Economia brasileira avança, mas incertezas testam fôlego do crescimento, inflação em queda e crédito em recuperação indicam alívio, enquanto fiscal e produtividade definirão se é avanço permanente ou só um respiro

Vista de avenida movimentada em São Paulo com prédios comerciais ao fundo e céu claro, simbolizando atividade econômica em retomada
Movimento nas capitais reflete fôlego da atividade econômica no Brasil
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Inflação em desaceleração e emprego resiliente dão fôlego à economia, mas juros ainda elevados, incerteza fiscal e cenário externo volátil mantêm o crescimento sob teste em 2026

A economia brasileira chega a 2026 em um ponto de inflexão. A inflação desacelerou nos últimos trimestres e o mercado de trabalho segue resiliente, o que sustenta o consumo e reduz parte da pressão sobre o custo de vida. Ao mesmo tempo, as condições financeiras ainda são apertadas e a confiança depende de sinais mais claros no campo fiscal.

Segundo o IBGE, a atividade perdeu parte do impulso observado após o boom do agro em 2023, mas serviços e construção civil ajudaram a manter o PIB positivo em 2024 e no início de 2025. Com a inflação mais comportada, o Banco Central iniciou cortes na Selic em 2023 e adotou postura mais cautelosa em 2024, mantendo o ajuste em 2025. A transmissão desse ciclo ao crédito é gradual e ainda limitada.

Do lado das contas públicas, o novo arcabouço fiscal trouxe balizas, porém a execução de metas e a qualidade do ajuste seguem no radar. Sinais trocados sobre receitas e despesas, especialmente após debates orçamentários de 2024 e 2025, afetam prêmios de risco e o câmbio.

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No exterior, a perspetiva de juros altos por mais tempo em economias avançadas e a desaceleração da China compõem um pano de fundo desafiador. O FMI, no World Economic Outlook de outubro de 2025, projetou crescimento moderado para o Brasil, com riscos equilibrados entre o ganho de termos de troca e a vulnerabilidade fiscal doméstica.

Inflação, juros e crédito em ajuste

A inflação medida pelo IPCA desacelerou ao longo de 2024 e permaneceu mais comportada em 2025, segundo o IBGE. A composição mostrou alívio em bens industriais e alimentos, enquanto serviços seguiram pressionados pela inércia e por um mercado de trabalho apertado.

De acordo com comunicados do Banco Central e o Relatório de Inflação de dezembro de 2025, o ciclo de corte da Selic iniciado em 2023 foi calibrado com cautela diante de incertezas fiscais e externas. Essa postura busca consolidar a convergência da inflação à meta sem reacender pressões de preços.

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O custo do dinheiro ainda é elevado em termos reais, o que limita a retomada do crédito para famílias e empresas. Projeções do Boletim Focus divulgadas em fevereiro de 2026 indicam expectativa de inflação estável e crescimento moderado, com melhora apenas gradual nas concessões de crédito.

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Mercado de trabalho, renda e consumo

O mercado de trabalho manteve taxas de desemprego em patamar baixo para a série recente, com expansão da ocupação formal, conforme a PNAD Contínua do IBGE. A massa de renda real cresceu, apoiando o consumo, embora o endividamento das famílias e o juro alto ainda peguem no contrapé.

Com inflação menor, o ganho de renda real melhora a confiança e favorece setores como serviços e varejo. No entanto, a sustentação desse quadro depende da continuidade da desinflação, da estabilidade do câmbio e da redução do prêmio de risco doméstico.

Fiscal, dívida e confiança

O novo arcabouço fiscal elevou a previsibilidade, mas a execução prática das metas de resultado primário ainda é o grande teste. Segundo o Ministério da Fazenda, medidas de aumento de arrecadação e controle de gastos são essenciais para conter a dívida pública.

Relatórios do Tesouro Nacional em 2025 mostraram que o gasto obrigatório continua comprimindo margens do orçamento. Sem reformas que destravem despesas e melhorem a qualidade do ajuste, a confiança pode oscilar.

Analistas do Ipea têm destacado que o ajuste pelo lado da receita é mais rápido, porém menos duradouro, quando não acompanhado por revisão de despesas e ganhos de eficiência. A previsibilidade fiscal ajuda a reduzir o custo de capital, destravando investimento privado.

Comunicações do Banco Central reiteram que a ancoragem das expectativas fiscais influencia as decisões sobre a taxa de juros. Quando o risco fiscal aumenta, o prêmio de risco sobe, o real se deprecia e a inflação esperada piora, limitando cortes adicionais na Selic.

Em 2026, a baliza para diferenciar avanço permanente de respiro temporário será a capacidade do governo de entregar metas realistas, com credibilidade e composição de ajuste mais qualitativa. Transparência e previsibilidade são peças-chave para reduzir volatilidade.

Comércio exterior, câmbio e cenário global

O superávit comercial brasileiro permaneceu robusto em 2024 e 2025, segundo o MDIC, sustentado por commodities e pela demanda regional. Esse colchão externo atenua choques e ajuda a financiar o balanço de pagamentos.

Por outro lado, a desaceleração da China e juros elevados nos Estados Unidos prolongam a incerteza global. Projeções do FMI e da OCDE apontam crescimento mundial moderado, com riscos de novas ondas de volatilidade cambial.

Para o Brasil, um câmbio mais volátil pode reaquecer preços de bens comercializáveis, exigindo prudência na política monetária. A coordenação entre política fiscal e monetária reduz ruídos e dá previsibilidade ao investimento.

Produtividade e investimento, o que sustenta o crescimento

A reforma tributária do consumo, aprovada em 2023 e detalhada por leis complementares em 2024 e 2025, tende a elevar a produtividade ao simplificar tributos e reduzir litígios. Segundo estudos do Ipea e avaliações técnicas do Ministério da Fazenda, os ganhos são graduais e se acumulam ao longo da implementação.

Marcos regulatórios em infraestrutura, energia e saneamento podem ampliar o investimento e encurtar gargalos logísticos. A redução do custo Brasil depende de segurança jurídica, estabilidade regulatória e financiamento de longo prazo.

No front financeiro, a queda estrutural do juro real requer risco fiscal menor e mercado de capitais mais profundo. Iniciativas como debêntures incentivadas e garantias públicas bem desenhadas podem alavancar projetos sem desequilibrar o fiscal.

Em síntese, sinais cíclicos positivos — inflação menor, emprego firme e crédito se recompondo — são reais. Mas a passagem de alívio tático para avanço duradouro exige consistência fiscal, reformas pró-produtividade e coordenação de políticas ao longo de 2026.

O debate está aberto, e sua opinião conta. Para você, o momento atual é avanço permanente ou apenas um respiro antes de novos solavancos no PIB e no câmbio? Deixe seu comentário e diga o que mais pesa nessa balança, o fiscal, o juro, o emprego ou o cenário global.

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Sobre o Autor

Geovane Souza
Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No blog, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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