Economia dos EUA ainda surpreende, setor de crédito vê inflação resistente e projeta um ciclo de cortes de juros mais lento e espalhado no tempo

Sede do Federal Reserve em Washington com a bandeira dos EUA, simbolizando a política monetária e os juros americanos
Sede do Federal Reserve, referência para a política de juros nos Estados Unidos
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Economia dos EUA segue resiliente e mercado de crédito projeta cortes graduais de juros ao longo do ano

O setor de crédito nos Estados Unidos projeta uma economia aquecida e um ciclo de cortes de juros mais lento do que o imaginado no fim de 2023. A leitura predominante entre bancos, gestoras e emissores é de que a atividade segue firme, o mercado de trabalho está apertado e a inflação, embora em desaceleração, ainda exige cautela.

Essa percepção aparece em relatórios de risco, nas emissões no mercado de capitais e no encarecimento do funding para empresas mais alavancadas. Há também um avanço gradual da inadimplência em algumas carteiras de consumo, o que reforça a mensagem de disciplina monetária e de crédito.

Segundo apuração publicada pela revista Veja e confirmada por dados oficiais recentes, a expectativa é de que o Federal Reserve inicie o afrouxamento de forma moderada, evitando movimentos bruscos. O pano de fundo combina inflação em queda lenta, consumo resiliente e condições financeiras que oscilaram, mas permanecem mais apertadas que a média pré-pandemia.

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Em comunicados recentes, o Fed tem indicado que precisa de mais confiança de que a inflação caminha de forma sustentada para a meta. Essa avaliação, somada a indicadores robustos de emprego e PIB, sustenta a projeção de cortes graduais de juros ao longo do ano, em linha com o que precifica a curva de Treasuries.

O que projeta o setor de crédito nos EUA

Profissionais de crédito apontam que a economia americana deve permanecer em expansão moderada, com consumo e serviços sustentando o crescimento. Para esse grupo, a combinação de renda e emprego ainda fortes reduz o risco de recessão no curto prazo, mas mantém a inflação resistente nos componentes sensíveis ao ciclo.

Como resultado, a avaliação recorrente é de que o Fed cortará juros em etapas pequenas e espaçadas, preservando um viés de vigilância. Em paralelo, bancos e investidores continuam seletivos, com spreads mais amplos em segmentos de maior risco e prazos de captação mais curtos.

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Sinais de apetite e preço no mercado de capitais

As janelas de emissão no mercado de dívida corporativa de grau de investimento voltaram com força, refletindo apetite por nomes sólidos. Já no high yield e em crédito privado mais arriscado, o custo permanece elevado e a diligência aumentou.

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Segundo gestores ouvidos pelo mercado e relatórios setoriais, isso é coerente com um cenário de juros altos por mais tempo. Emissões saem, mas a preços que incorporam o risco de uma desinflação lenta e de lucros pressionados por custos financeiros.

Essa dinâmica ajuda a explicar por que o setor fala em economia ainda quente, porém com freios seletivos. O crédito flui para empresas de melhor qualidade, enquanto projetos mais alavancados aguardam condições financeiras mais favoráveis.

Inflação emprego e PIB sustentam visão de juros mais altos por mais tempo

De acordo com o Bureau of Economic Analysis em janeiro de 2024, o PIB dos EUA encerrou 2023 com crescimento acima do esperado, reforçando a resiliência da demanda. Esse pano de fundo contrasta com a necessidade de trazer a inflação ao objetivo, o que limita a velocidade de afrouxamento.

O Federal Reserve reiterou em comunicados no início de 2024 que precisa de evidências adicionais de desinflação contínua antes de cortar rapidamente. A leitura do índice PCE mostrou desaceleração ao longo de 2023, mas núcleos ligados a serviços seguiram pressionados, o que recomenda prudência.

Segundo o Bureau of Labor Statistics, o mercado de trabalho permaneceu apertado na virada de 2023 para 2024, com criação de vagas consistente e taxa de desemprego baixa. Salários arrefeceram, porém ainda em níveis compatíveis com consumo firme.

Índices de atividade como o ISM de serviços, divulgados no início de 2024, ficaram em terreno de expansão. Esse conjunto de dados dá suporte à tese de que a política monetária só deverá afrouxar gradualmente, evitando reacender a inflação.

Curva de juros dólar e bolsas reagem a cortes graduais

Na curva de Treasuries, as taxas futuras incorporaram a perspectiva de menos cortes ao longo do ano, em comparação com o otimismo do fim de 2023. A precificação, acompanhada por ferramentas como o FedWatch, aponta para um ciclo mais contido e dependente de dados.

No câmbio e em ações, o sinal tem sido misto. O dólar tende a se firmar quando a leitura é de juros altos por mais tempo, enquanto as bolsas reagem caso a caso, favorecendo empresas com balanços mais robustos e menor dependência de financiamento.

Riscos no horizonte e o que acompanhar nas próximas semanas

Relatórios do Federal Reserve de Nova York apontaram elevação da inadimplência em algumas linhas de crédito ao consumidor no fim de 2023. Ainda que partindo de patamares baixos, o movimento pede atenção, pois juros reais positivos pesam sobre famílias mais endividadas.

Ao mesmo tempo, pesquisas como o Senior Loan Officer Opinion Survey, publicadas pelo Fed em 2023 e no início de 2024, mostram critérios mais rígidos de concessão e demanda mais fraca por empréstimos corporativos. Isso pode moderar o crescimento adiante e ajudar a desinflacionar, mas também pressiona setores sensíveis ao crédito.

Outro ponto de observação são os serviços e os aluguéis, componentes que têm sido mais lentos para ceder na inflação. Uma queda mais clara nesses itens abriria espaço para cortes mais frequentes, ao passo que persistência forçaria o banco central a ir devagar.

Empresas que dependem de capital intensivo seguem ajustando planos, priorizando caixa e alongando dívidas quando possível. A seletividade do investidor permanece alta, premiando governança, geração de caixa e setores menos cíclicos.

No balanço, a fotografia atual favorece a hipótese de uma economia dos EUA ainda aquecida e um ciclo de cortes mais lento, como relata a Veja e corroboram dados do BEA, BLS e do próprio Fed. A travessia dependerá do ritmo da desinflação e da resposta do mercado de trabalho.

Qual a sua leitura sobre a estratégia do Fed e o pulso da economia americana neste ano? A cautela do setor de crédito é excesso de conservadorismo ou um alerta necessário diante de uma desinflação lenta? Deixe seu comentário e diga onde você enxerga mais risco ou oportunidade nesse cenário.

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Sobre o Autor

Geovane Souza
Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No blog, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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