Em meio à desaceleração do mercado de trabalho em Niterói, geração de empregos formais perde força, com retração nas contratações de mulheres e formados no ensino superior
Niterói registra freio na criação de vagas formais, com queda na participação de mulheres e profissionais com diploma
A criação de empregos com carteira assinada em Niterói perdeu ritmo recentemente, com sinais de desaceleração do mercado de trabalho no município. Segundo apuração do jornal O Globo, baseada em dados oficiais, o saldo de admissões e demissões arrefeceu e a distribuição de vagas ficou mais restrita.
De acordo com números do Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, a dinâmica de contratações mostra menor ímpeto em serviços e comércio, setores historicamente relevantes na cidade. O avanço mais lento coincide com um cenário nacional de atividade moderada em serviços e construção.
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A reportagem também indica uma redução na participação feminina entre os novos postos, além de retração nas oportunidades para quem tem ensino superior. Essa combinação evidencia um ajuste mais forte em ocupações que tradicionalmente absorvem mulheres e profissionais mais escolarizados.
Especialistas ouvidos em estudos do IBGE e do Ipea apontam que períodos de arrefecimento costumam intensificar desigualdades por gênero e escolaridade, com maior competição por vagas e exigências adicionais nas seleções. Em Niterói, os sinais são compatíveis com esse movimento.
O que mostram os dados do Caged em Niterói
Segundo o Caged, que monitora admissões e desligamentos no emprego formal, o município teve um saldo mais fraco de vagas no período recente, em linha com a perda de fôlego de parte dos serviços. Comércio e construção civil também alternaram meses de ganhos e perdas, reduzindo a tração agregada.
Embora a base industrial e atividades ligadas a serviços técnicos e administrativos sigam relevantes, o balanço indica contratações mais seletivas. Segundo O Globo, a leitura do fluxo mensal reforça a necessidade de políticas de intermediação de mão de obra e qualificação focadas nos setores com demanda.
Participação feminina encolhe nas contratações
A retração das vagas para mulheres reflete, em parte, a desaceleração de áreas como serviços, educação, saúde e comércio, onde a presença feminina é expressiva. Em conjunturas mais competitivas, empregadores tendem a alongar processos seletivos e priorizar experiências muito específicas, o que pode reduzir a absorção imediata.
Estudos do IBGE pela Pnad Contínua mostram que mulheres enfrentam maior taxa de subutilização e persistem com diferença salarial em relação aos homens, fatores que se agravam quando a criação de vagas esfria. O resultado prático é uma recolocação mais lenta e, muitas vezes, em postos com remuneração menor.
Além disso, o Ipea registra que responsabilidades domésticas e de cuidado continuam pesando mais sobre mulheres, limitando a disponibilidade para jornadas extensas ou horários noturnos. Em cenários de retração, essa restrição tende a ser penalizada pelos filtros das empresas.
Profissionais com ensino superior enfrentam menos vagas
A queda nas oportunidades para quem tem ensino superior está associada ao ajuste em serviços de maior valor agregado e em segmentos administrativos que, com a automação, abrem menos posições de apoio. Em ciclos de desaceleração, companhias postergam contratações para funções estratégicas e ampliam o escopo de tarefas em equipes já formadas.
Análises do FGV Ibre sobre o ciclo de serviços no país apontam moderação após fases de recuperação, o que impacta quadros com alta escolaridade. Em Niterói, empresas de serviços profissionais, tecnologia e gestão reduziram o ritmo de abertura de vagas, elevando a concorrência entre candidatos qualificados.
O resultado é um mismatch temporário entre a oferta de profissionais com diploma e a demanda efetiva das firmas. Para reverter, especialistas recomendam atualização em habilidades digitais, gestão de projetos e análise de dados, que seguem entre as competências mais pedidas nos anúncios.
Segundo O Globo, recrutadores têm buscado perfis com experiência prática comprovada, certificações curtas e capacidade de atuar em mais de uma frente. Isso favorece quem combina formação superior com cursos técnicos ou trilhas de qualificação rápida.
Setores com alguma tração e caminhos de recolocação em Niterói
Mesmo com desaceleração, nichos de saúde, logística, atendimento ao cliente e manutenção tendem a manter algum nível de contratação, ainda que com exigências maiores. Construção civil e comércio podem reagir sazonalmente, oferecendo janelas de reemprego no curto prazo.
A Prefeitura de Niterói informa, por meio do Sine e do Portal do Trabalhador, a divulgação recorrente de oportunidades e serviços de intermediação. A orientação é cadastrar currículo, manter contatos atualizados e acompanhar as atualizações semanais de vagas, além de buscar cursos gratuitos de qualificação quando disponíveis.
Como aumentar suas chances de contratação
Atualize o currículo com resultados mensuráveis, destaque certificações recentes e adapte palavras-chave ao anúncio; organize um portfólio objetivo, com projetos e casos concretos. Mantenha perfis profissionais ativos, participe de feiras de emprego e peça indicações de ex-colegas e gestores.
Para mulheres, explorar empresas com políticas de equidade e horários flexíveis pode acelerar a recolocação; para quem tem superior, combinar formação com capacitações curtas em tecnologia, dados e idiomas amplia o leque de vagas. Em todos os casos, seguir os comunicados do Sine local reduz o tempo entre candidatura e entrevista.
Queremos ouvir você. Como a retração na geração de empregos tem afetado sua busca por trabalho em Niterói e que estratégias têm funcionado para superar as barreiras nas contratações de mulheres e profissionais com ensino superior? Deixe seu comentário e compartilhe sua experiência.
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