Investir em arte perde para o IPCA, alerta pesquisa citada pela Folha, e expõe riscos de liquidez e custos ocultos no mercado de pinturas brasileiras
Pesquisa aponta retorno abaixo da inflação em pinturas brasileiras, segundo a Folha de S.Paulo, e reforça alerta sobre riscos e custos desse investimento
Uma pesquisa citada pela Folha de S.Paulo indica que o retorno de investimentos em pinturas brasileiras ficou abaixo da inflação em período recente. O achado contraria a ideia de que a arte, por si só, protege o poder de compra.
O resultado, divulgado em 2026, compara a valorização das obras com o IPCA, índice oficial de preços calculado pelo IBGE. A diferença de desempenho reforça que ativos de arte são expostos a riscos específicos e não substituem, automaticamente, aplicações financeiras tradicionais.
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Especialistas ouvidos em relatórios setoriais costumam apontar a baixa liquidez, a alta dispersão de preços e os custos de transação como barreiras a retornos consistentes. Em cenários de incerteza econômica, o apetite por obras também diminui, pressionando valores de revenda.
O estudo mencionado pela Folha dialoga com tendências internacionais reportadas por grandes casas de leilão e consultorias do mercado de arte. De acordo com essas leituras, a performance em arte varia muito por artista, período, raridade e estado de conservação, o que dificulta padronizar ganhos.
Pesquisa indica retorno abaixo da inflação no mercado de arte
Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, a amostra analisada mostrou que investir em pinturas brasileiras não superou o IPCA no recorte observado. Em termos práticos, isso significa perda de poder de compra, mesmo que algumas obras isoladas tenham se valorizado.
O IBGE explica que o IPCA mede a variação de preços de uma cesta de bens e serviços consumidos pelas famílias e é referência para metas de inflação. Portanto, superar o IPCA é o mínimo exigido para preservar, no tempo, o valor real de um investimento.
A Folha ressalta que, embora haja histórias de ganhos expressivos em artistas consagrados, a média do conjunto tende a um desempenho mais fraco, especialmente quando se consideram custos e prazos para vender. Essa diferença entre casos de sucesso e o agregado é uma marca do mercado de arte.
O que explica o desempenho fraco das pinturas brasileiras
Um fator central é a liquidez. Obras de arte não têm mercado contínuo como ações ou títulos, e a janela de venda depende de leilões, mostras e do interesse de compradores específicos. Essa fricção reduz a capacidade de capturar preço justo no momento desejado.
Outro ponto são os custos de transação, como comissões de vendedor e comprador em leilões, taxas de intermediação, transporte, seguro e conservação. Esses gastos corroem parte relevante do ganho bruto e costumam ser esquecidos no cálculo de retorno.
Há ainda o risco de seleção. O desempenho varia muito entre artistas, séries e períodos, e a probabilidade de escolher obras que não se valorizam é alta. Sem curadoria qualificada e horizonte longo, a chance de retorno inferior ao IPCA cresce.
Por fim, a opacidade de preços e a escassez de dados públicos dificultam a formação de referência confiável. Diferente do mercado acionário, não há book de ofertas, e as negociações privadas raramente são divulgadas, o que amplia assimetria de informação.
Como o retorno em arte se compara a outros investimentos
Aplicações financeiras indexadas ao IPCA, como alguns títulos públicos, partem de uma proteção inflacionária explícita, algo que a arte não oferece por contrato. Em cenários de inflação alta, isso pesa na comparação de resultados.
Já em ciclos de juros em queda e maior apetite por risco, segmentos específicos da arte podem reagir bem. Ainda assim, a evidência reportada pela Folha sugere que, no agregado, o mercado de pinturas brasileiras não tem sido um hedge automático contra a inflação.
Cuidados antes de investir em pinturas brasileiras
Disciplina de diversificação é essencial. Arte, se presente, deve ocupar fatia moderada do patrimônio, ao lado de ativos líquidos e com proteção inflacionária. Isso ajuda a equilibrar riscos de preço e prazos de venda.
O investidor precisa mapear os custos totais da operação. Inclua taxas de leilão, comissões, laudos de autenticidade, moldura, transporte, seguro e possível restauro. Sem essa conta completa, o retorno real tende a decepcionar.
A proveniência e a autenticidade são inegociáveis. Certificados confiáveis, histórico de exposições e publicações elevam a liquidez e reduzem riscos legais e de reputação, elementos que impactam o preço final no momento da venda.
Planejamento de prazo e de saída é outro pilar. Defina cenários de venda, acompanhe o calendário de leilões e monitore sinais de mercado, como exposição institucional do artista e participação em feiras, que influenciam demanda e preços.
Por último, busque avaliação independente. Consultores, galerias com reputação e peritos registrados agregam camadas de verificação que podem evitar erros caros, especialmente em artistas com mercado ainda em formação.
Metodologia da pesquisa e limites dos dados
A Folha de S.Paulo cita uma pesquisa que, como ocorre em estudos de arte, provavelmente se apoia em registros de preços de leilões e séries de vendas repetidas. Essa metodologia é comum internacionalmente, mas tende a refletir mais o segmento formal de leilões do que as vendas privadas.
Há limitações conhecidas, como o viés de sobrevivência, a influência de obras excepcionais e a ausência de dados de transações fora de leilões. Por isso, segundo especialistas e relatórios públicos do setor, índices de arte devem ser lidos com cautela e sempre comparados ao IPCA, referência do IBGE para inflação.
O debate sobre arte como investimento segue aberto. Variações por artista, fase e raridade podem gerar retornos muito distintos da média, mas a mensagem central do estudo mencionado pela Folha é clara: no agregado, o risco de retorno abaixo da inflação é real e precisa ser precificado.
Qual a sua visão sobre arte como investimento no Brasil? Você considera que os ganhos culturais e de prestígio compensam o risco de ficar atrás do IPCA, como indica a pesquisa citada pela Folha de S.Paulo? Deixe seu comentário e amplie o debate com sua experiência e argumentos.
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