Emprego no agro avança, Cepea aponta 28,58 milhões de trabalhadores no 3º trimestre de 2025 e pressiona debate sobre informalidade e qualificação
Levantamento do Cepea indica 28,58 milhões de pessoas ocupadas no agronegócio no período de julho a setembro de 2025, somando campo, agroindústria, insumos e agrosserviços
O agronegócio brasileiro registrou 28,58 milhões de trabalhadores no 3º trimestre de 2025. A estimativa é do Cepea/Esalq-USP, em levantamento que consolida dados oficiais e evidencia a força do setor no mercado de trabalho nacional.
O número considera o chamado “agronegócio ampliado”, que inclui a produção agropecuária, a agroindústria, os insumos e os agrosserviços. Na prática, vai do plantio e da colheita ao processamento, transporte, armazenagem e distribuição de alimentos, fibras e bioenergia.
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Segundo o Cepea, a fotografia do período de julho a setembro de 2025 confirma a relevância do agro para a ocupação em todas as regiões do país. A leitura também sinaliza desafios persistentes, como alta informalidade em elos específicos e disparidades de renda e qualificação.
Os resultados foram destacados pelo portal Notícias Agrícolas com base no boletim do Cepea, que tradicionalmente utiliza a PNAD Contínua do IBGE como referência de emprego e renda, além de informações administrativas, como o Caged do Ministério do Trabalho, para complementar a análise.
O que diz o Cepea e como o número é calculado
De acordo com o Cepea/Esalq-USP, o total de 28,58 milhões agrega ocupados nos quatro grandes elos do agronegócio. A métrica é reconhecida por pesquisadores e gestores públicos por capturar o efeito de encadeamento do setor na economia e no mercado de trabalho.
O indicador considera a metodologia de agronegócio ampliado, que distribui as ocupações entre atividades primárias, indústrias de alimentos e bebidas, cadeia de insumos (máquinas, fertilizantes, defensivos, genética) e serviços (logística, comércio atacadista, armazenagem, finanças e assistência técnica). Segundo o Cepea, essa ótica é alinhada à literatura internacional e à prática brasileira desde os anos 2000.
Metodologia em linhas gerais
O Cepea utiliza microdados da PNAD Contínua do IBGE para identificar as ocupações ligadas ao agro, aplicando classificações de atividades e vínculos. Para postos formais, o Caged ajuda a observar aberturas e fechamentos ao longo do trimestre, reforçando a leitura conjuntural, conforme explicado em relatórios anteriores do centro de pesquisas.
Essa combinação permite comparar movimentos sazonais típicos do 3º trimestre, período marcado por picos de colheitas regionais, maior atividade de processamento e evolução de serviços logísticos para escoamento interno e externo.
Onde estão os empregos do agro, campo, indústria e serviços
O grosso das ocupações do agronegócio segue concentrado nas atividades primárias e no segmento de serviços ligados ao agro. Segundo o Cepea, a ampliação do número total reflete tanto o dinamismo das cadeias de grãos e proteínas quanto a expansão de serviços de apoio e distribuição.
Na agroindústria, fábricas de alimentos, bebidas e biocombustíveis absorvem mão de obra qualificada e técnica, com efeito multiplicador em municípios de médio porte. Já na cadeia de insumos, a demanda por mecânicos, operadores, técnicos agrícolas e profissionais de vendas evidencia a crescente tecnificação do campo.
Regionalmente, a ocupação no agro mantém peso elevado no Centro-Oeste e no Sul, enquanto Nordeste e Sudeste reforçam participação em serviços, processamento e comércio atacadista de produtos agropecuários. Essa distribuição é consistente com padrões observados em edições anteriores de estudos do Cepea e com estatísticas territoriais do IBGE.
Salários, informalidade e produtividade seguem como desafios
Apesar do volume expressivo de ocupados, o Cepea e especialistas apontam a informalidade como ponto de atenção, sobretudo em segmentos sazonais e de menor escala. A PNAD Contínua do IBGE costuma registrar taxas de informalidade acima da média nacional em ocupações agropecuárias, o que pressiona proteção social e estabilidade de renda.
Nesse contexto, qualificação profissional e segurança no trabalho ganham centralidade. Programas de treinamento, difusão tecnológica e regularização de vínculos são caminhos para elevar produtividade e remuneração, com impactos positivos sobre competitividade e bem-estar no meio rural.
Outra frente é a intermediação de mão de obra e o acesso a vagas formais, especialmente em períodos de safra. O uso de plataformas públicas e privadas e a presença de Sistemas S no território ajudam a aproximar trabalhadores de indústrias e serviços do agro, reduzindo rotatividade e lacunas de qualificação.
Segundo análises recorrentes do Cepea e dados do Caged do Ministério do Trabalho, elos industriais costumam pagar salários acima da média do conjunto do agro, enquanto postos primários têm rendimento mais volátil. A agenda de agregação de valor e industrialização nas regiões produtoras tende a equilibrar esse quadro no médio prazo.
Há ainda o desafio da mobilidade e do transporte de trabalhadores em áreas remotas, que influencia a permanência no emprego e a produtividade. Investimentos em infraestrutura, conectividade e habitação rural aparecem com frequência nas recomendações de pesquisadores e entidades setoriais.
Perspectivas para 2026 e fatores de risco
Para o próximo ciclo, a manutenção de um contingente elevado de ocupados depende de variáveis como clima, custo de insumos, demanda externa e ritmo de crédito rural. Sinais de normalização de estoques globais e movimentos cambiais podem afetar margens e, por consequência, o apetite por contratações em alguns elos.
Por outro lado, a continuidade de investimentos em processamento, bioenergia e logística tende a sustentar vagas em agroindústria e agrosserviços, segmentos que puxaram parte do avanço recente, segundo balanços anteriores do Cepea e estatísticas do IBGE para emprego setorial.
Em síntese, o resultado de 28,58 milhões de trabalhadores no 3º trimestre de 2025 confirma o agro como pilar do mercado de trabalho no Brasil. A consolidação desse patamar exige foco em formalização, qualificação e inovação, para transformar volume de ocupações em empregos de maior qualidade.
Como você avalia o crescimento do emprego no agronegócio diante da persistência da informalidade e das diferenças salariais entre elos da cadeia? A expansão de agroindústria e serviços no interior compensa a sazonalidade do campo ou ainda deixa lacunas importantes? Deixe seu comentário e participe do debate com dados, experiências e propostas.
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