Com 58% das vagas concentradas em funções operacionais, áreas técnicas pagam até o dobro e elevam a segmentação do mercado de trabalho brasileiro em 2025 segundo Infojobs
Levantamento do Infojobs mostra que as áreas com mais vagas em 2025 pagaram menos, enquanto setores técnicos ficaram com as maiores médias salariais
O mercado de trabalho brasileiro avançou em 2025, mas a diferença de remuneração entre áreas se manteve alta e evidente. De acordo com balanço do Infojobs, plataforma de empregos amplamente utilizada no país, os setores técnicos pagaram, em média, até o dobro das áreas operacionais. A análise foi destacada por Mirian Gasparin em 18 de fevereiro de 2026, reforçando a leitura de um mercado segmentado por qualificação e função.
As áreas com maior volume de oportunidades foram atendimento, vendas, logística, serviços gerais, alimentação e telemarketing. Juntas, responderam por cerca de 58% dos anúncios de vagas ao longo dos últimos doze meses de 2025, segundo o Infojobs. São posições essenciais para o funcionamento da economia e com demanda contínua.
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Apesar do grande número de vagas, os salários médios nessas frentes ficaram pressionados na base. Em especializações ligadas a atendimento, limpeza, telemarketing e serviços operacionais, as remunerações giraram, em geral, abaixo de R$ 2,5 mil mensais, sinalizando limites para a renda de quem atua nessas funções.
No outro extremo, setores como tecnologia da informação, contábil e finanças, recursos humanos e saúde reuniram as maiores médias do ano. Em tecnologia, os salários médios superaram R$ 3,6 mil no início de carreira, enquanto finanças e contabilidade ficaram acima de R$ 3,3 mil, segundo o Infojobs. O contraste reforça a segmentação por perfil de ocupação.
O retrato das vagas e das remunerações em 2025
O avanço do emprego se deu com expansão marcante das funções operacionais, que sustentam a atividade na base da pirâmide. A multiplicação de anúncios nessas áreas manteve o mercado aquecido, mas não alterou de forma significativa a distribuição de renda entre ocupações.
Segundo o balanço do Infojobs, os salários permaneceram concentrados nos setores técnicos, mesmo com o aumento geral de contratações ao longo de 2025. O dado sugere que a estrutura de remuneração acompanhou a especialização exigida por cada segmento.
A diferença entre grupos chega a representar quase o dobro da remuneração média, quando se comparam polos operacionais e técnicos. Esta assimetria ajuda a explicar por que o ganho de vagas não se traduz automaticamente em melhora proporcional da renda.
Funções que lideram a oferta e o fosso salarial
Em áreas como atendimento, vendas, logística, serviços gerais, alimentação e telemarketing, a oferta de trabalho foi volumosa ao longo de 2025. Ainda assim, as médias salariais ficaram abaixo de R$ 2,5 mil em muitos dos cargos, o que limita a capacidade de ascensão por renda apenas com o crescimento do emprego.
No bloco técnico, tecnologia da informação ultrapassou R$ 3,6 mil de média no início, e finanças e contabilidade superaram R$ 3,3 mil, de acordo com o Infojobs. Recursos humanos e saúde também ficaram entre as áreas com melhores remunerações, reforçando a correlação entre qualificação e salário.
Áreas técnicas, exigências e conhecimentos de IA
As ocupações de maior salário cresceram de forma mais seletiva ao longo de 2025, exigindo formação específica, experiência prévia e domínio técnico. Esse conjunto de requisitos restringe o acesso a uma parcela expressiva da força de trabalho, segundo o balanço do Infojobs.
Especializações ligadas a tecnologia, engenharia, marketing, administração e recursos humanos concentram praticamente todas as vagas que demandam conhecimentos associados à inteligência artificial. Essa exigência se tornou um diferencial competitivo para remuneração e empregabilidade.
A relação entre inovação, qualificação e remuneração ficou mais evidente em 2025, com salários médios mais altos onde há necessidade de competências técnicas. Habilidades digitais e domínio de ferramentas analíticas ganharam relevância na formação profissional.
Como consequência, o acesso à renda melhor nas áreas técnicas segue condicionado ao investimento em educação formal e atualização contínua. Isso reforça o papel de cursos técnicos, graduações e trilhas de requalificação no desenho de carreiras mais bem pagas.
O Infojobs resume o cenário como um mercado em duas velocidades: expansão do emprego operacional, que sustenta a base da economia, e crescimento mais restrito, porém melhor remunerado, nas funções técnicas. A fotografia acentua a necessidade de estratégias para reduzir os hiatos de qualificação.
Desafios para qualificação e políticas públicas
A ampliação do emprego, por si só, não corrigiu as desigualdades salariais em 2025, conforme os dados do Infojobs destacados por Mirian Gasparin em 18 de fevereiro de 2026. O movimento reforça a importância de alinhar geração de vagas com caminhos de progressão por renda.
No curto prazo, ganha centralidade o debate sobre formação técnica, requalificação e acesso a competências digitais, como IA aplicada, em trilhas acessíveis. No médio prazo, políticas de fomento à produtividade e à educação podem ajudar a aproximar ocupações operacionais de trajetórias mais valorizadas.
Para empresas e governos, o acompanhamento de dados setoriais como os do Infojobs é essencial para orientar programas de capacitação e mapeamento de demanda. Essa coordenação pode reduzir a distância entre oferta de talentos e as vagas com melhores salários.
O que você observa na sua região sobre essa diferença de salários entre áreas no Brasil em 2025? Na sua opinião, a qualificação, a experiência ou o setor pesa mais na remuneração final? Deixe seu comentário e compartilhe exemplos reais que ajudem a entender o cenário.
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