Com desemprego em mínima da série e inflação sob controle, relatório do Santander prevê índice de miséria no Brasil no menor nível em 2026
Projeção indica melhora histórica do indicador no primeiro semestre de 2026, com apoio do mercado de trabalho e inflação mais baixa
O Índice de Miséria no Brasil deve alcançar o menor nível desde o início da série histórica, em 2012, segundo projeção do banco Santander. O indicador, que combina inflação em 12 meses e taxa de desemprego, está hoje em cerca de 11% e tende a cair de forma consistente ao longo dos próximos trimestres. A leitura funciona como um termômetro do desconforto econômico das famílias.
De acordo com estimativas divulgadas no Brazil Macro Special Report e citadas pela CNN Brasil, o índice pode recuar para aproximadamente 9% no primeiro semestre de 2026, atingindo a mínima da série. Esse movimento viria após a combinação de inflação mais comportada e abertura de vagas formais e informais no país.
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O banco projeta, porém, uma leve alta na segunda metade do ano, com o indicador terminando 2026 entre 9,5% e 10%, ainda em patamar considerado baixo. A avaliação é que o mercado de trabalho seguirá resiliente, reduzindo o desconforto econômico apesar de oscilações pontuais da inflação.
As informações foram publicadas em 18 de fevereiro de 2026 pelo portal Brasil 247, que repercutiu as projeções do Santander e contextualizou a dinâmica de preços e emprego. A leitura converge com sinais recentes captados por estatísticas oficiais e por analistas do setor privado.
Projeção do Santander aponta mínima histórica em 2026
Segundo o relatório do Santander, o Índice de Miséria deve cair até cerca de 9% na primeira metade de 2026, configurando a mínima histórica desde 2012. A tendência se apoia na continuidade de um quadro de inflação mais estável e em um mercado de trabalho aquecido, que reduz o desemprego e melhora a renda.
Após esse piso, a expectativa é de uma pequena recomposição do indicador no segundo semestre, fechando o ano entre 9,5% e 10%. Mesmo assim, o banco classifica o nível como benigno quando comparado ao histórico recente, sugerindo alívio para o orçamento das famílias.
Como o índice de miséria é calculado e por que importa
O Índice de Miséria resulta da soma de dois componentes fundamentais para a vida cotidiana: a inflação acumulada em 12 meses e a taxa de desemprego. Quando os preços sobem menos e o emprego cresce, o desconforto econômico diminuí; quando a inflação acelera ou o desemprego aumenta, o índice tende a piorar.
Em entrevista ao programa CNN Money, o economista do Santander Henrique Danyi explicou que o indicador reflete diretamente a capacidade de consumo e a estabilidade da renda. Nas palavras do especialista, ele responde simultaneamente se o dinheiro é suficiente para as necessidades e se a fonte de renda é estável.
Essa métrica ganhou força por sintetizar, em um número, pressões que costumam aparecer separadas em relatórios sobre inflação e emprego. Para o planejamento de políticas públicas e decisões de investimento, o índice ajuda a balizar expectativas.
Além de orientar políticas, o acompanhamento do indicador permite comparar períodos e regiões, identificando onde a melhora é mais rápida e onde o alívio demora mais a chegar. Isso se torna relevante para direcionar ações de qualificação, proteção de renda e crédito.
De acordo com o Brasil 247, as projeções do Santander indicam que 2026 tende a ser um ponto de inflexão relevante, com queda firme no primeiro semestre e estabilidade em patamar historicamente baixo na sequência.
Mercado de trabalho sustenta a melhora prevista
Dados do IBGE mostram que a taxa de desemprego recuou para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro, o menor nível desde 2012. No mesmo período, a população desocupada somou 5,5 milhões de pessoas, refletindo a maior absorção de trabalhadores pela economia.
Para Henrique Danyi, essa trajetória ajuda a explicar a queda projetada no índice de miséria. Segundo o economista, a resiliência do mercado de trabalho nos últimos anos tem puxado a melhora do indicador, ao lado de uma inflação mais controlada.
Com mais gente ocupada e reajustes salariais gradualmente acima da inflação, há tendência de recuperação do poder de compra. Esse movimento, quando combinado a expectativas inflacionárias ancoradas, reduz o desconforto captado pelo índice.
Diferenças regionais mostram cenário desigual
O relatório do Santander também destaca contrastes por regiões. No Sudeste, Vitória (ES) aparece como destaque positivo, com os menores níveis de desconforto econômico entre as áreas analisadas, refletindo desemprego menor e inflação mais amena.
No Sul, há maior uniformidade entre as regiões metropolitanas, enquanto Norte e Nordeste seguem em trajetória de queda, mas ainda acima da média nacional. A leitura sugere que políticas específicas podem acelerar a convergência regional.
O que observar nos próximos trimestres
Para sustentar o índice de miséria em patamar baixo, será crucial manter a inflação sob controle e seguir ampliando o emprego. Segundo a CNN Brasil, o cenário base do Santander embute continuidade da atividade moderada com desinflação gradual, o que reforça a projeção de mínima no primeiro semestre de 2026.
Outro ponto de atenção é a renda do trabalho e sua evolução real diante dos preços. Se a remuneração continuar crescendo acima da inflação, o alívio no indicador tende a se prolongar, apoiando consumo e arrecadação.
Além disso, a dinâmica regional deve seguir no radar, com foco em qualificação profissional e estímulos setoriais que permitam redução mais ampla do desemprego. Experiências locais, como a de Vitória, ajudam a identificar boas práticas replicáveis.
Segundo o Brasil 247, a leitura do Santander combina dados recentes do IBGE com projeções macroeconômicas internas, o que confere lastro estatístico às estimativas. A confirmação dependerá dos próximos resultados de inflação e mercado de trabalho.
Queremos ouvir sua opinião. Você acredita que o índice de miséria pode se manter perto da mínima histórica ao longo de 2026, considerando o ritmo do emprego e a inflação projetada? Deixe seu comentário e compartilhe sua avaliação sobre os riscos e os motores dessa trajetória.
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