.
Para empresas e investidores, o foco recai sobre o ritmo de cortes, a dinâmica de preços administrados e o desempenho do consumo. O crescimento de 1,8% do IBC-Br quando se exclui a agropecuária indica um núcleo de atividade avançando em passo contido, cenário que recomenda planejamento cauteloso, porém atento a janelas de oportunidade.
O que você achou dos números de 2025 e da decisão do Copom de manter a Selic em 15% por mais uma reunião? Na sua avaliação, o corte de juros deveria começar já no começo do próximo ciclo ou é melhor esperar sinais mais firmes da inflação? Deixe seu comentário e participe do debate sobre os rumos da economia e do mercado de trabalho.
Sobre o Autor
0 Comentários